Capítulo 49 MELISSA NARRANDO Eu andava de um lado para o outro no meu quarto, sentindo o tapete queimar a sola dos meus pés. A inquietação era um bicho peçonhento me mordendo por dentro. Eu já tinha mandado umas dez mensagens pro Gavião e nada. Aquele idiotä não me respondia, o que era estranho, porque ele sempre foi meu escape, o cara que facilitava minhas loucuras quando o Eduardo cismava de bancar o pai autoritário. O clima no morro estava pesado. Dava para sentir a eletricidade no ar, aquele zumbido de quem sabe que o Vidigal ia tremer, mas eu não sabia se era de präzer pelo baile ou de ódio por causa das neuroses do meu irmão. Eu precisava sair daqui. Precisava do barulho do grave, do cheiro de asfalto quente e, principalmente, precisava tirar a Luna daquela tumba onde o Coiote a e

