Campo de Rosas

1063 Palavras
Enquanto comíamos, notei que havia um casal que estava a fofocar na mesa de trás e eu pude ouvir sobre o que conversavam. — Só esse mês já roubaram mais de quatro casas na região! — a moça fala com espanto. — Mas o rei não faz nada para impedir? — perguntou o rapaz indignado com aquilo. — O rei faz o que pode. — Esses bandidos estão sequestrando mulheres e logo depois essas mesmas mulheres são encontradas mortas! — o cavalheiro falava com seriedade — E o rei? Você ficou sabendo que o príncipe vai se casar? Estamos no meio de uma onda de ataques e o rei preocupado em casar seu filho! Antes que eu pudesse ouvir o final da conversa Nicolas chamou minha atenção tirando-a do diálogo da mesa de trás. — Está pronta para ir para o quarto? — ele me pergunta ao terminar sua refeição. — Sim, estou. Depois que eu respondo ele levanta da mesa onde estávamos sentados e caminha até o balcão para pegar as chaves dos quartos que passaríamos a noite. Eu estava com saudades de dormir tranquilamente. — Marina disse que preparou um banho para cada um de nós! — disse Nicolas, voltando com as chaves — Tome seu banho e coloque uma roupa que eu vou te levar a um lugar. — Mas a essa hora? — questionei hesitante enquanto ele me acompanhava até meu quarto. — Se não quiser, não precisa ir. — Não, eu vou sim. Dou um sorriso para ele e logo em seguida Nicolas entrou em seu quarto. Depois abri a porta do meu, entrei e vi uma banheira cheia de frente para a lareira, então tirei as roupas que eu estava vestindo e entrei na água ainda pensando em Nicolas. Logo depois de terminar o banho coloquei um vestido azul escuro com alguns bordados para não ficar simples demais e amarrei o meu cabelo deixando alguns cachos escaparem. Após me arrumar saio do quarto e vou para a varanda onde ainda haviam algumas pessoas jantando. Não demorou muito para que Nicolas aparecesse, ele estava com uma camisa simples e um colete marrom, mas apesar da humildade o homem estava deslumbrante. — Você está linda! — falou Nicolas se aproximando de onde eu estava. — Você também não está nada m*l. — Vamos andando? — Vamos! — respondi, acompanhando ele. Nós saímos da estalagem e seguimos por uma trilha que acabou nos afastando das luzes da pequena vila de Pewich. De repente estava tudo calmo e silencioso, e eu percebi que ele não parava de me olhar, mas logo continuamos a caminhada e repentinamente me vi de frente para um lindo campo de flores, contudo não eram simples flores! Estávamos em um campo de rosas que, por pura coincidência, eram as minhas flores favoritas. — Gostou? — Nicolas estava a me encarar enquanto eu estava sem reação. — Nicolas, esse lugar é lindo! — respondi admirando aquela vista espetacular. — Esse é o meu lugar favorito daqui! — ele dizia olhando para as rosas — É onde consigo pensar e ficar sozinho. — Obrigada por me mostrar esse lugar! Rosas são as minhas flores prediletas. Percebi que Nicolas continuava olhando para mim, então fiquei um pouco acanhada na hora e ao perceber que eu estava ficando vermelha ele desviou o olhar. Logo em seguida Nicolas se afastou de mim e sentou num tronco de árvore caído que dava a vista perfeita para o campo de rosas. — Eu nunca me encaixei em lugar nenhum, sempre me senti perdida e acabei me refugiando em livros... — sentei do lado do rapaz e ele estava atento escutando cada palavra que saía da minha boca — Nunca pude dar minha opinião, era como se as pessoas me usassem para concluir seus planos, mas nunca me perguntavam como eu me sentia sobre aquilo. É como se meu destino já estivesse decidido e eu não possuísse poder de escolha. — Por que veio para cá? — Precisava sair um pouco do meu vilarejo... Eu estava me sentindo sufocada. À medida que eu contava aqueles relatos nossos olhares se encontraram e eu senti meu coração bater mais forte, então Nicolas se aproxima de mim e quando eu pensei que iria acontecer alguma coisa ele parou e levantou-se de repente. — Vamos? Já está ficando muito tarde. Segui Nicolas sem entender nada. Fomos o caminho todo em silêncio e quando chegamos na hospedaria de Marina ele me acompanhou até a porta do meu quarto sem dizer uma palavra. Será que eu fiz alguma coisa de errado? ••• Já havia amanhecido, então decidi descer para tomar o café da manhã. Ao chegar no andar de baixo vi Marina servindo os hóspedes que já estavam sentados nas mesas. — Bom dia Marina, o Nicolas já desceu? — pergunto à mulher enquanto ela pega mais alguns pratos no balcão. — Bom dia senhorita! Nicolas desceu cedinho, nem tomou café e saiu, mas sente-se aí que já sirvo seu café. Me sentei em uma cadeira e Marina me trouxe comida. Logo depois de terminar o café da manhã, quando estava prestes a subir para meu quarto, a porta do estabelecimento foi aberta e vi que era Nicolas, então ele se aproximou e sentou na minha mesa. — Bom dia! Desculpe sair sem avisar, mas fui cavalgar. — ele me parecia sério, achei que pudesse ter acontecido algo. — Aconteceu alguma coisa? — Os bandidos da região sequestraram mais uma moça perto do lago. — Pelo que eu ouvi esses bandidos estão aqui há meses e os guardas ainda não capturaram eles? — questionei, pasma com a situação. — Não, eles fazem o que podem, mas ainda não descobriram onde esses criminosos se escondem! — Sinto muito. — Victoria, eu não quero ver você andando sozinha. — Nicolas me diz calmamente, mas algo na sua voz é autoritário. — Está bem. O restante do dia foi tranquilo e Nicolas me levou para passear perto de um lago que havia nas proximidades de Pewich, mas antes de escurecer nós voltamos para a hospedaria. Já havíamos jantado e tomado banho. Eu estava deitada na minha cama quando ouvi um barulho na janela e fiquei assustada imaginando que poderia ser alguém tentando entrar, então saí correndo do quarto e bati desesperadamente na porta da única pessoa que me transmitia segurança. — NICOLAS!
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