Sol narrando Fiquei ali deitada na maca, o ar-condicionado no talo, mas parecia que o calor vinha de dentro. O corpo todo mole, uma ânsia que não passava nem com reza forte. A Ingrid tinha ido atender uma cliente e eu tava ali, com a cabeça apoiada no braço, tentando achar uma posição que me deixasse menos miserável. Mas aí o que ela falou começou a martelar na minha cabeça. “Ou então é neném, né?” Eu ri na hora, mas agora… agora tava martelando mesmo. Será? Aí já veio aquele outro pensamento: não, impossível. Eu tenho DIU. Eu não sou maluca. Eu não dou esse mole. Mas aí o enjoo veio de novo, a tontura veio junto, e eu fechei os olhos. “Pelo amor de Deus, corpo, colabora.” Peguei o celular da bancada e disquei o número da minha mãe. — Alô, mãe… — minha voz saiu fraca, trêmula. —

