Ando pelo quarto e sento na cama.
Samantha- Me desculpem, é que foi sem pensar... Tipo ele me olhou por alguns segundos e de repente nos beijamos.- Digo arqueando as sobrancelhas.
Vel- Que romântico.- Diz mandando beijinhos pra mim.
Clarinha- Isso foi demais, é tipo Titanic, só que em versão "maloqueira", surreal. - Diz pulando em cima da cama e Vel se junta a ela.
Essa não, tou vendo que minha vida vai virar um pesadelo de romance, se é que isso existe.
A droga da hora havia passado e 19h00 em ponto marcavam no relógio. Minhas duas amigas faziam de tudo pra mim ir com o vestido.
Samantha- Sinto muito meninas... Eu desisto, vocês viram não dá, o vestido é costa nua, vai aparecer minha costa toda...- Falo deixando algumas lágrimas caírem e sentando no chão.
Vel- Nem pense em chorar, você é minha modelo. -Diz se jogando no chão e me abraçando.
Clarinha- Se não for de vestido... Vai de quê?- Pergunta e levantando do chão respondo:
Samantha- Minha roupa habitual, sinto muito desapontar o Lorde Dom, mas vou como quero, roupas não me faltam. - Vejo elas arregalarem os olhos pra mim, mas não me importo vou como quero, se ele não me deixar entrar saberei seu verdadeiro caráter e vai ser até melhor.
Tiro o vestido e coloco minha calça jeans skinny, uma regata bege colada ao corpo, visto minha jaqueta preta e calço um salto alto, maquiagem não precisa pois com a ajuda das meninas estou maquiada, pego meu capacete e saio do quarto ouvindo as reclamações das duas atrás de mim.
Vel- Por favor Samantha, procura outra regata... E essa calça...- Diz enquanto pego minha Honda XRE 300 da garagem.
Subo na mesma e coloco o capacete na cabeça, colocando o cabelo pra trás pra que deslize pelas omoplatas, coloco as chaves na ignição e ligo minha bebê.
Clarinha- Olha Samantha nessas festas só tem gente da alta... Não quero que vá mais.- Pede tocando minha mão.
Samantha- Parem as duas, gente o que define o caráter de alguém não são roupas caras ou jóias, mas o ato de respeitar, aceitar o outro a cima de tudo... É o que estou fazendo, quero saber se esse Dom é uma boa pessoa senão for, melhor ainda, mas por favor me deixem ser como sou.- Digo e as duas acenam sem jeito.
Se aproximam e me abraçam.
Vel- Vai lá e arraza garota. - Diz sorrindo.
Clarinha- Te amamos.- Sorrindo piloto a moto saindo o mais rápido que posso.
Chegando no local, vejo o tanto de gente rica e bem vestida.
É parece que vou ser enxotada daqui mas rápido do que parece.
Desço da moto e rolo os olhos pelo casarão observando as pessoas, se olharem e se elogiarem. Paro olhando pro porteiro a frente, é o Charles esta todo de terno e gravata.
Até ele ta mas vestido pra ocasião que você.- Diz minha consciência sorrindo de mim.
Não tou nem ai sua chata.
Respirando e criando coragem me aproximo dele, e de esguelha vejo os outros riquinhos me fuzilando, acho que pensam que sou uma ladra. Diferente dos olhares feios, Charles mostra um sorriso quando me vê.
Charles- Senhorita Samantha, que bom que veio- Diz sorrindo e fico espantada por ele já saber meu nome.
Samantha- Oi Charles, será que tem lugar pra alguém vestido assim? - Sussurro apontando pra minha roupa e ele pisca pra mim.
Charles- A Senhorita é a convidada especial, com certeza tem. - Diz abrindo os portões.
Samantha- Obrigada. - Falo adentrando o lugar.
As mulheres estão usando grandes vestidos rodados e de panos finos, enquanto que os homens estão trajados em seus ternos super elegantes. Logo que ponho os pés todos os olhares são voltados a mim, fico sem jeito mas, os ignoro, passando por eles e indo pro único lugar que chama minha atenção.
O jardim do quintal, onde posso ver garçons e empregadas correndo de um lado para o outro, alguns até falam comigo, coitados, sem hesitar me aproximo de um banco ao lado da grande piscina verde, tudo tão natural, tão...
- Que vista linda. - Viro e dou de cara com Dom me olhando com um sorriso bobo, não consigo ignorá-lo e mostro um riso também.
Dom- Pensei que não viria a um lugar cheio de "riquinhos". - Diz sentando ao meu lado.
Ele esta diferente dos outros, esta vestindo apenas uma camisa social azul com alguns botões desabotoados, uma calça social preta e descalço. Seu cabelo bagunçado me deixa em êxtase.
