Camilla O morro não pega fogo só com gasolina. Ele pega fogo com nome. Com boato, com sirene, com inveja, com medo. Com gente demais ouvindo a mesma história e decidindo, cada um à sua maneira, que tem direito de escrever o fim. Naquela noite, eu acordei com o som de rádio chiando do lado de fora e a certeza de que não existia mais “por enquanto”. A casa pequena onde eu estava escondida parecia respirar curto, como se até as paredes soubessem: hoje alguém cai. A porta abriu sem estardalhaço. Lobão entrou com o rosto fechado, o ferimento ainda pedindo descanso e ele negando como sempre. Atrás dele, Careca, olhos duros. — É hoje — Lobão disse, simples. Eu senti meu estômago gelar. — “Hoje” o quê? Ele me encarou, e eu vi a decisão nele como pedra. — Hoje eu fecho isso. Chefe, políci

