Lobão Eu sempre soube contar. Contar dinheiro, contar munição, contar homem no posto, contar passo em beco escuro. Contar risco. Contar silêncio. No morro, quem não conta direito… é contado depois, num velório de porta fechada. Mas naquela noite eu estava contando outra coisa. Culpa. E culpa é o tipo de número que não fecha nunca. Voltei da casa do chefe com o recado queimando atrás dos olhos: a menina virou moeda política. Não era novidade, eu já tinha sacado. A novidade era o tamanho do apetite em volta. Rival, polícia de recado, curiosos com celular, e o próprio patrão querendo usar a peça como se fosse dele. Como se tudo fosse dele. A base estava acordada demais. Homens andando pra lá e pra cá, rádio cuspindo código quebrado, cheiro de cigarro e café velho. A rotina de guerra é

