Capítulo 14 COIOTE NARRANDO Saio do barraco com ódio atravessado na garganta. Não olho pra trás. Não falo nada. Se eu abrir a boca aqui, faço merdä. Subo na moto e arranco. Desço rasgando o morro, ignorando tudo que tá acontecendo em volta. Cabeça cheia. Corpo tenso. Vontade de quebrar alguma coisa. O vento bate na cara, mas não esfria porrä nenhuma. Minha cabeça tá uma bagunça. A imagem dela sentada na cama, o olhar duro, o jeito que não abaixa a cabeça, tudo girando feito carrossel malditö. Essa garota tá me tirando do eixo. E eu odeio isso. Chego na boca acelerando, freio cantando no chão. Estaciono a moto de qualquer jeito e entro na boca. Sento do jeito que sempre faço quando preciso me lembrar quem manda. Cotovelo na mesa, perna aberta, cara fechada. O rádio chia, os vap

