Capítulo 37 — O Preço do Meu Nome

1556 Palavras

Lobão O morro sempre teve um jeito próprio de julgar. Não é tribunal, não é polícia, não é lei de papel, é o olho. É a boca. É o sussurro que vira grito antes de virar tiro. Eu senti isso na pele antes mesmo de chegar na escadaria principal. As vielas estavam cheias, mas vazias ao mesmo tempo. Gente na porta, criança correndo, som de pagode lá embaixo tentando fingir normalidade… e, ainda assim, o ar tinha um gosto diferente. Um gosto de coisa virando. De maré trocando. Quando eu passei, o barulho abaixou. Não foi silêncio completo, porque o morro nunca cala, mas foi aquele tipo de silêncio que te marca como alvo. Como se todo mundo tivesse combinado de respirar menos só pra te ver passar. Eu ouvi meu nome em pedaços. — Lobão… — Tá vendo? — Olha aí o homem… — Dizem que ele…

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