Camilla O esconderijo era pequeno demais pra tanta coisa viva. Tinha parede descascada, um colchão encostado no canto, uma bacia com água fria e uma janela alta que mostrava só um recorte de céu, como se o mundo lá fora fosse um quadro distante que eu não tinha o direito de tocar. E, mesmo assim, eu me sentia exposta. Como se cada som do morro atravessasse as paredes feito luz… e eu fosse vidro. Eu tentei tirar a cinza da pele com a água da bacia, esfregando os braços até arder. A fumaça tinha grudado no meu cabelo, no pescoço, no fundo da garganta. Só que o pior não estava na pele. Estava no bolso. A chave. Eu sentia o metal frio encostando na minha coxa sempre que eu me mexia, lembrando que eu tinha porta, que eu tinha escolha, que eu podia ir… e não fui. Eu voltei. A culpa tin

