Lobão A gente parou de correr quando o ar começou a faltar de um jeito que não era só cansaço, era limite. Eu puxei Camilla por trás de uma parede alta, num recuo que parecia esquecido até pelo próprio morro. Não era abrigo bonito. Era só um lugar onde o barulho passava por cima sem morder. Lá embaixo, as sirenes continuavam cortando a noite, e mais longe o helicóptero fazia o céu girar como se procurasse nome. Camilla tremia. Não de frio. De adrenalina. Eu também tremia, mas por dentro. Porque eu tinha conseguido tirar ela do alcance imediato… e, mesmo assim, eu sabia: quando uma pessoa vira alvo, o alvo não some só porque a gente muda de beco. Alvo vira história. E história encontra caminho. Encostei a testa na parede por um segundo e respirei fundo, sentindo a dor puxar no ferime

