Capítulo 12

1051 Palavras
Capítulo 12 GAEL NARRANDO Os minutos passavam e a música batia alto no camarote, o som das batidas graves misturava com a voz irritante da Monique tagarelando ao meu lado . Eu fingia ouvir, fingia me importar, mas meus olhos estavam grudados nela . Valentina . A porrä da filha do João Lucas, a menina que tinha que ser minha por acordo e que tava ali embaixo se exibindo como se não soubesse o perigo que isso representava . Ela dançava como se o mundo fosse dela . Como se o vestido mínimo que mäl cobria aquelas curvas fosse só mais um detalhe . Ria com os amigos, girava o corpo, se jogava na batida como se estivesse num clipe. E eu aqui em cima, me controlando. Me segurando com força pra não descer nessa porrä de pista e puxar ela pelos cabelos até entender que não era pra estar aqui desse jeito. Não era pra estar livre. Solta. Exposta. Ela era minha. Por acordo ou não, já era. E isso ali… isso era provocação. Por isso eu fiz questão de mandar mensagem para o João Lucas, o tão temido Rei e mostrar como a filhinha dele, a minha futura mulher estava vestida e solta na porrä de uma boate, sendo praticamente devorada por olhares de homens por todo lado no caralhö daquela pista. Mas pelo jeito não adiantou porrä nenhuma e isso só me fez ficar mais putö . — Gael? — Monique chamou meu nome pela quarta ou quinta vez. Nem contei . — Que foi? — resmunguei sem tirar os olhos da pista . — Você está me ignorando . — A voz dela veio afiada. — Que porrä está acontecendo com você? — Estou ocupado. — Respondi seco . — Ocupado? Tá de sacanägem comigo Gael? Ocupado com o que? Olhando a porrä da pista da boate, observando sei lá o que... ou quem! Francamente! Esperava mais de você! Fala sério! Ela bufou, cruzou os braços e se jogou no sofá do camarote. Fodä-se. Ela podia ficar brava, chorar, bater pezinho. Eu não tava nem aí. O que me importava tava ali embaixo, no meio da pista, cercada de olhares que não tinham o direito de estar sobre ela. Vi quando ela se aproximou da amiga. As duas riram de algo, trocaram palavras e Valentina apontou pra algum lugar. Provavelmente o banheiro. Ela se afastou. Sozinha. Me endireitei na hora. Vi quando ela passou por dois caras perto do bar. Um deles olhou pra ela com tanta vontade que meu sangue ferveu. O desgraçadö deu uma cotovelada no amigo e disse alguma merdä no ouvido dele, certeza. Porque os dois viraram o olhar no rastro da Valentina e começaram a rir. E aí um deles foi atrás. Meu corpo reagiu antes mesmo da minha mente processar. — Fica aí — falei pra Monique sem olhar. Ela gritou algo, mas já era tarde. Eu já tinha saído do camarote, descido os degraus com passos rápidos, desviando da multidão como um predador em caçada. Cortei o salão da boate, o som vibrando como trovão no meu ouvido, mas o foco era um só: o corredor dos banheiros. Quando cheguei, meu coração deu um baque no peito. A cena tava aqui na minha frente. Valentina encostada contra a parede, o desgraçadö prensando o corpo contra o dela. A mão suja na cintura dela, a boca próxima demais da orelha, e ela com os olhos arregalados, tentando empurrar ele com as duas mãos. — Me solta, por favor… — ela sussurrou, desesperada. Foi a última coisa que ele ouviu antes de sentir o impacto do meu punho na cara dele. — FILHO DA PUTÄ! — rosnei, acertando um cruzado com tanta força que o barulho do soco abafou até a música da boate. O cara caiu no chão com um gemido de dor, a boca sangrando, desacordado por segundos. Valentina me olhou, paralisada. Os olhos dela encontraram os meus, cheios de medo, mas também de alívio. Ela tremia. Me abaixei diante do corpo do infeliz, segurei ele pela gola da camisa e puxei pra perto. — Você encostou nela uma vez. Só uma. E já vai sair daqui com dente faltando — rosnei no ouvido dele, frio. — Se eu souber que você chegou perto de novo, nem tua mãe vai te reconhecer. Mas por enquanto você só vai saber o que acontece quando colocam a mão no que é meu! Na minha mulher! Soltei ele com nojo e peguei o celular já ligando. — SEGURANÇA! — gritei, e em segundos dois dos meus caras apareceram no corredor e eu desliguei. — Leva esse lixo daqui. Some com ele da boate. E se botar os pés aqui de novo, termina a noite no hospital. Mas antes de largar em qualquer mostra o que acontece com que mexe com o que é meu. Eles assentiram e arrastaram o cara pelo corredor, sem delicadeza nenhuma. Me levantei, ajeitei a roupa com calma e olhei pra Valentina. Ela ainda tava encostada na parede, respirando rápido, os olhos brilhando por causa das lágrimas que se acumulavam, mas sem cair. Ela era forte. A porrä da filha do chefe, criada na bala, na selva, mas nesse momento, ela parecia pequena. Frágil. Minha. Dei um passo em direção a ela. — Está tudo bem? — minha voz saiu mais baixa, mas firme. Ela assentiu com a cabeça, mas não disse nada. E foi aí que eu me aproximei mais, segurei o rosto dela com uma das mãos e a olhei nos olhos. Senti o cheiro doce do perfume, o calor da pele, o medo que ainda pulsava nela. O mesmo medo que agora dava lugar à raiva. — Agora a gente vai conversar, princesa — murmurei, firme. — E você vai entender direitinho quem você é. E quem é que manda na porrä da sua liberdade. Ela tentou retrucar. Mas eu segurei o queixo dela, com leveza, mas firmeza. Porque agora ela ia me ouvir. Gostando ou não. E ninguém ia tirar isso de mim. Nem ela. Nem o mundo. — Vem comigo — falei, os olhos cravados nos dela. E sem dar tempo pra resposta, comecei a andar sabendo que ela ia vir atrás. Porque esse era só o começo. O começo do nosso infernö. Juntos.
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