Samantha- Ah, resolvi me misturar sabe, apesar de não esta vestida pra ocasião. - Falo e ele balança a cabeça.
Dom- Você esta perfeita. -Diz sorrindo e tocando minha mão.
Puxo bruscamente minha mão e ele me fita.
Dom- Queria te olhar no vestido... - Diz me fazendo lembrar do por que não ter usado o vestido.
Samantha- Bem eu...- Tento me explicar, mas uma loira de olhos azuis e um vestido verde longo se aproxima fitando intensamente o Dom.
- Dom, estou com saudades querido. - Diz sorrindo e Dom levanta do banco indo ao seu encontro.
Dom- Karine, estou ocupado querida. - Diz e isso me irrita.
Cabisbaixa arrumo o cabelo.
Karine- Mas Dom, você prometeu ficar hoje a noite toda comigo. - Fala com voz sexy.
Dom- Eu sei, mas estou ocupado.- Viro e vejo ele beijando a bochecha dela.
Argh que otária, eu sou tão otária que eu poderia morrer entrar em outro corpo e ainda chutar meu antigo corpo no chão de tão otária... Ah sei lá o que estou falando, só sei que estou com muita raiva.
Karine- Ocupado com quem? Com aquela morta de fome ali? Ela veio o quê pedir comida foi isso? Pois da os restos pra ela, mas fica comigo. - Diz apontando pra mim. Fecho o punho, mas controlo minha fúria.
Calma Samantha, calma Samantha!
Olho pra Dom, pra ver se ele me defende e nada ele apenas me olha triste.
Chega, sou Samantha, á maloqueira.
Levanto do banco e passo pelos dois, mas Dom segura meu braço.
Dom- Espera Samantha...- Pede e dou um tapa em sua mão.
Samantha- Me arrependo amargamente de ter vindo pra cá seu i*****l. - Exclamo e a tal Karine se aproxima de mim me olhando com nojo.
Karina- Que bom que se arrepende queridinha, por que o Dom é meu. - Diz me empurrando contra a piscina. Seguro seu braço e então caímos as duas.
Dentro da piscina começamos a brigar, até que dou um soco em sua cara e ela arranha minhas costas. Gemo de dor, mais não paro de lhe dar socos. Dom resolve entrar na piscina apartando a briga e se molhando todo. Preciso urgentemente tirar os olhos dele, mas a forma como seus braços ficam flexionados na camisa me deixam maluca. Logo todos da festa estão voltados a piscina olhando a cena patética. Saindo da piscina me dirijo pra fora daquela casa, quando Dom sai da piscina igual um louco e vem atrás de mim.
Dom- Samantha...- Viro pronta pra dar um tapa nele, quando meus olhos pesam, essa não fraquesa de novo?
Fico tonta e Caio em seus braços. Tento inutilmente abrir os olhos, mais já é tarde demais e desmaio.
Acordo no quarto de alguém e percebo que ainda estou vestida, porém descalça, levanto com um só pulo da cama e rolo os olhos pelo quarto branco que tem algumas fotos de carros tunados na parede. Olho o banheiro e entro no mesmo, faço minhas higienes e saio, mas me assusto com o homem descamisado, com apenas a toalha cobrindo sua cintura e de costas pra mim.
Seu corpo é bem musculoso, olho a cada centímetro até chegar em seu cabelo preto e de lado. Me escondo atrás da porta do banheiro e me preparo pra chutar sua b***a. Se tem uma coisa que não sou é ser invalida.
- Então levantou cedo moça. - Diz e conheço essa voz.
Dom.
Virando pra mim esboça um riso safado. Reviro os olhos.
Saio de trás da porta e sigo pra fora do quarto.
Dom- Espera Samantha, o que deu em você ontem?- Pergunta e sem responder tento inutilmente abrir a porta trancada.
Samantha- Abre essa maldita porta. - Digo e envés de abrir ele me vira de frente pra si e coloca seu corpo no meu.
Argh que covardia.
Dom- Desculpa por ontem, não sei o que deu na Karine...- Sussurra fitando meus lábios.
Samantha- Eu sei, ela é sua namorada isso sim. - Falo dando uma joelhada no m****o dele e ele se joga na cama.
Dom- Namorada? Não tenho... namorada sua louca.- Grita gemendo de dor e massageando a parte dolorida.
Samantha- Se ela não é sua namorada, então por que estava querendo passar a noite toda com você?
Dom- Ta com ciumes é?- Pergunta e jogo meu salto em sua cabeça- Ai, ela sempre foi afim de mim e seu pai é um grande sócio meu, não tem como enxotar alguém assim.
