Capítulo 21 MELISSA NARRANDO Acordo com o sol entrando torto pela janela e a casa silenciosa demais pra uma manhã que deveria ter vida. O relógio marca quase dez e, como em todos os outros dias, não tem sinal nenhum do meu irmão. Nenhum bilhete. Nenhuma mensagem. Nenhuma ordem nova grudada na geladeira como se eu fosse uma criança. Só silêncio. Silêncio de quem acha que eu sou criança. Meu irmão. O grande Coiote. O dono da porrä toda, menos da minha paciência. E isso me cansa mais do que gritaria. Jogo o lençol pro lado e sento na cama bufando, passando a mão no cabelo todo bagunçado. Olho em volta como se ele fosse aparecer do nada, braços cruzados, cara fechada, pronto pra me mandar calar a boca. Mas nada. Claro que não. Ele nunca tá quando eu preciso falar. Ele só aparece pr

