Narrado por Nicolas
Acordei com batidas na porta e alguém chamando meu nome do lado de fora, então saltei da cama e fui em direção à porta. Quando abri encontrei Victoria, ela parecia assustada e estava tremendo.
— Victoria? — fiquei confuso por ela estar andando por aí a essa hora da noite — O que foi?
— Nicolas, acho que tem alguém querendo entrar no meu quarto! — o medo era evidente em sua voz.
— Fique calma que eu vou lá ver, enquanto isso espere aqui!
Saí rumo ao quarto de Victoria e quando entrei não vi ninguém lá. Olhei pela janela que estava aberta, mas não havia ninguém lá em baixo também, então decidi voltar para o meu quarto.
— Tinha alguém lá? — a garota pergunta ao me ver retornando — Eu ouvi barulhos na janela.
— A janela estava aberta? — perguntei desconfiado.
— Não.
— Mas ela estava aberta agora.
— Pois eu a deixei fechada, por favor acredite em mim!
Victoria continuava apavorada e logo começou a chorar de medo, então puxei ela para perto de mim e a envolvi em meus braços no intuito de fazê-la se sentir mais segura.
— Está tudo bem! — digo e aos poucos sinto ela se acalmar — Eu acredito em você.
— Obrigada... — ela responde quase num sussurro.
— Se você quiser pode dormir aqui no meu quarto que eu durmo no seu.
Nesse momento nos aproximamos um pouco mais no abraço. Mesmo assustada Victoria continuava extremamente linda e tê-la em meus braços foi uma das melhores sensações que já senti na minha vida.
— Eu quero sim!
Após Victoria concordar, certifiquei-me de que ela estaria confortável nos meus aposentos, então a moça deitou na minha cama e eu saí fechando a porta devagar, porém antes que eu fosse embora ouvi ela chamar meu nome e logo abri a porta novamente.
— Algum problema?
— Não, é só que... — Victoria estava apreensiva e isso era notório — Você pode ficar aqui comigo? Eu estou com muito medo.
— Posso sim, Victoria.
Logo entrei e fechei a porta do quarto de novo, em seguida abri as portas do armário e peguei alguns lençóis para forrar o chão com eles, pois seria nele que eu dormiria aquela noite.
— Você vai ficar no chão? — questiona ela, levantando-se — A cama é sua! Fique com ela que eu durmo no chão.
— Não, pode dormir na cama, Victoria!
Ao olhar para a garota percebi que ela estava com uma linda camisola, seus cabelos estavam soltos e lhe davam um formato perfeito para o rosto.
— Tem certeza?
— Tenho. — respondi me deitando nos lençóis no chão — Eu estarei aqui, qualquer coisa é só me chamar.
Victoria deitou-se na cama de novo e não demorou muito para adormecer, depois de alguns minutos eu também peguei no sono. Pela manhã, acordei com alguns raios de sol que passavam pelas frestas da janela e batiam no meu rosto, ao passo que Victoria continuava dormindo como uma pedra.
Tenho o costume de acordar cedo para cavalgar então fiz isso, no entanto, ao levantar, fixei o olhar na moça em minha cama. A luz solar que vinha da janela ia de encontro aos seus cabelos e sua pele lhe dando um brilho magnífico. O cabelo de Victoria era castanho e quando o sol batia nele, ele ficava luminoso, vivo... Nem as ondas do mar conseguiam superar as ondas que os cabelos dela formavam! Me recordei da noite anterior quando ela estava em meus braços e pude lembrar o quão macia era sua pele.
— O que foi? — Victoria acordou de repente me dando um susto.
— Bom dia... — respondi, saindo daquela nuvem de pensamentos — Você está melhor?
— Estou sim, obrigada Nicolas.
— Me espera para o café? — perguntei ao vê-la se levantando da cama.
— Claro, só vou me trocar antes!
Ao dizer isso Victoria olhou para a sua roupa e corou, era como se ela só tivesse percebido naquele momento que estava vestindo apenas uma camisola.
— Eu também vou fazer isso.
— Te espero lá embaixo então! — dito isso, Victoria saiu do quarto o mais depressa possível.
Foi uma cena engraçada até. Depois de dar risada, me troquei e desci as escadas vendo a minha mais recente colega de quarto já sentada na mesa. Me juntei a ela e em seguida começamos a degustar o nosso café da manhã, entretanto escutamos gritos vindos do lado de fora da estalagem. Alguém perigoso estava chegando.
— Victoria, suba! — disse para ela, preocupado — E não desça até que eu vá te buscar.
— O que? Mas por quê? O que está acontecendo Nicolas? — retrucou ela, confusa, mas não havia tempo para explicações e eu estava muito nervoso com o que poderia acontecer caso ela continuasse ali.
— Me obedeça!
Depois disso Victoria foi para o andar de cima e no instante seguinte que ela saiu um homem grande adentrou o estabelecimento, e ele estava armado.
— Quero dinheiro! — o homem bate com o punho no balcão — Dinheiro e bebidas!
O silêncio se fez presente na cozinha. Com medo do que poderia acontecer, Marina atendeu as ameaças do p****e lhe dando o dinheiro e a bebida exigidos por ele.
— Também quero mocinhas! — o delinquente grita para todos ouvirem — Preciso me divertir um pouco.
— Aqui não há nenhuma moça. — falei para o homem.
— Não?! — ele questiona, aproximando-se de mim.
— Não.
— Muito bem...
O criminoso olha em volta e quando não viu nenhuma moça jovem, pegou as coisas que tinha roubado e saiu rapidamente da hospedaria. Logo depois que ele foi embora fui falar com Marina.
— Sinto muito... — digo, tentando acalmá-la.
Marina estava aos prantos porque aquela era sua única fonte de renda e agora estava sem nada.
— Está tudo bem, Nicolas...
Marina secou as lágrimas, saiu da cozinha, subiu as escadas para o andar de cima e eu subi logo em seguida, pois precisava ver Victoria, contudo quando entrei no quarto dela não a vi. A janela estava aberta, mas onde estava Victoria?
Fui no meu quarto, porém ela também não estava lá. Foi quando tudo se encaixou na minha cabeça: ontem a janela do quarto de Victoria estava aberta, mas ela afirma que deixou fechada. Eu saí com ela para caminhar pelo lago e logo de manhã tinham assaltado lá perto. Ele pode ter nos seguido, ele veio atrás de Victoria... Victoria foi sequestrada!