A Fuga

2671 Palavras
Estava na hora, a audiência iria começar, Sasuke estava com medo, estava confiando todas as duas fichas em uma advogada que nem sabia ao certo o que estava fazendo. Sentado atrás dele estava Naruto, com aquela mesma cara de desentendido – porque não estava entendendo nada mesmo – olhando pra ele como quem mandava forças. – Vamos dar início à audiência de guarda da menina, Sarada Uchiha. – o juiz bateu o martelo, só de ouvir o martelo Hinata se assustou – Com a palavra, o advogado da avó da menina. Um homem alto, magro e aparência um tanto excêntrica, tinha duas maletas, o que para Hinata era apenas uma tentativa ridícula de “se exibir” como ela mesma já tinha comentado. O homem caminhou alguns passos, de pôs diante do júri de das demais pessoas que vieram assistir “a batalha do século”. – Chamo para depor, o Sr. Tibério Yahig, o assistente tutelar que levou a menina até o tio. Então é esse o nome do infeliz corredor, finalmente descobrimos. E o cara foi lá, se sentou naquela cadeirinha do lado do juiz, fez o juramento lá tudo bonitinho que nem a gente vê nos filmes e nas novelas. Coisa chik, essas audiência, aqui a gente resolve é no grito mesmo. – Sr. Tibério, é verdade que o Sr. Sasuke Uchiha, relutou em receber a menina quando a mesma lhe foi entregue? Ele já começa com essas perguntas cabulosas, oh homem trabalhoso! – De fato, ele parecia não querer aceitar a guarda da menina. – Conte-nos, como o conselho tutelar decidiu dar à guarda para um rapaz que na época tinha apenas dezoito anos de idade? Será que vocês já pararam pra reparar que o Sasuke só tem 23 anos? É que às vezes a gente se esquece que ele ainda é muito jovem, e é até alguém bem responsável pra idade dele, eu conheço bem piores. – Eu não possuo esse tipo de informação. – Muito bem, não tenho mais perguntas. O assistente tutelar caiu fora na mesma hora, eu digo que esse cara tem é r**o preso, ta morrendo de medo de ficar perto do juiz, parece até que assaltou a casa do cara um dia antes, eu hein. E Hinata lá só olhando pela janela, olhando as unhas, parecia que nem estavam em um tribunal, até o juiz estava começando a achar aquilo meio estranho, nunca tinha visto uma advogada tão desatenta quanto ela. – A defesa, o Sr. Sasuke Uchiha deseja chamar alguma testemunha? – e Hinata lá olhando pro tempo – Dra. Hyuuga? Foi aí que ela olhou pro juiz, passou mais dois segundos até se tocar de onde estava e se levantar ainda arrumando a saia. Eu sabia que meter a Hinata nisso não ia dar certo. E de quem foi a ideia? Do Naruto, claro, de quem mais seria uma ideia maravilhosa dessas? – Chamo para depor Naruto Uzumaki. Ta, na verdade eles não tiveram tempo de ficar juntando gente pra depor, então como só tinha o Naruto, era o Naruto mesmo e fim, quem não tem cão caça com gato. Naruto foi, fez o juramento lá, sentou, e parecia estar muito satisfeito em ajudar em alguma coisa, estava até fofo ali sentadinho. – Sr. Uzumaki. – ela deu até efeito dramático – Conhece o Sr. Uchiha desde que ambos eram ainda muito pequenos, certo? – Sim. – Acompanhou a criação de Sarada desde que ela chegou à casa de, Sasuke, sim? – Desde o dia em que chegou. – Acha mesmo que este homem é capaz de cuidar de uma criança? Não responda com sinceridade, Naruto, por favor, você n******e julgar o Sasuke, você não é lá o pai mais exemplar do mundo, qualquer coisa acima de macarrão com 13 dias de nascido é melhor que isso. – A menina é forte e saudável, nunca vi Sarada doente, tenho plena certeza que Sasuke Uchiha é bastante capaz de tomar conta de uma ou mais crianças. Gente até eu tô impressionada, ele deve ter ensaio em casa pra falar bonito desse jeito, com certeza. – Não