Estou conversando com ela e Eleonor, já que Verônica ainda esta na escola, estou interrogando cada uma sobre o Dom ter me encontrado.
Samantha- Sei lá, o cara ta me tirando do sério... Primeiro me dá um carro, depois inventa de me dá uma caixinha com Mil reais e por ultimo manda um motorista ir na minha casa, só pra saber se eu gostei do que me deu? Não sei não... - Falo olhando minhas unhas dos pés.
Eleonor- Ai Sah, você é muito desconfiada, deixa de ser assim, vai ver ele gostou de você... E outra te convidou pra festa dele, veja só, agora entendo por que o Kill tava feliz ontem. -Fala levantando as mãos pro alto.
Eleonor é linda, tem o cabelo crespo preto mais bem cacheado, casou cedo com Kill e espera um bebê dele no ventre, que graças a mim se chamará Enzo.
Samantha- Oh tou nem ai pra essa festa, eu já disse que não vou. - Levanto do sofá bruscamente e gemo de dor, por que minhas costas ainda doem.
Clarinha percebe e me ajuda a sentar novamente.
Clarinha- Por que não denuncia ele? Pow Samantha, não gosto de ti ver assim... Ta se machucando não só por fora, mas por dentro. -Fala levantando minha blusa e olhando horrorizada pra minha costa.
Eleonor- Isso tem que parar Sah, por favor. -Pede passando as mãos lentamente pela barriga de seis meses.
Samantha- Ele é meu pai, tentem entender... Mais e nosso príncipe quando vem ao mundo? -Pergunto mudando de assunto.
Eleonor-Logo ele estará aqui pra infernizar cada uma de vocês, ai vou ver quem de vocês vai me ajudar...- Fala sorrindo.
Viro pra Clarinha e percebo que ela esta calada olhando pro chão. Puxo minha blusa cobrindo com cuidado minha costa.
Samantha- Estou bem Clarinha, sério! - Beijo sua bochecha.
Clarinha- Sim, mas até quando, até quando vai continuar aceitando isso daquele monstro? -Pergunta deixando uma lágrima cair.
Abraço ela e beijo sua testa, levanto do sofá e resolvo fazer algo útil, apesar de sentir dor não gosto de ser invalida. Passo graxa no pneu de uma moto, espero a Clarinha se juntar a mim e Eleonor apenas olha o motor de um fusca.
Passo a manhã toda com as duas e aceito o convite da Clarinha, ela me convidou pra ir almoçar na sua casa, só fui por que não tinha nada pra comer em minha casa, não que eu seja miserável, só que não queria por as mãos na massa e sua mãe não estava em casa, por isso fui. Não me preocupo com meu pai, por que sei que ele passa a maior parte do tempo bebendo e andando pela rua.
Vel- Arruma apenas a mesa Sah! - Pedi pra mim e coloco pratos, colheres e copos com um sorriso no rosto, amo almoçar com elas.
Clarinha- Prato de hoje? Macarronada com filé de frango, espero que goste Senhorita. -Fala pra mim e senta ao meu lado.
Verônica coloca o almoço de cada uma e começamos a almoçar, uma sorrindo pra outra.
Vel- Hum... É verdade que o tal Dom te convidou pra uma festa amanhã? -Pergunta com a voz cheia de esperança.
Samantha- Sim, mais não vou. -Falo me deliciando com a comida.
Vel- Ai Sah, aproveita miga, vai ser bom pra esquecer um pouco a vida sofrida do campo. -Diz e eu engasgo com a água, é eu sei, quem se engasgaria com água? Bom ai vai a resposta: Eu a desastrada!
Samantha- Vida do campo? -Pergunto e ela solta um riso.
Vel- Tou brincando boba, mas vai miga, por favor, cê nunca se diverte de verdade...
Clarinha- É mesmo, é sempre a mas quieta.- Fala com desdém.
Samantha- Não é verdade, me divirto muito no racha... -Falo repetindo a macarronada.
Vel- Ah isso não conta. -Diz fazendo bico.
Clarinha- Pensa bem, seja feliz pelo menos uma vez, senão fizer por você, faça por nós. -Diz beijando minha testa e saindo da mesa.
Vel- É isso ai, vai a festa se divirta pela gente. -Diz pegando um pedaço de carne do meu prato.
Samantha- Tudo bem, vou pensar...- Falo e logo alguém entra em casa me olhando feio.
Glória a mãe delas, eita essa mulher me odeia, tou morta.
Posso não ser a melhor pessoa do mundo, mas sei quando alguém não me quer por perto.
A mãe das garotas me encarou por alguns segundos e sem falar nada fuzilou as filhas com um olhar mortífero.
