Capítulo 44 GAVIÃO NARRANDO Minha visão ainda tava embaçada, um clarão maldito que ia e voltava conforme eu tentava achar um jeito de encostar na parede sem as minhas costelas gritarem. O Coiote pegou pesado, papo reto. O cara é um bicho quando a neurose de posse sobe pra cabeça; vira um demônio que não escuta ninguém. Eu sentia o gosto ferroso do sangue seco no meu beiço e o maxilar latejando que nem uma escola de samba, onde o primeiro soco dele entrou sem pedir licença. Dói, p***a. Dói o corpo, mas o que tava me esfolando por dentro era a decepção de levar um sacode por ter sido humano. Tomei uma surra de graça só por abraçar uma mina que tava sendo esculachada e que só precisava de um apoio pra não desabar. Mandei um vapor buscar um relaxante muscular na farmácia lá embaixo e um sa

