Capítulo 12 — Inventário de Culpa

1463 Palavras

Lobão Eu sempre soube contar. Contar dinheiro, contar munição, contar homem no posto, contar passo em beco escuro. Contar risco. Contar silêncio. No morro, quem não conta direito… é contado depois, num velório de porta fechada. Mas naquela noite eu estava contando outra coisa. Culpa. E culpa é o tipo de número que não fecha nunca. Voltei da casa do chefe com o recado queimando atrás dos olhos: a menina virou moeda política. Não era novidade, eu já tinha sacado. A novidade era o tamanho do apetite em volta. Rival, polícia de recado, curiosos com celular, e o próprio patrão querendo usar a peça como se fosse dele. Como se tudo fosse dele. A base estava acordada demais. Homens andando pra lá e pra cá, rádio cuspindo código quebrado, cheiro de cigarro e café velho. A rotina de guerra é

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