Capítulo 22 MELISSA NARRANDO Ela me encara por dois segundos longos demais antes de responder. Não abaixa a cabeça. Não desvia o olhar. Não pede licença. Nada. Silêncio. E esse silêncio me irrita mais do que qualquer resposta atravessada. Cruzo os braços, apoio o peso do corpo numa perna só e espero. Se ela acha que vai me intimidar ficando muda, tá muito enganada. Cresci no meio de homens armados, gritos, ordens e ameaças. Silêncio pra mim nunca foi medo. Sempre foi provocação. — E aí? — insisto, a voz firme. — Vai falar ou vai fingir que eu não existo? Ela respira fundo. Dá pra ver que tá cansada. Não aquele cansaço de quem dormiu mäl. É um cansaço antigo, grudado na pele, no olhar. Um cansaço de quem carrega coisa demais sozinha. — Se você quer saber de mim — ela diz, por fim —

