Anélisse ainda olhava para o símbolo que se dissipava sobre a pele, a luz verde sumindo como um eco distante, mas o calor permanecendo ali vivo, pulsante. O diário continuava aberto no chão, a página tremulando suavemente, como se o feitiço tivesse deixado um rastro invisível no ar. — Mattheo… — a voz dela saiu baixa, hesitante. — Por que será que a gente fez isso? Ele a olhou, o semblante sério, os olhos ainda brilhando com o reflexo esverdeado da magia. Demorou alguns segundos antes de responder, como se buscasse nas memórias uma explicação que fizesse sentido. — Eu… não sei. — admitiu, por fim. — Mas talvez… talvez porque a gente sempre se gostou. Anélisse piscou, um sorriso malicioso se abrindo. — Sempre, é? Tá dizendo que sempre gostou de mim, Theo? — Desde que éramos crianças.

