Capítulo 40 — A Regra da Porta

1354 Palavras

Camilla A manhã entrou pela janela alta como uma mentira suave. A luz parecia limpa, quase bonita, como se lá fora não tivesse sirene, nem gente me caçando por nome, nem o morro inteiro me olhando sem precisar ver meu rosto. Mas eu já tinha aprendido: claridade não significa segurança. Às vezes só significa que fica mais fácil te enxergar. Lobão continuava encostado na porta, como se a noite tivesse grudado nele. Olheiras leves, mandíbula dura, o ferimento puxando no corpo e ele fingindo que não. Ele segurava o rádio com a mesma mão que, horas antes, tinha segurado meu pulso e me arrancado de beco como se eu fosse a única coisa que ele não deixava cair. Eu odiei lembrar. E odiei mais ainda sentir o corpo reagir, pequeno, traiçoeiro, quando ele respirava perto. Ele me olhou de cima a

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