Glória- O que eu já falei pra vocês? Eu não quero esse filhote de bêbado na minha casa... Essa garota não é boa companhia, eu já avisei... - Diz me olhando com desprezo.
Apenas me encolho, em minha própria bolha.
Vel- Mãe, por favor ela é nossa amiga não fale assim dela.- Me defende olhando feio pra mãe. E isso me deixa triste por ser a principal culpada dessa briga em familia.
Glória- Amiga? Ela nunca vai ser amiga de vocês, não enquanto eu viver. -Diz subindo as escadas e resmungando.
Levanto da cadeira hesitante e levo minha louça até a pia.
Clarinha- Deixa ai Sah, e por favor perdoe nossa mãe, ela era uma boa pessoa, mas depois da morte do papai... Tudo mudou. - Sussurra cabisbaixa.
Me aproximo dela e beijo sua testa.
Samantha- Tudo bem gata, é a vida não se pode agradar a todos... Bom, obrigada pelo almoço, estava magnifique.- Abraço as duas e saio dali o mais rápido que posso.
Vou pilotando a moto em direção a minha casa. Estaciono a mesma logo em frente e tiro o capacete, jogando o cabelo pra trás para que caísse entre as omoplatas. Droga os fios acabam tocando as feridas feitas pelo meu pai, sem querer solto um gemido abafado.
Desço da moto e giro os calcanhares, mas arregalo os olhos pra picape 4x4 e pro homem a minha frente, vestido de calça jeans surrada e camiseta branca que deixa seus músculos bem definidos, seu olhar quente sobre mim envolve qualquer mulher, deixando vários homens com inveja.
Dominic. O que ele faz aqui?
Se aproxima mantendo o olhar no meu. Pigarreio algumas vezes, mas continuo a observá-lo.
Dom- Olá! - Fala mantendo um espaço entre nós.
Samantha- Oi... O que faz aqui?
Ele sorri e tira do bolso da calça a caixinha dourada que eu havia mandado o Charles entregar a ele. Droga.
Samantha- Hum, a caixinha que bom que seu motorista entregou a você... Eu não quero, não preciso de esmola. -Falo saindo de perto dele e me aproximando da porta.
Samantha- A propósito por que me segue, posso te denunciar e quem te contou onde moro?- Pergunto o encarando e ele encolhe os ombros.
Dom- Achar alguém não é tão difícil, principalmente pra mim. - Diz convencido.
Samantha- A verdade tinha esquecido que estou na frente de um "Deus" foi mau Senhor... -Falo levantando as mãos e ele sorri.
Pego as chaves do lugar onde sempre escondo (Embaixo da porta) e abro a mesma, mas sinto alguém atrás de mim. Dom.
Dom- Não sou um Deus, apenas posso fazer o que quiser usando dinheiro... - Bufo de tédio- E mas o que estou te dando não é esmola, Tenta entender, só quero ajudar você, acha que não percebo o quanto quer esse dinheiro?- Pergunta segurando meu braço e eu puxo bruscamente- Desculpa, é só que... Quero o melhor pra você, vejo o quanto precisa...- Fala fazendo careta pra minha casa.
Samantha- Então é isso, olha aqui não sei por que quer me ajudar, quero que me deixe em paz, não moro numa mansão como você. - Rebato e ele me olha impassível.
Anda até a estante e coloca a caixinha.
Samantha- O que pensa que esta fazendo? Eu já disse que não quero, quer que eu soletre pra você?- Falo indo até a caixinha e colocando a mesma em suas mãos.
Ele me olha como se quisesse me bater, mas logo se controla.
Dom- Escuta, sei que quer esse dinheiro, para de ser orgulhosa poxa, são apenas mil reais...- Diz coçando a nuca.
Samantha- Mil reais? Cara isso pra mim é um salario de um ano todo e você vem aqui dizer isso?- Pergunto e percebo que fui enganada, era isso que ele queria ouvir, queria que eu dissesse que precisava do dinheiro.
Ele percebe que fico sem jeito e sem querer descansa as mãos no meu quadril o que faz uma corrente de arrepios invadir meu corpo.
Empurro rapidamente suas mãos pra longe e vou até a porta abrindo a mesma.
Samantha- Saia por favor... -Aponto com o queixo pra fora de casa.
Com o olhar triste ele se dirige até aporta, mas antes de sair procura meu olhar, só que apenas abaixo a cabeça.
Dom- Espero você na minha festa, por favor não diga não...- Sem se importar com minha resposta, coloca a caixinha no meu sofá, seguida por uma grande caixa azul marinho.
Samantha- Eu já disse que... sem me olhar ele sai e entra no carro.
