Camilla A fumaça grudou em mim como se fosse segunda pele. Ela não era só cheiro de lembrança. De tiro, de grito, de metal batendo no chão, do morro inteiro me chamando sem dizer meu nome. Eu sentia cinza no cabelo, na gola da blusa, no fundo da garganta. E, mesmo quando o ar ficava mais limpo por alguns segundos, o meu peito continuava sujo de medo. Eu corri atrás do Lobão até minhas pernas virarem uma coisa que só obedecia por teimosia. O mundo era beco, laje, escada, sombra. Era sirene lá embaixo e hélice longe, como se o céu também quisesse vigiar a minha escolha. Escolha. Essa palavra doía. Porque eu tinha escolhido ir com ele. E agora eu não sabia se aquilo era liberdade… ou um tipo mais sofisticado de prisão. A gente parou numa laje alta, escondidos atrás de uma caixa d’água