Samantha- Dominic onde esta a chave dessa p***a?- Pergunto apontando pra porta.
Dom- Não vou dizer... - Diz e pulo em cima dele na cama.
Samantha- Vai sim seu frouxo. - Falo o fitando e ele sorri, um sorriso enlouquecedor.
Dom- Desiste garota, você não vai sair daqui. - Diz rolando sobre meu corpo e ficando em cima de mim.
Samantha- Não conheço a palavra desistir, senão sair pela porta, saio pela janela.-Murmuro e começamos uma guerra.
Ele segura meus braços colocando-os em cima da minha cabeça, me prendendo enquanto eu enrolo sua cintura com minhas pernas.
Dom- Já percebeu a posição que estamos fazendo? - Diz e sem graça tiro minhas pernas de sua cintura- Deixo você ir embora se conversar comigo, só quero isso, te conhecer melhor.
Bufo.
Samantha- Conhecer? Se ouvi bem você não me defendeu ontem quando aquela vaca me chamou de morta de fome. - Falo o olhando feio.
Dom- Não sou injusto Samantha, é só que não posso brigar com aquela garota, seu pai me ajuda muito... Me perdoe por ontem, mas e então posso te conhecer melhor?- Indaga com um brilho nos olhos.
Samantha- Tudo bem.- Aceito e sem querer sua toalha cai, ou seja, ele fica praticamente pelado em cima de mim.
Acho que virei um tomate de tanta vergonha.
Rapidamente ele coloca a toalha e me olha sem jeito.
Dom- Garanto que não foi proposital. - Diz e começo a rir.
Samantha- Sei conta outra. - Levanto da cama e ele também.
Dom- Agora vire-se vou me vestir e não quero nenhuma pervertida me olhando. - Impõe sorrindo e eu viro bem rápido.
Depois de se vestir, fomos os dois pro quintal, onde toda a briga começou.
Dom- Sei que vai ficar zangada pela pergunta, mas tenho que tirar essa duvida.- Diz sentando no banco e me puxando pro seu colo.
Balanço a cabeça, mas ele insiste, me fazendo sentar.
Samantha- Pois faça sua pergunta, depois vejo se estou disposta a responder.
Dom- É que uma garota como você Samantha, deveria estar fazendo faculdade ou cursando em universidades, mas ao invés disso fica em rachas desafiando sua vida... Não entendo...- Comenta cabisbaixo.
Extremeço, mas decido explicar.
Samantha- Escute essa historia, era uma vez uma garota muito feliz que amava sua familia, eles viviam em harmonia todos os dias... Mas um sonho estragou tudo... Quando essa mesma garota completou seus treze anos, teve sua vida despedaçada pela morte da mãe querida, seu pai que era tão carinhoso, se tornou um monstro, tudo se dissolveu... Evaporou como se nunca tivesse existido. - Falo deixando algumas lágrimas caírem.
Dom- Então essa garota...- Diz levantando meu queixo.
Samantha- Sou eu Dom, eu sou a garota que tinha uma familia e que era feliz.- Sussurro segurando o choro.
Dom- Me desculpe, mas tenho mais uma pergunta... De onde surgiu a loucura de entrar no racha?- Solto um riso com seu comentário.
Samantha- Minha mãe, ela era fanática, cresceu nisso, eu e meu pai éramos acostumados a olhá-la, só que diferente de mim que amava olhar sua adrenalina, meu pai exalava raiva toda vez que ela participava de rachas, pois ele sabia dos perigos e tinha medo de perdê-la, no início achei que era implicância dele, mas depois veio a tristeza ela morreu em uma noite quando competia e desde então meu pai vive embriagado e me bate sempre que pode...
Dom- Mas você não tem culpa de nada.- Diz dando um soco no banco e isso me assusta.
Samantha- Sim, mas desde que entrei nessa de racha, a raiva do meu pai só aumenta... E isso é meu sonho Dom, eu amo rachas.- Começo a chorar como criança e ele me abraça.
Ficamos alguns minutos abraçados, até que alguém indesejado aparece me olhando com nojo e raiva.
Pedro- O que essa vaca faz aqui?- Pergunta olhando de mim pra Dom.
Tento sair de sua perna, mas ele me prende com seus braços em minha cintura.
Dom- Olá maninho, quero que conheça a minha namorada. - Diz e vejo Pedro arregalar os olhos.
Fico sem ação.
Pedro- Como é?- Rebate Colocando as mãos sobre a cabeça.
Dom- Mano venha cumprimentar sua cunhada...- Viro olhando pra ele sem entender- Dança de acordo com a música Samantha.- Murmura piscando pra mim.