tenho mais perguntas. Hinata estava muito satisfeita, tinha conseguido o que queria, para ela, a resposta de Naruto já era o suficiente pra convencer os jurados de que Sasuke era um bom pai, ada podia estragar aquilo, nada. – Protesto, meritíssimo. – olha o nada aí aparecendo – A testemunha se trata do marido da advogada, o depoimento deste homem deve ser invalidado. Onde é que a Mebuki arrumou um advogado tão filha da mãe, desse? Esse home tem que ir pra lista de pessoas que vamos mandar m***r depois dessa audiência. – Protesto n****o. Chupa essa, advogado de bosta! O metido se sentou com o r**o entre as pernas, mas ainda estava com aquela cara de “isso ainda não acabou”. Mebuki não parava de encarar Sasuke, parecia que queria se levantar e esgana-lo. Sasuke também queria m***r aquela velha. – Chamo para depor, Sra. Mafalda ConCon. O coração de Sasuke congelou quando ouviu aquele nome. De quem estamos falando? Simplesmente da pessoa que mais odeio o Sasuke no planeta, Mafalda ConCon, mais conhecida como “velha fofoqueira” ou “vizinha da frente”. Enquanto a gorda caminhava em direção à cadeira o fígado de Sasuke ia parando de funcionar. Já estava quase desistindo de tudo e se entregando ao mundo das dorgas. – Sra. ConCon, fale do seu vizinho, Sasuke Uchiha. – o filha da mãe do advogado da bruxa falou. A gorda abriu um sorriso assustador. – Sasuke sempre foi um desajeitado, lembro que no dia que se mudou para o prédio esqueceu a menina no elevador. – já começamos m*l – Possui o péssimo hábito de comer enlatados, o que é péssimo para a criança, a casa vive bagunçada, e mais parece que a menina é quem cuida dele e não que ele cuida da menina. Ta, essa ultima parte é verdade. – E a senhora acha que Sasuke tenha capacidade para cuidar de uma criança de cinco anos de idade? – Sasuke? Esse Sasuke? – não, o de Júpiter – Ainda não sei como aquela criança está viva. – Ótimo, não tenho mais perguntas. Maravilha, as coisas nem estavam ruins pro lado dele. Onde é que eles acharam aquela velha? Tanta gente no mundo pra depor tinha que trazer logo essa gorda? É maldade demais fazer isso, é falta, contra as regras! Isso não se pode fazer, é golpe baixo! – A defesa do Sr. Sasuke Uchiha deseja chamar mais alguma testemunha? – o juiz perguntou. – Não, senhor. – Hinata respondeu. O jeito agora era torcer pra um milagre acontecer, um milagre bem grande, porque do jeito que as coisas estavam... Bem, é bom nem pensar nisso ainda. – Sendo assim, a defesa de Mebuki Haruno chama para depor, Sakura Haruno.  Sakura estava trêmula, olhava para os lados como quem procurava uma escapatória ou o momento certo para sair correndo dali. Olhou para os olhos de sua mãe, e quase deixara uma lágrima cair quando olhou para os olhos de Sasuke, ele parecia tão triste e tão desesperado ao mesmo tempo. Seu coração doía, ela não queria estar naquele empasse, mas infelizmente estava. – Senhorita Haruno, de certo que a senhorita é professora da menina, diga-nos, o Sr. Sasuke Uchiha aparentava ser alguém preocupado com os estudos da menina? – aquele advogado estranho perguntou. – Sim, ele sempre me perguntava como ela estava. – sem saída, Sakura havia optado por responder com total sinceridade. – E responda-nos, ele costumava se atrasar no fim das aulas? Mas que homem inconveniente, ela tinha que falar a verdade, afinal, o mundo inteirinho sabia que Sasuke Uchiha era o ser humano mais atrasado do planeta inteirinho. – Sim, eu costumava ficar com a menina até ele chegar. – tudo bem, era só não dar detalhes, ninguém precisava saber que essa demora era constante e acontecia quase todo dia. O esticado advogado perambulou de lá para cá como quem estava pensando no