Vincenzo
O que diabos a Cassidy está fazendo aqui com o Niklaus, de todas as pessoas?
Minha mente gira. Rejeição. Ciúme. Manipulação. Ela está brincando comigo?
Ela entende o que está fazendo comigo? Isso é só um jogo para ela?
— Você precisa ir embora — sussurra ela, com um medo genuíno nos olhos castanhos mel. Ela tenta olhar por cima do meu ombro, mas dou um passo à frente, forçando-a a recuar para o banheiro e fecho a porta atrás de nós.
— Falei com a Clarice — digo, observando cada microexpressão em seu rosto.
Os olhos de Cassidy se enchem de lágrimas enquanto ela leva a mão ao rosto, tentando impedir o colapso iminente.
Não quero fazê-la chorar. p***a.
— Nós também falamos. E agora... isso aconteceu — ela gesticula com raiva na direção da porta. Há urgência em cada palavra, um pânico contido. — Você vai me matar, Vince.
— Eu nunca deixaria que algo acontecesse com você — respondo com firmeza.
Ela balança a cabeça rapidamente. — Você não entende. Ele quer isso. Ele quer que eu te espione. Que a gente finja estar junto pra conseguir informações. E agora... agora que falamos com a Clarice... alguém do escritório do promotor contou ao Caruso sobre o acordo dos meus pais.
O corpo de Cassidy treme, e eu a puxo para os meus braços, sentindo a tensão dela contra o meu peito.
— Desculpa. Eu devia ter sido mais claro com a Clarice sobre sua situação — murmuro, cheio de culpa.
Clarice deveria saber melhor. Mas eu devia ter preparado Cassidy para o que viria.
— Não posso continuar com isso. Não vou. Tô tentando convencer o Niklaus de que você me mataria se descobrisse. Não deixe ele fazer isso comigo, Vince.
Meu coração aperta. Quero protegê-la. Mais do que isso, quero matar Niklaus com minhas próprias mãos. Levanto seu queixo com um dedo, forçando seu olhar a encontrar o meu.
— Você vai fazer exatamente o que Niklaus pedir. E eu vou te dar informações o suficiente para manter você e sua família em segurança. Certo?
— E se...?
Interrompo antes que ela continue. — Volte para aquela mesa. Eu vou te tirar dessa. Eu prometo, Cassidy.
Abro a porta e deixo que ela saia, observando enquanto se olha rapidamente no espelho. Ela me lança um último olhar antes de desaparecer de volta no salão.
Estou pronto para incitar uma guerra, pronto para enfiar uma faca em Niklaus e deixá-lo sangrar até a morte no chão do Kings. Mas então Antônio Vassa surge, desfilando na minha direção com um meio sorriso preguiçoso e aquela indiferença habitual.
— Não faça o que está prestes a fazer, Don Lombardi — diz ele num tom levemente condescendente.
— Não vou fazer bagunça — respondo, tenso.
Antônio sorri como o Gato de Cheshire. — Isso eu sei. Sei o quão eficiente você é. CEO da Lombardi Security, rosto impecável da legalidade americana... mas você não é esse homem, Vincenzo. Está esquecendo quem eu sou e o que sei sobre sua “transição” para o mundo corporativo?
— Está me ameaçando, Antônio ?
— Não. De assassino para assassino, só peço que respeite o espaço seguro que criei aqui. Nada de cadáveres entre o carpaccio e a sobremesa. E se for inevitável, que seja longe da minha clientela — ele revira os olhos. — Bem longe.
— Jamais faria algo assim... muitas testemunhas — minto com facilidade.
Mas nós dois sabemos que, testemunhas ou não, se eu quisesse acabar com Niklaus aqui e agora, ninguém me impediria. A única coisa que me impede é Cassidy. Não quero que ela veja esse lado meu — ainda não.
Antônio e eu nos separamos enquanto volto ao bar, onde Lorenzo observa a sala, visivelmente desconfortável.
— Então é essa a mulher que fez você faltar às reuniões? — pergunta ele, apontando com o queixo na direção de Cassidy e Niklaus.