Vai embora tão rápido, quanto chegou.
E essa agora? O que será que esse louco me deu e de novo?
Tou ficando com raiva, não quero nada seu,maldita hora que aceitei seu carro... Oh seu carro, tão lindo, ainda esta na minha garagem, guardado como relíquia, mas pretendo usá-lo esta noite, vou correr com alguns caras e preciso dele.
Ainda sentindo a dor nas costas fecho a porta e vou pro meu quarto levando comigo a caixinha de dinheiro e a grande caixa da qual não quero abrir.
Deixo tudo em cima da cama e saio fechando a porta, entro na cozinha e começo a fazer minha faxina diária, disso que eu sinto falta, de alguém que me ajude com as tarefas domésticas. Tenho amigas, mas todas são ocupadas.
Sem reclamar começo a lavar louça, varrer casa, arrumar os quartos e lavar roupa, porém de vez enquando as dores da surra me fazem desaguar em lágrimas.
Passei a tarde pensando em como me livrar das coisas que o louco do Dom me deu, por isso liguei pras únicas que me entendem Clarinha e Vel, me senti tentada em ligar pra Eleonor mais sei que ela sente algumas contrações no barrigão, por isso liguei apenas pra minhas amigas, as mesma que estão nesse exato momento, me obrigando a colocar o lindo vestido que o Dom me obrigou a aceitar.
Samantha- Meninas, eu já disse que não...- Falo saindo correndo de sutiã e calcinha do meu quarto, enquanto minhas amigas correm atrás de mim.
Corro e me escondo atrás da geladeira.
Vel- Você não pode se esconder pra sempre... Anda Sah por favor... -Pede batendo o pé.
Me encolho e vejo de esguelha a Clarinha ela passa por mim indo para o quintal, enquanto Vel me procura nos quartos.
Não é que eu não tenha gostado do vestido, pelo contrário amei, é azul royal de malha de viscose com elastano, tem um recorte na cintura com elástico, com acabamento saia em corte a lazer, totalmente lindo de deixar qualquer garota louca e achar que conheceu o príncipe encantado, mas não eu, não vejo a hora de o devolver e sumir disso tudo. Não quero nada dele...
- A não ser, seus beijos, seus abraços... -Diz minha consciência e eu reviro os olhos.
-Isso não é verdade... Ele pode até ser bonitinho, mais minha sanidade ainda tem valor.- Falo mentalmente fazendo minha consciência se calar.
Ainda escondida, respiro cansada.
Vel- Te achei.- Grita pulando em minha frente e Clarinha se junta a ela sorrindo de mim.
Samantha- Qual é, uma mulher não tem direito de vestir o que quer? -Pergunto enquanto as duas seguram meu pulso, me levando de volta pro quarto.
Clarinha- Não quando um cara gato e rico lhe deu de presente um vestido lindo e caríssimo. -Fala me empurrando pra dentro do quarto e trancando o mesmo.
Cruzo os braços.
Pegam o vestido da caixa sem se importar com meu mau humor e apontam pra mim com um ar de mandonas. Minha ultima tentativa é fazer uma carinha de cachorro abandonado, elas vão ceder.
Vel e Clarinha- Nem vem, vai vestir e pronto! -Falam em uníssono com as mãos na cintura e jogando o vestido em minhas pernas.
Bufo derrotada, o que essas duas não me pedem sorrindo que eu faço chorando.
Dirigir em alta velocidade, colocar os braços pra fora da janela, olhar a lua com sua riqueza natural, sentir a brisa pairar sobre seu corpo... Estava em 140 Km/h e tudo o que eu queria naquele momento era adrenalina, se tem uma coisa da qual eu nunca deixarei é amar aventura, nunca fui covarde, sou mais "macho" que muitos homens por ai.
Aproveito o clima de auto adrenalina e ligo o rádio do carro, onde canta uma música que eu curto muito de Projota- Tanto faz. Fico ouvindo ela até chegar no racha, onde de longe se pode ouvir gritos e buzinas de possantes. Diminuo a velocidade e atravesso os portões do escritório do Kill, o Racha não fica tão longe da minha casa são apenas dois quarteirões, por incrível que pareça fica num antigo posto de gasolina, atravesso o lugar e estaciono o carro perto da arquibancada que esta super lotada.
Desligo o carro e em cinco minutos estou andando ao redor dos outros carros, sempre faço isso posso levar horas os analisando, mas é o bastante pra saber se tenho chance de ganhar ou não.
Antes que eu chegue no último carro um corsa dourado, entro sem ser notada no escritório do p*****a, se disseram Kill, estão certos.
Kill- Minha morena... Que honra te receber... -Dou uma chave de braço nele e o empurro contra a parede.
