Me afasto da mesa com o coração acelerado, olho para a tela do telefone e fico pensando se vale apena atender, é Will, ele com certeza está atrás de mim.
- Alô?
- May, aonde você está?
- Vim ao cinema assistir a estreia de um filme.
- Com quem você está?
- Qual é o seu problema? Não posso mais sair? Digo um pouco irritada com esse interrogatório.
- Porque não avisou que ia sair?
- Pra quê? Você com certeza não iria deixar ou mandaria alguém vim comigo.
- Mas é claro, pra sua segurança eu mandaria um dos seguranças ir com você.
- Eu não tô em perigo, não preciso de segurança.
- Me diz onde você tá, que eu vou lhe buscar.
- Não precisa chamar um aplicativo.
- May, por favor, se você não disser vou ter que rastrear você, facilita as coisas vai.
- Você está estragando minha noite, sabia?
- Me desculpa, eu não tenho essa intenção, só quero saber se você tá bem.
- Mas eu tô bem, eu tô ótima, me deixa comer primeiro, depois te passo o endereço.
- Tá me passa o endereço que eu vou e espero você.
- Não Will, eu vou lanchar e quando terminar eu te ligo e Paso o endereço, eu prometo.
Desligo o telefone sem ouvir sua resposta, pois sei que ele não ia desistir, o telefone toca de novo e eu coloco no silencioso. Volto a sentar na mesa e percebo que nossos lanches já haviam chegado .
- Era meu irmão.
- Ele é tipo super protetor?
- Sim, ele é muito e isso chega a ser inconveniente.
- Se eu tivesse uma irmã assim, eu também iria tentar proteger ela.
- ou seja, você também iria encher o saco dela, até ela querer socar sua cara. Digo e ele cai gargalhada - tô falando sério, é horrível ser perturbada constantemente.
- Ele te irrita tanto assim?
- nem tanto, só quando se trata com quem eu tô ou aonde eu tô, acho que ele prefere que eu fique trancada dentro daquela casa.
- Pela sua fortuna eu entendo o ponto de vista dele.
- Sabe que acho incrível como vocês homens são sempre unidos, Tai você nem conhece meu irmão e tá defendendo ele.
- Não é isso, eu só consigo entender ele.
- Sei, bom vamos comer, porque ele vai me pegar.
- sério? eu ia chamar um carro pra gente.
- se você quiser, a gente pode te dar carona.
- Claro que não, já é um pouco vergonhoso eu não ter um carro, ainda vou ter que pegar carona com a mina que eu convidei pra sair, uma enorme humilhação.
- para com isso, uma coisa não tem nada haver com a outra.
- Não, não, eu vou esperar seu irmão vim te pegar e depois chamo um carro pra mim.
- você que sabe.
Começamos a comer nosso lanche e a conversar sobre coisas banais, ele sempre se mantinha sorrindo, ele tinha covinhas que nem Will e mesmo que eu não quisesse lembrar dele, toda vez que eu olhava para o rosto de Victor eu lembrava dele, o sorriso de ambos eram parecidos e a altura também, mas ainda tenho minhas dúvidas, pois acredito que Victor seja um pouco maior. Quando terminamos de comer eu mandei mensagem para Will que respondeu só com um ok, seguimos para frente do shopping para esperar ele.
- tem certeza que não quer ir com a gente?
- absoluta, a não ser que você esteja com medo de ficar sozinha com seu irmão. Ele diz com um sorriso sapeca.
- Claro que não, mas não vou mais insistir, já que prefere ir de aplicativo.
- Pensa comigo, seu irmão é protetor, ele não vai nem gostar de me ver com você, imagina dar carona.
- Pensando assim, você tem razão.
- exatamente, por isso não quero ir, vou me sentir mais confortável indo de aplicativo, em vez de ir sobre o olhar de um leão.
- kkkk você é divertido, sabia?
- Fico feliz de poder te fazer rir.
- Obrigada por hoje, eu gostei muito.
- Espero poder te levar mais vezes pra sair.
- E eu vou cobrar viu.
- E eu vou cumprir. Ele diz se aproximando de mim .
Ele parou bem na minha frente, minha cabeça não dava nem no seu ombro, ele era com certeza mais alto que Will. Ele pegou meu queixo e levantou pra cima numa delicadeza, sentiu um cala frios no estômago, meu corpo dizia que sim, minha consciência dizia que não, eu não sabia a quem atender. Quando ele se inclina sobre mim para selar nossos lábios...bi-bi-bi-bi Olhamos para o lado e vejo o carro do meu irmão não muito distante da gente.
- Meu irmão. Digo me afastando dele.
- Percebi, bom, se ele não gostaria da minha presença, agora ele deve tá odiando.
- é melhor eu ir.
- te mando mensagem.
- tá bom.
Caminho até o carro me direcionando para o banco de trás, quando abro a porta para entrar Will fala num tom autoritário- Na frente. Olho para ele, que não está me olhando e penso por uns segundos se vale apena obedecer, mas então decidi fazer o que ele mandou para não irritar ele. Sento no banco da frente e antes que ele dê partida consigo acenar com um tchau para Victor.
Ele sai com o carro em alta velocidade que me deixa assustada, mas conforme a gente se afasta do shopping ele diminui a velocidade. Não trocamos nenhuma palavra, o silêncio apesar de ser reconfortante me incomoda, eu não queria que ele brigasse, queria poder estar conversando com ele, rindo e brincando como eu estava com o Victor, mas parece que isso ficou no passado entre a gente. Antes a gente era tão próximo, ele me fazia rir e me sentir feliz, mas agora sempre que estou em sua presença o clima era assim tenso, desconfortável e às vezes assustador. Não sei quando foi, mas ele mudou, o tempo mudou? as circunstâncias? a idade? o que será que fez ele se tornar tão diferente do que ele era? porque ele não me trata como antes? Permaneço olhando pela janela, não adianta eu me fazer perguntas pelo qual eu não terei respeitas.