Capítulo 13

1108 Palavras
Capítulo 13 VALENTINA NARRANDO Eu ainda tava tremendo. Não de medo. De adrenalina. De ódio. De uma coisa perigosa demais pra eu dar nome. Eu até comecei a ir atrás dele, mas depois parei. E foi aí que ele me puxou pelo braço com firmeza, atravessando a lateral da boate como se fosse dono do lugar e talvez fosse mesmo. As pessoas abriam passagem. Ninguém ousava olhar torto. O corredor reservado era mais escuro, abafado, com paredes de concreto e luzes baixas que deixavam tudo ainda mais tenso. Quando ele me soltou, foi só pra se virar de frente pra mim. E aqui eu entendi. Ele tava putö. E absurdamente gostoso. Apesar de não gostar dele, não posso negär que ele é um deus grego. O maxilar travado, a veia saltada no pescoço, os olhos claros queimando em mim como se eu fosse o problema do mundo inteiro. A camisa preta colava no corpo dele, e eu odiei perceber como isso me afetou. Neguei com a cabeça, já prevendo o ataque. — Que porrä você tem na cabeça, Valentina? — ele disparou, a voz baixa, dura, perigosa. — Você sai de casa vestida desse jeito, numa boate cheia de gente que não presta, achando que o mundo é um parque? Cruzei os braços, mesmo com o coração acelerado. — Abaixa o tom. Você não é meu pai. E segundo que intimidäde é essa comigo? Só nos vimos uma vez e você está achando que pode falar comigo assim? Então repetindo você não é meu pai para querer mandar em mim! Ele deu uma risada sem humor. — Não. Mas se a gente já tivesse casado, nunca que você pisaria fora de casa usando esse… — o olhar dele desceu lento, possessivo, — …pedaço de pano. Meu sangue ferveu. — Você não manda em mim. — rebati. — Quem você pensa que é? Um trogloditä metido a dono? Ele deu um passo à frente. — Mulher minha não anda vulgar assim. Foi aí que eu senti o impacto. Não no corpo. Na alma. Ri, incrédula. — Desde quando eu sou sua mulher? — perguntei, encarando ele de frente. — Desde quando você acha que pode decidir o que eu visto, onde eu vou, com quem eu falo? Os olhos dele escureceram. — Desde que seu pai te deu num acordo no morro. A frase bateu como um tapa. — Vai se föder. — rosnei. — Meu pai não me deu pra ninguém. Quem armou tudo foi o SEU pai. Um velho covarde que compra gente como se fosse mercadoria! O clima ficou elétrico. A gente tava perto demais agora. Tão perto que eu sentia o calor do corpo dele, a respiração pesada, o cheiro de bebida misturado com algo mais bruto. Ele me encarava como se estivesse decidindo entre me beijar ou me quebrar no meio. — Cuidado com o que fala. — ele disse, num tom baixo e perigoso. — Você não faz ideia de onde tá se metendo. — Eu faço sim. — respondi, firme. — E não vou abaixar a cabeça pra você nem pro seu pai. Ninguém manda em mim. Ele me empurrou contra a parede. Não foi violento. Foi firme. Dominante. O impacto tirou meu ar por um segundo. As mãos dele se fecharam na minha cintura, fortes, quentes, me prendendo aqui. O corpo dele colou no meu, e por um instante traiçoeiro, meu corpo respondeu antes da cabeça. O mundo sumiu. Só existia ele. E eu. O rosto dele desceu, devagar, até ficar a centímetros da minha boca. O olhar queimava. A tensão era tão espessa que dava pra cortar com faca. Eu sabia. Ele sabia. Se ele avançasse um centímetro, eu não saberia se conseguiria parar. Mas ele parou. Fechou os olhos por um segundo. Respirou fundo. Se afastou de repente, como se tivesse se puxado de um abismo. — Chega. — disse, seco. — Você vai embora comigo. Agora. — Não vou. — respondi na hora. — Eu vou por conta própria. — Não vai. — ele rebateu, já me puxando de novo. — Não depois do que aconteceu. — Gael, solta! Eu preciso avisar a Mônica! Você não tem esse direito! Ele ignorou. Me arrastou praticamente pra fora da boate. Os seguranças abriram caminho. O ar da rua bateu no meu rosto, frio, contrastando com o incêndio dentro de mim. Ele abriu a porta do carro e me colocou lá dentro sem cerimônia. — ISSO É SEQUESTRO, SEU MALUCO! — gritei. Ele entrou do outro lado, batendo a porta com força. — Cala a boca. — falou, ligando o carro. — Já chega de escândalo por hoje. O trajeto até minha casa foi um infernö. — Você nunca mais sai vestida assim. — ele disse, encarando a rua. — Vou sair quantas vezes eu quiser. — rebati, só pra provocar. — Não provoca. — a voz dele saiu mais tensa. — Ou o quê? Ele freou o carro em seco já em frente à minha casa, ele veio tão rápido que nem percebi entrando no complexo. Virou pra mim, o olhar duro. — Você vai me obedecer, princesa. Nem que seja à força. Meu coração disparou. — Vai sonhando. — xinguei, abrindo a porta. — Você não manda em mim. Nunca vai mandar. Saí do carro batendo a porta com força e entrei em casa antes que ele dissesse qualquer coisa. Meu pai tava na sala, sentado no sofá, acordado, com aquela cara típica de quem fingiu dormir . — Acordado ainda pai? — E bandido lá dorme filha . — Precisa descansar pai. Faz mäl não dormir direito. — Ele sorriu e falou mudando de assunto . — Chegou cedo. — ele comentou, me analisando . — Foi tudo tranquilo? Engoli seco . — Foi. — menti. — Tudo normal. Ele franziu o cenho, olhando meu vestido. — Essa roupa… — começou . — Eu sei. — interrompi. — Nunca mais uso. Subi pro quarto antes que ele dissesse mais qualquer coisa . Joguei o corpo na cama, encarando o teto. Meu coração ainda batia acelerado. Minha mente, um caos. Eu odiava esse tal de Gael. Odeio o jeito autoritário. A forma como ele acha que pode me controlar. Mas odiava ainda mais o fato de meu corpo ter reagido. De eu ter sentido. De uma parte de mim ter queimado quando ele chegou perto demais. O celular vibrou. Mensagem. 📲 Número desconhecido Sonha comigo, princesa. Nós ainda vamos conversar. Gael V. Fechei os olhos com raiva. — Desgraçadö… — murmurei. Mas o pior não foi xingar. Foi perceber que, mesmo irritada, mesmo furiosa, eu já tava pensando nele.
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