SOL NARRANDO Já passava das nove quando a última cliente saiu. A Ingrid deu uma esticada nas costas e falou que não ia sentir as pernas até semana que vem. Eu só conseguia rir. Rir de cansaço, de felicidade, de tudo misturado. O salão ainda tava quente, cheio de perfume, cabelo pelo chão, música baixa de fundo. A gente ali no fim do dia, olhando uma pra outra e sabendo: a gente venceu. — Vamo contar o caixa? — falei, jogando o pano em cima da bancada. A Ingrid pegou a caixinha, e nós duas sentamos no chão mesmo, igual duas adolescentes organizando dinheiro de rifa. Rindo, somando, separando os trocados das notas maiores. Tinha nota de dois, de cinco, até moedinha de um real. Mas sabe o que tinha mais? Orgulho. — Caraca, Sol… deu bom pra p***a. — ela disse, olhando o papel com os valor