— É ela — admito. Inútil mentir para Lorenzo.
— Diferente... — ele assente. — Eu entendo, mas ainda assim, um civil? Sério, Vincey?
— Não pedi sua opinião.
— Devia. Você está envolvido demais. Isso vai te levar a fazer algo incrivelmente e******o.
— Não quero que o Caruso faça besteira...
Minha voz falha quando vejo Cassidy limpando algo debaixo da mesa. As mãos de Niklaus não estão mais em movimento. Algo está errado.
Lorenzo me segura pelo ombro. — Manchetes enormes, i****a.
Tiro a mão dele de mim e caminho até a mesa. Todos os olhares se voltam para mim.
— i****a. Corpos caindo. Sangue nas ruas — murmura Lorenzo atrás de mim.
Ele está certo. Isso não é só entre mim e Niklaus. É entre Famílias. Mas por mais que tente negar, Cassidy mexe comigo de um jeito que me desequilibra. E qualquer coisa que me tira o controle... é um problema.
— Não vou fazer nada — sussurro para Lorenzo antes de me virar para Cassidy e estender a mão.
— O que pensa que está fazendo, Lombardi? — rosna Niklaus.
— Vou levar a Srta. Leone para casa. Acho que você deveria pedir desculpas a ela, Niklaus. Qualquer coisa feita com uma mulher sem consentimento não é a forma certa de fazer as coisas. E você sabe disso.
Cassidy hesita, mas antes que possa reagir, Niklaus bate com força na mesa, atraindo todos os olhares.
— Cassidy é adulta. Fez a escolha de jantar comigo e deve terminar. Ela deve isso à Família.
— Tudo bem, Niklaus. Quanto vale para você que Cassidy deixe esta mesa comigo?
— Não acredito nisso... — Cassidy murmura. — Vocês dois são uns babacas. O jantar acabou. Eu vou para casa.
Ela passa por mim, furiosa. Niklaus e eu permanecemos frente a frente.
— Três milhões — diz ele.
— Três milhões o quê?
— Cabelos de boneca, Don Lombardi — responde com desdém. — Quer a filha dos Leone longe de mim? Sem danos? Vai te custar isso.
— Feito — digo, pegando o celular.
— Nem hesitou. Se importa com ela. Tão rápido? Deve ter sido uma b****a virgem e doce.
Quero matá-lo. Estrangulá-lo lentamente. Mas Lorenzo pigarreia atrás de mim.
— Leve Cassidy para casa — digo a ele, apontando com o queixo.
Niklaus ri sozinho. Ele sabe que mexeu comigo.
— e******o — murmura Lorenzo, saindo do clube.
Antônio se aproxima. — Senhores, sentem-se ou levem isso para uma sala privativa.
Niklaus oferece o lugar de Cassidy para que eu me sente. Pela primeira vez, ele está em vantagem. Preciso ser mais esperto. Sento-me.
— Você está se intrometendo nos meus negócios, Don Lombardi — diz ele. — A Família funciona porque não nos atrapalhamos.
— Os pais dela são civis. Pessoas comuns. Não são informantes. São cidadãos com medo.
— Isso não importa. Eles fizeram um acordo. E esse acordo é comigo. Não com você.
Então cometo o erro de perguntar: — Que acordo?
— Colocaram um dos meus homens numa pilha de escombros. Estão com sorte que ainda há um acordo.
Perfeito. Agora tenho algo para usar. Clarice vai amar isso.
— Tudo bem. Cassidy é minha agora. E você pode manter seu acordo com os pais.
Ele esfrega as mãos e me estende uma.
Aperto, contrariando tudo em mim. Cassidy retorna, seguida por Lorenzo.
— Obrigado pela cooperação, Don Lombardi. Tenho certeza de que Cassidy não se importará que você cuide dela enquanto eu cuido dos pais. Uma grande e feliz Família.
Niklaus sai do clube com um meio sorriso.
Cassidy se vira para mim, pálida. — Que p***a você acabou de fazer, Vincenzo?
— Apenas mantive a paz... por enquanto — digo, mas me viro para Lorenzo. — O que ela ainda está fazendo aqui?