próximo passo que daria. Sakura olhava para Sasuke, ele parecia estar um pouco decepcionado com ela, ainda magoado por ela ter omitido tantas coisas. A rosada estava pensativa, queria não estar ali. – Há boatos de que a Senhorita estivesse tendo um caso com o Sr. Uchiha. – agora sim a p***a ficou séria – Isso seria verdade? Ela não precisava responder esse tipo de pergunta, poderia ter se recusado, mas sua garganta arranhava para que ela respondesse. Sakura olhou pela ultima vez para os olhos de sua mãe, olhou para Sasuke e como quem pedia perdão ela sussurrou uma palavra desconexa. Encarou o júri, o juiz e por ultimo o advogado. – Eu não estou tendo CASO com ele! – ela quase gritou – Eu amo o Sasuke, o amo mais que qualquer um que eu já tenha amado, ele é um homem incrível e um pai maravilhoso, vocês não podem tirar a Sarada dele! – seus olhos se enchiam de lágrimas, ela apertava os punhos sobre os olhos, uma lágrima caiu – E tudo o que eu mais d****o é que um dia ele me perdoe, que me ame, e que possamos ficar juntos, sermos uma família. Ela não aguentava mais ficar ali, simplesmente deixou aquela cadeira fria para trás e se retirou da sala, suas lágrimas ainda molhavam o chão. O juiz encarava a porta por onde ela tinha saído, a boca de Mebuki formava um “O” perfeito. E Sasuke? Ele estava mais perdido do que cego em tiroteio, aquilo foi para ele uma grande surpresa, não esperava que ela fosse falar aquilo. – Caso o júri ainda tenha alguma dúvida de que Sasuke Uchiha é um pai irresponsável. – este homem só pode ter pacto com o p**a-p*u, porque não tem condição, ele não desiste – Nós trouxemos algumas fotos que provam o quanto ele não tem cuidado bem da menina. E quando a gente pensa que n******e piorar. Piora. Tinha umas vinte fotos ali, uma do Sasuke segurando a Sarada pelo pé, uma da menina sentada no lado de fora depois que ele acidentalmente trancou a porta, uma dela dentro do carro enquanto ele ia comprar um cachorro quente, uma da Sarada sozinha em um parquinho depois que Sasuke esqueceu de ir buscar. E a p***a toda, que essa velha arrumou um advogado infeliz mesmo! – Como vocês mesmos podem ver, este homem não tem condição nenhuma de cuidar de uma criança! – Eu vou dar na cara desse infeliz! – e Sasuke teria ido se Hinata não tivesse o segurado e feito ele se sentar de novo. – Senta aí que quem vai sou eu!                                             Hinata partiu pra cima do advogado alheio com uma prancheta na mão, bateu com a mesma na cabeça dele e o derrubou no chão, o cara caiu que nem jaca podre. Mas vocês acham que isso foi suficiente pra ela? Claro que não,  Hinata já havia começado a arrancar os cabelos dele, e a coisa magra só gritava. Só não morreu porque uns policiais entraram e tiraram ela de cima dele. – Tirem esta mulher do tribunal! – gritou o juiz enquanto Hinata era arrastada para o lado de fora – Ela está descontrolada. Agora sim a coisa não tinha mais jeito, se Sasuke já estava lascado, agora não havia mais nenhum fio de esperança mesmo, suas chances estavam reduzidas à zero. Aquele não era mesmo o seu dia de sorte. – Como vocês mesmos puderam ver, esse é o tipo de criação que Sarada Uchiha tem recebido dos adultos ao seu redor! – esse homem ainda está vivo? – O júri irá se reunir para o veredito final.   (...)   