Camilla A primeira coisa que eu senti foi o cheiro. Não era café, não era comida, não era o mofo antigo da casa da Dona Nena. Era fumaça fina, quente, entrando pelas frestas como se alguém tivesse soprado a guerra pra dentro do quintal. A segunda coisa foi o som: um estalo seco lá fora, seguido de outro, e depois o silêncio curto de quem espera a reação. Tiro. Meu corpo levantou antes da minha cabeça aceitar. Eu fui até a janela alta e espreitei pela fresta. Vi só sombras correndo no beco, luz de lanterna varrendo parede, e ouvi uma voz masculina gritar baixo, urgente: — É ela! Ela tá aqui! O meu nome já não precisava ser dito. Ele vinha embutido na palavra “ela”. Meu estômago afundou. A porta do quarto abriu com força. Dona Nena apareceu, o rosto duro, mas o olho tremendo num po

