Capítulo 10 - Reunião de negócios

1836 Palavras
Andei rapidamente, sobre a calçada pouco iluminada. Alguns fumavam num beco distante. Outros conversavam em pontos espalhados na avenida. Estava movimentado, e isso era bom, ajudava bastante na descrição de nossa missão. Avisto o carro preto do outro lado, dentro de uma rua escura, e me adiantei nos passos, e logo abro a do passageiro, estancando no processo de entrar. Dylan estava na ponta, e eu apenas continuei o encarando, enquanto segurava a porta, pensando "por que você não vai para o meio para eu poder me sentar?" Sua expressão de impaciência se fez, e eu o senti agarrar-me pela cintura, puxar o meu corpo, me colocando sentada sobre seu colo e sob seu aperto abaixo de meus s***s. A porta é fechada e meu corpo é liberado dos braços dele, então, apenas me jogo para o lado, batendo levemente meu corpo no de Kirby que estava na outra ponta, ficando no meio entre eles. E David pisa fundo no acelerador. — Foi muito divertido — a loira põe a mão em minha coxa, com a pequena saia levantada, e aperta. Sorri, mordendo o lábio inferior. — Espero que tenha dado tudo certo... — lembro-me da sensação do agarre de Dylan. Isso me deixou quente. A força e a facilidade que foi para puxar-me para sentar em seu colo... Será que tal atitude também o afetou? Será que ele apenas quis se vingar do que eu fiz lá dentro lhe dando o celular? Só sei que eu não me virei para encará-lo o resto da viajem. Pulei pra fora do carro assim que chegamos, e desfilei até acompanhar Kirby na frente de todos. O vento frio daquela noite me castigava pela escolha de roupa, e me encolhi ao seu lado. — Espero que esses celulares sejam o suficiente para nos dar pistas. – Kirby comentou. — O que pode influenciar no domínio de um país sobre o comércio de drogas? – meditei reflexiva. — Poder de importação e exportação? – David responde. — Os americanos conseguem movimentar armas e drogas na Rússia com facilidade. — Eu apostaria que um atrito entre duas potências poderia fazer deixar de brilhar algumas estrelinhas americanas, e também incluindo o fato de que o avô do Dylan pode ter uma ideia para isso, e por isso o caso de Helena anda tão devagar. – Kirby adicionou. — Regimes caem todos os dias, o avô do Dylan está acostumado trocar de lado quando lhe convém, então eu imagino que ele esteja com um pé na Rússia através do contador para tratar algum negócio. – Eu disse. — Faz sentido o que disse – Dylan me elogiou, me deixando perplexa. — Mas se realmente formos pensar dessa forma, a jurisdição de Victor sobre o próprio negócio dele pode acabar valendo menos que a sua palavra, então não sabemos até quando o resgate de Helena será prioridade. — O conselho não vai nos impedir de ir atrás da Helena, mas aposto que irão exigir um meio para justificar usar o exército de Steve ou os recursos mais valiosos de Victor. — E se nós agirmos por conta própria? — Bucky faz a pergunta, todos olharam para ele com receio. — Vocês também pensaram nisso que eu sei! Eu só fui o primeiro a falar! — Vocês estão conosco, comandamos país, as ordens valerá igualmente. E vocês não tem recursos sozinhos, Tobias não deixaria vocês no escuro. – Kirby frisa. — Mesmo que estejamos dentro de uma distração. A briga pode ser por outra causa e estaremos concentrados apenas na Helena. — Mas ela continua sendo nossa missão número um, não importa os motivos de confronto do Victor. – Afirmei. — Podemos estar de mãos atadas, mas aqui ainda é o melhor lugar para se conseguir informações referentes aos americanos e os russos, só estamos sem respostas sobre os mexicanos. — Lilian argumenta. A paquera do Dylan finalmente disse algo inteligente. — Se o conselho entender que o poder de Victor pode ficar comprometido sob uma invasão ou confronto contra os americanos, pela popularidade do trabalho deles, imagino que irão pensar melhor antes de nos impedir de puxar o gatilho – falei. — E o que tudo isso tem a ver com Helena? – Dylan pergunta, me encarando sério. — Se nós a encontrarmos primeiro, eles ainda nos atacariam? — Kirby refletiu. — Acha que Victor poderia usar ela e o bebê para negociação? — pergunto encarando Dylan na mesma intensidade. — Victor provavelmente iria tentar algum acordo com o avô dele – Kirby apontou para Dylan. –, se desse para escapar de um possível confronto, aliás diplomacia é o nosso primeiro passo, até porque o pai da criança é um americano. Poderia dar certo. – Nós chegamos ao elevador, e todos entram. Estávamos indo direto para o gabinete. — Eduard estaria à favor com certeza. — David observa. Eu ergui uma sobrancelha em dúvida. — Não afirme isso tão rápido, não é o seu primo quem toma as decisões da facção, mas sim o seu avô. O poder de ganhar mais comércio para o tráfico é muito mais importante aos olhos dele, e nisso eu apostaria – dei minha opinião, fazendo todos suspirarem. — Já Steve, com certeza, não negociaria com o inimigo. — Kirby respira fundo. É claro que não, Victor e Steve são irmãos, mas os dois são como água e óleo. Mesmo que participem da mesma organização, eles pensam diferente, trabalham diferente. Seus ideais eram bons, mas seus métodos nem tanto. — E pensar que uma mulher