E o coração? Na boca. Naruto estava tentando convencer a esposa a não atacar mais ninguém, enquanto Sasuke olhava tristonho para as fotos em seu celular, nelas via o quanto sempre foi feliz com sua pequena Sarada, poxa, estava tudo tão bem, deve ser até pecado fazer isso com um pai. Sarada era tudo que ele tinha, e até isso estavam tirando dele. Não deixaram ele falar com ela, e ele já estava com saudades, era difícil ter que admitir que provavelmente jamais a veria de novo. Maldita velha! Logo agora que tudo estava se encaixando, logo agora que as coisas entre ele e Sakura estavam tão bem, seriam uma família finalmente, e agora tudo estava perdido. Poxa, ela o ama, e ele estava ali sem nenhuma reação. Que i****a foi, tudo poderia ter sido diferente, quem sabe se tivessem conversado mais. Agora não adiantava mais tentar encontrar um culpado, era tarde demais, tarde demais para encontrar o ponto onde errou, tarde demais pra abraçar Sarada e dizer pra ela que a ama e que não importava o que acontecesse, ele sempre a amaria. Perdoa o bobo do seu pai, Sarada, ele é assim mesmo, ele precisa de você. Não vá embora, seu pai te ama mais que tudo nessa vida. – Sasuke, já está na hora. – a voz de Naruto o fez despertar. Sasuke enxugou as lágrimas na manga da camisa e o seguiu. Era triste demais, cada passo que dava na direção daquela cadeira, parecia que estava prestes a se sentar na cadeira elétrica, porque na hora que tirassem Sarada dele, ele morreria. O primeiro jurado ficou de pé, o juiz lhe deu autorização. Sasuke olhou para Sakura pela ultima vez, ela também o olhou, e por fim ambos fecharam os olhos, a dor invadiu seus corações ainda antes de ouvir, e mais ainda quando ouviram. – O júri determinou que Sasuke Uchiha não tem condições de permanecer com a guarda da menina Sarada Uchiha, passando assim, Mebuki Haruno, avó da menina, a ser guardiã oficial da menor. Aquilo machucou mais do que qualquer ferida. As lágrimas desceram automaticamente como cascatas, ele não queria acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo, não, podia ser real, tudo tinha que ser apenas uma pegadinha. Não podiam tirar Sarada dele, isso era o mesmo que mata-lo. – Não! – Sakura gritou levantando-se de sua cadeira e a derrubando. A rosada olhou com escárnio para o sorriso de sua mãe – n******e fazer isso, você não merece ficar com Sarada, você não vai ficar com ela! Dito isto, a rosada correu em direção à Sasuke, segurou em sua mão e o puxou, ele correu junto com ela. Sakura corria ao lado de Sasuke pelos corredores, alguns policiais já estavam atrás deles, mas ambos pareciam não se importar. Sasuke ainda não entendia ao certo o que estava acontecendo. Viu quando Sakura chutou com força uma das portas e a abriu, Sarada estava ali dentro sentada em uma cadeira ao lado de um policial. A rosada pegou a menina nos braços e continuaram a correr pelos corredores, agora muito mais policiais estavam atrás deles. Conseguiram chegar o lado de fora. Sasuke puxou o braço de Sakura para que ela o acompanhasse até onde seu carro estava estacionado. Algumas lágrimas se perderam pelo caminho, nenhum dos dois enxergava mais nada. Fugir seria a solução? Se fosse pra ficar ao lado de quem amava, sim, seria. Entraram no carro e saíram dali na mais alta velocidade, enquanto vários e vários carros de polícia seguia-os, Sasuke não estava com medo, estava satisfeito consigo mesmo, e mesmo que não conseguisse, estava feliz por ter tentado, para que Sarada soubesse que seu pai faria o possível e o impossível por ela. Pra que ela soubesse que ele a ama. – Pra onde estamos indo, papai? – a menina perguntou olhando para trás e vendo que os carros se perdiam e aos poucos sumiam. – Pra um lugar onde vamos ser uma família, eu, você e a Sakura. A cidade ficou para trás, a policia ficou para trás, tudo ficou para trás. Sem dinheiro, sem documentos e sendo perseguidos pela policia, mas felizes, porque estavam juntos, juntos e ninguém mais iria separá-los. – Nós vamos ficar juntos... – Pra sempre.
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