Capítulo 39 — O Homem Que Não Dorme

1214 Palavras

Lobão No morro, dormir é um privilégio que só existe quando o risco tá longe. E o risco nunca tá longe de mim. Aquela casa pequena — mais esconderijo do que refúgio, respirava como um peito cansado. Parede fina, janela alta, um corredor que devolvia qualquer passo em eco. Lá fora, o barulho tinha diminuído, mas não tinha sumido. O morro não silencia quando a guerra passa; ele só troca o tom. Fica mais baixo, mais atento, mais perigoso. Eu fiquei de pé perto da porta, a mão no ferrolho, o rádio colado no ouvido, e a dor puxando no lado como se quisesse me lembrar que eu ainda tinha corpo. Eu ignorei. Dor, eu sei administrar. O que eu não sabia administrar era ela ali. Camilla estava sentada no colchão, quieta demais, como quem tenta não existir pra não ser pega pelo mundo. O casaco e

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