Pedro- Você só pode ta brincando né? Dominic tira essa garota agora daqui. - Grita e Dom o fita impassível.
Dom- Sugiro que baixe o tom comigo rapaz e outra qual o problema? Essa é Samantha a minha namorada. - Diz levantando comigo no colo.
Samantha- Que historia é essa Dom?- Pergunto nervosa e ele apenas encara meus lábios.
Dom- Espero que não me mate por isso. - Sem hesitar ele captura meus lábios, sua lingua penetra minha boca com uma urgência que nem eu mesma sabia que existia, fico sem jeito por saber que Pedro esta olhando, mas Dom esta no seu momento e sei que o que mas quer é mostrar ao irmão que ele é independente.
Passamos minutos ou horas nos beijando até que quebramos o beijo, viro a procura de Pedro e percebo que ele não esta mais.
Dom- Não fique zangada comigo Samantha, você não precisa aceitar só queria mostrar ao Pedro que também tenho vida e que posso comandá-la sozinho.- Diz passando o polegar por meu lábio inferior.
Abro um meio sorriso.
Samantha- Não é isso Dom, tente entender seu irmão, acho que ele tem medo de perdê-lo assim como perdeu seus pais.
Sinto seu corpo enrijecer em baixo de mim.
Dom- Você tem razão... Sempre briguei com ele, nunca tive um tempo só pra nós, mas a verdade é que Pedro vem me dando trabalho desde então, já tive que ir a reuniões em escolas por que ele estava envolvido em brigas, tirei ele da prisão por várias vezes, descobri pessoalmente que ele estava se drogando com seus coleguinhas vagabundos, tenho me preocupado tanto que as vezes chego do trabalho com dor de cabeça. - Diz massageando as têmporas.
Samantha- Pois agora esta na hora de conversar de irmão pra irmão, tente entendê-lo, talvez ele faz isso apenas pra ter um pouco da sua atenção. - Falo beijando sua testa.
Dom- Sim vou fazer isso, sabe você é especial Samantha, não é atoa que te chamam de "maloqueira", você enfrenta a vida como ninguém, esta sempre ajudando os outros e ama seu pai apesar das dores que ele te faz.- Comenta me lembrando do meu pai.
Arregalo os olhos.
Samantha- Papai, a não, tenho que ir pra casa... Ele vai me matar.- Falo andando de um lado pro outro.
Dom- Calma.- Murmura passando as mãos por meu cabelo.
Samantha- Preciso ir Dom, foi muito divertido ficar com você. - Falo correndo pra fora do jardim, mas antes que eu saia Dom segura meu braço e me puxa pra si.
Dom- Não sei se posso chamar de amor, mas sei que todo momento com você parece pouco... Gosto de você "maloqueira".- Diz me dando um selinho bem demorado nos lábios.
Após o beijo fui em alta velocidade pra casa na minha Honda, quando chego subo pro meu quarto e me deparo com meu pai no chão.
Samantha- Pai!- Grito indo até ele, mas percebo que o mesmo esta desmaiado.
Com muito esforço coloco seu braço sobre meus ombros e o carrego até minha cama, vou até a pia e molho uma regata branca minha, depois passo a mesma por sua testa.
Samantha- Pai o que aconteceu?- Sussurro, mesmo sabendo que não terei resposta. o analiso e procuro algum machucado, mas felizmente não vejo nada.
Me dispo, ficando apenas de short moletom cinza e sutiã, vou ao banheiro e lavo o rosto, molhando toda a extensão. Volto onde meu pai e o fito por um tempo.
Pobre homem, desesperado pela morte da mulher faz coisas que as vezes se arrepende, tenho quase certeza que está assim por que bebeu a noite toda, depois ficou me procurando e não me encontrou, por um lado estou feliz por ele estar aqui, são e salvo, mas por outro sei que estou ferrada.
Tiro sua camisa xadrez o deixando apenas com sua calça jeans e o enrolo com meu lençol, fecho a porta e saio do quarto. Tentando arrumar a bagunça da casa.
Dom Narrando
Depois de ter visto minha "maloqueira" partir, entro em casa e vou a procura do meu irmão. Entro em seu quarto e o acho chorando no canto e sem se importar, se drogando.
Dom- Pedro, esta fumando? Que droga, será possível.- Grito correndo até ele e dando um tapa no cigarro que estava em sua mão- Pedro as drogas dão doenças, onde muitas vezes causam até a morte...
Pedro- Não me importa mais com a p***a dessa vida, se meu próprio irmão resolve me abandonar!- Diz levantando e enxugando as lágrimas dos olhos.
Dom- Pedro não é bem assim... Eu te amo irmãozinho, nunca vou te abandonar, prometi aos nossos pais e minha prioridade é você.