É agora que você me paga.
Kill- Ai Samantha...
Samantha- Calado, quero saber por qual motivo, razão ou circunstância o Senhor me dedurou? -Pergunto elevando a voz.
Kill- Tá... Eu falo...mais me solta, lembra eu vou ter um filhinho... Você não vai querer tirar o papai de uma criança vai? - Dou uma rasteira nele e sento em sua cadeira de couro giratória.
Samantha- Jogo sujo...-Falo e ele sorri- Anda fala logo, tenho que competir com alguém.
Kill- Sinto muito "maloqueira", mas dessa vez você esta fora. -Arregalo os olhos e dou um soco na mesa.
Samantha- Como é?
Kill- Não são ordens minhas, foram Clara e Vel, elas quase me esfolaram vivo se eu não obedecesse. - Comenta levantando do chão e arrumando sua camiseta amassada.
Samantha- Droga, sei que se preocupam comigo, mas tenho que ta nessa, esse é meu jogo e você mais do que ninguém sabe disso... -Digo hesitante e ele apenas encolhe os ombros.
Samantha- Chega de amolação, agora me fala por que falou da minha vida praquele louco? Sabia que ele devolveu a grana e ainda comprou um vestido caríssimo pra mim? - Levanto as mãos em rendição.
Kill- Foi m*l gata, eu não sabia que era obsessão.. Mais o cara ta caidinho em você, devia aproveitar disso.- Diz mostrando um sorriso malicioso e eu pego um livro jogando em sua cara.
Kill- Ai sem agressão. -Diz bufando.
Samantha- Pois é Kill, por isso você vai me colocar nesse racha, eu tenho que participar, você querendo ou não. -Coloco o queixo sobre as mãos.
Kill- Tudo bem, mas se elas me matarem, minha Eleonor vai saber que a culpada foi você... -Fala todo manhoso.
Solto um riso.
Samantha- Nananinanão Kill, se você não tivesse me denunciado pro tal Dom eu não estaria te chantageando.
Ele engole em seco.
Kill- Tá, tá mais vou logo avisando os corredores de hoje não vão pegar leve se prepare... É cada máquina... -Fala me olhando preocupado.
Samantha- Acho que ainda não entendeu, eu sou Samantha e eu digo que vou ganhar custe o que custar. -Falo levantando da cadeira e saindo do seu escritório.
- Samantha, estamos aqui de novo em?!?- Fala uma voz atrás de mim, viro e dou de cara com o mauricinho irmão do Dom, o que esse riquinho quer? Ele esta acompanhado de alguns amigos.
Se ele pensa que vai me intimidar tá muito enganado. Levanto o queixo e nos encaramos por alguns segundos.
Pedro- Quer dizer que o Dom te deu aquela belezinha?- Pergunta apontando pro meu carro.
Negue, negue.
Samantha- Sim, foi ele que me deu, diferente de você, ele parece ser bem legal sabe! -Falo irônica e ele me fita impassível.
Pedro- Escuta aqui garota, não quero nenhum envolvimento seu com meu irmão, ele merece mulher bem melhor que você. -Diz me olhando com desprezo e seus amiguinhos sorriem de mim.
Não ligue, ignore ele, ignore...
Samantha- Que eu saiba quem manda em você é ele, não o contrário e mais ele escolhe com quem fica não você. - Rebato.
Pedro- Eu digo com quem o Dom deve ficar, eu sou o irmão dele o único irmão, agora você sua vaca, nunca mais dirija uma palavra a ele senão... -Diz segurando meu pulso.
- Senão o que Pedro? - Fala o Dom chegando perto de nós e olhando feio pro irmão.
Pedro- Dom...eu não sabia... Você não me disse que viria... -Fala soltando meu pulso e seus amigos saem correndo.
O que esse Dom tem pra deixá-los com tanto medo?
Dom- Pois é maninho eu vim, agora por favor termine a conversa com a Senhorita... -Diz me olhando pra que eu diga meu nome.
Samantha- Samantha, meu nome é Samantha. -Falo mordendo o lábio inferior.
Dom- Nome bonito, melhor que "não te interessa"...- Fala mostrando as covinhas de seu rosto e Pedro me olha feio.
Dom o fita e faz gestos pra que ele se explique.
Pedro- Não era nada, estava apenas conversando com ela nada demais. -Explica arrumando o boné na cabeça.
Dom me olha com ar interrogativo e eu aceno positivamente mostrando um riso para tranquilizá-lo.
Quero muito dedurar esse mauricinho do Pedro, mas sei que um dia ele me paga.
De repente escuto a voz de Kill pelo microfone.
Kill- E agora galera, tenho em mãos...