inocente e seu filho estão no meio disso tudo, e nada é mais importante para eles do que o poder... — Lilian comenta. — Então mecham-se! – Dylan se apressa assim que o elevador abre as portas. Ele tinha razão, ainda precisávamos entregar os celulares para a divisão de inteligência. Eu nem imagino como o Dylan deve estar se sentindo, vendo o nome de sua família envolvido com isso, por mais que tivesse cortado os laços a tanto tempo atrás. Devia ter algum gatilho, ele era humano acima de qualquer fato. Depois de contarmos a Tobias, o que descobrimos e sobre as teorias com base nas informações, estávamos no meio de uma reunião irritante, enquanto os celulares estavam sendo analisados. Steve parecia obcecado com a oportunidade que surgiu de destruir a facção americana que mais lhe deu dores de cabeça, alegando que estaríamos salvando mais vidas do que tirando. Nem dera tempo de trocar de roupa, estava com apenas um sobretudo cobrindo meu traje de festa. — Acredito que as chances de algo acontecer à mãe e à criança, consequentemente, aumentem no mínimo para cinquenta por cento, nas duas situações. – Victor conclue, sentado na ponta da mesa. — Significa que há chance de tudo isso dar certo, quer mesmo deixar esta chance passar? Irá se arrepender... – Steve grita, da outra ponta da mesa. — Não quero arriscar, irei me arrepender mais ainda se algo acontecer à estes dois. Está fora de questão começar uma guerra. Mas óbvio que nos defenderemos se eles nos atacarem primeiro, e seu serviço será solicitado. — Ela já começou – o outro conselheiro retruca. — Há anos os americanos comanda suas operações em baixo de nossos narizes. — Steve, você seria mesmo capaz de arriscar a vida de uma criança? — Kirby questiona baixo. — Você não percebeu que temos civis aqui para proteger também? – Steve retruca. — Não deveríamos negociar vidas – Tobias comenta. Sábio e direto como sempre. — E não vamos! – Victor encara seu irmão friamente. — Pensaremos em algo melhor. Steve se remexe no acento, irritado. E meus olhos correm para Victor, ele percebe, e nós trocamos 'aquele' olhar por alguns segundos. Eu precisava expressar o que eu achava sobre tudo isso, e faria isso melhor em particular. Dylan estava sentado ao meu lado, com sua perna inquieta, ele estava ansioso obviamente, sua mão apertavam fortemente o braço da cadeira. Ele também ainda estava vestindo o terno preto, para meu completo vislumbre. Ainda com sua nove milímetros presa na cintura. A camisa de seda com alguns botões abertos me davam uma amostra do seu belo corpo. Eu conseguia ver um pingo de suor escorrer de sua mandíbula e sumir na gola. Seus cabelos bagunçados, espetados para todos os lados. Como pode ser tão lindo e malvado? Mordo os lábios atentada com meus pensamentos inoportunos. Seu olhar se encontra com o meu, e eu apenas me remexo, voltando a observar todos da mesa, que tentavam falar ao mesmo tempo. — Por enquanto, é isso, não irei ordenar ataque algum em prol da segurança de Helena e seu filho, ela é uma de nós, mesmo casada com um americano. Estão dispensados até a segunda ordem. – Victor dita sem se mexer, enquanto que todos saltam das cadeiras sumindo pela porta. Eu permaneci sentada, Dylan também, assim como Tobias. Victor me encarou. — Sei que quer dizer algo, pode falar. — Espero que esteja ciente de que ele vai atrás deles com ou sem a sua ajuda ou autorização quando tiver oportunidade. Ele vai se preparar. – Me referi à Steve. — E se ele tiver a chance de descartar a Helena, acredito que o fará. — Tobias me acompanha no raciocínio. — A minha família tem um código de conduta, “a família acima de tudo”, mas é uma fachada. — Todos encararam Dylan, esperando que ele tivesse mais à dizer. — Meu avô não pesa isso em suas decisões. Deviam partir para cima deles, assim que encontrarmos e pegar a Helena. Qualquer negociação que eles insinuem que estão interessados, será mentira. Se Eduard quiser a esposa e a filha, ele que deserte do grupo. — Concordo, não vamos entregá-la de volta para aquela família – Tobias concordou, e eu assenti para os dois, era o melhor raciocínio. — Vocês teriam a guerra que anseiam, com a excessão de que Helena já estivesse a salvo – eu disse. — Eu entendo. – Victor diz. — Além de que, ele vai esperar diplomacia de você, seria uma ótima chance. Não devia desencorajar seu irmão, ele está certo em temer o poder da maior mafia americana sobre vocês. Apenas apresente as condições que devem serem feitas, e acredito que ele acalmará os animos e esperará o melhor momento. – Adicionei à mesa. — E, também, não é porque tem o mesmo sangue que você que o torne impune das consequências da desobediência ao líder da facção. – Tobias frisa. — É obvio que ele é leal à família, mas as condutas dele precisam coincidir com as suas, como líder. — Eu concordo com vocês, irei ponderar tudo com mais calma, será o tempo de conseguir mais informações. – A sala fica em silêncio, e então Dylan é o primeiro à se retirar, em segundo Tobias, que segue o moreno pelo o corredor. Eu olhei Victor uma última vez, lhe dando um sorriso gentil, e também resolvi ir embora. Agora, era só esperar.
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