A Família

2332 Palavras
Sasuke não conseguia acreditar no que estava lendo, aquilo não podia ser verdade, não, aquilo tinha que ser só um sonho! O papel em suas mãos tremia, não pelo vento, mas Sasuke estava tremendo, aquilo era h******l e de longe era a pior da noticias. Ele não tinha pago a conta de luz e o aviso de corte tinha chegado! – Eu tinha certeza que tinha pagado isso, agora vou ter que perder meus humildes minutos de descanso pra ir pagar! – ele estava resmungando como sempre, odiava quando isso acontecia. Uma vez cortaram a energia bem no meio da final do campeonato de futebol. – Sarada, calce os chinelos, nós vamos sair! – ele gritou lá da sala na esperança da menina ter uma super audição e ouvir. E o pior é que ela ouviu mesmo, não demorou nem cinco segundos e ela já estava pronta parada na frente da porta. Ela gosta mesmo de passear. – Pra onde vamos, papai? – ela perguntou docemente. Tadinha, deve estar achando que é um lugar legal. – Pagar a conta de luz. Se antes Sarada estava sorrindo, o sorriso virou uma cara de desapontamento. Poxa, nunca é um parque de diversões ou quem sabe uma lanchonete. Mas mesmo assim ela foi com ele, não tinha escolha mesmo. Ia ficar com quem? Com as paredes? Vocês já conhecem o percurso, do elevador pra portaria, da portaria pro estacionamento, do estacionamento para o mundo. Botem a musiquinha de fundo – pode ser aquela do Batman, Sasuke gosta muito de imitar o Batman, não é atoa que ele vive de preto – e lá vão eles, os nossos heróis. Missão de hoje: Pagar a conta de luz antes que cortem, Part. 1. Esqueçam esse meu momento ridículo, é que eu sempre quis narrar algum filme – qualquer um serve, me chamem – aí eu fico fazendo isso aqui ao invés de só contar a história normal, é que eu sou doida. Aí eles foram, Sasuke pagou a conta de luz em uma banca de jornal, discutiu com o jornaleiro sobre o preço do jornal, comprou um jornal, usou um daqueles banheiros públicos – ele tinha comprado o jornal só pra isso, esqueceu Sarada no carro, foi abrir o carro, deixou ela na banca de jornal, comprou um sanduíche, tudo parte de um dia bem normal. Depois eles foram pra casa, para o lar doce lar que eles tanto amavam e curtiam estar, afinal, quem não gosta da própria casa? É tão legal ficar em casa usando seu próprio wi-fi e com os pés em cima do sofá – isso se você não mora mais com a sua mãe – estar em casa é maravilhoso. Mas aí ele chegou em casa e a porta estava aberta. Ele já entrou naquelas poses de ninja que só ele sabia fazer, Kung Fu-são estilo Lêmure com carrapatos. E tinha pessoas ali, três pessoas, e a do meio ele reconheceu logo de cara, era o agente social corredor de maratona que tinha trazido Sarada pra ele. Aquilo não podia ser bom, até o Sasuke era capaz de entender isso. – Como entraram na minha casa? – foi a primeira pergunta que ele fez, até porque essa é a pergunta mais obvia que alguém deve fazer quando encontra pessoas paradas no meio da sala. – Sr. Sasuke Uchiha, sou o advogado da Sra. Mebuki Haruno, nós viemos pessoalmente lhe entregar esta intimação. – era um homem de paletó, daqueles que a gente só vê em cinema, e quando v6e na vida real fica se perguntando o que foi que fez pra ir preso, ele entregou um papel para Sasuke, o moreno pegou e leu só as primeiras palavras. Ele não ia ler aquele papel todo nunca! – Sarada, vai pro seu quarto, depois nós conversamos. – foi a primeira vez na vida que Sarada ouviu o pai falar muito sério, dava pra sentir o quanto ele havia ficado tenso. A menina obedeceu – olha o milagre – e foi, parou alguns instantes pra olhar pra mulher que ficava encarando ela com um sorriso bem i****a no rosto, passou por todos e seguiu caminho até sumir pelo corredor. – Um pedido de guarda? – Sasuke usava de sua ironia enquanto falava, até mesmo ria, como se aquilo não tivesse cabimento nenhum – Depois de cinco anos você aparece do nada querendo a guarda da neta que você nunca se importou? Aquilo era um ultraje, chegava a ser ofensa, depois de cinco anos aquela mulher tinha a ousadia de querer vir atrás da neta. Isso era querer demais. – Imaginei que teria essa reação, Sr. Uchiha, mas estou disposta a negociar pela minha neta, assim facilitaremos muito as coisas. Sasuke não gostou nada da forma com que a mulher falava e muito menos de seu tom, era como se Sarada fosse apenas um objeto que podia ser passado de mão, como se Sasuke fosse capaz de vender a própria filha, ou alguém que considerava como tal. – Negociar? – ele estava incrédulo – Você fala como se ela fosse uma boneca! Mas a mulher parecia impassível e inabalável, permanecia com o mesmo semblante no rosto, como se demonstrasse que não desistiria tão fácil do que queria. – Eu tentei ir pelo lado mais fácil, mas se recusa-se a cooperar, terei que tirá-la de você da maneira mais difícil. – Mebuki falava com ele de maneira dura, mas ao mesmo tempo sua boca m*l parecia se mexer – Nos vemos no tribunal. Disto isto a mulher tomou os rumos da porta, passando pelo moreno e quase o derrubando – Sasuke ficou fraco depois dessa bomba, tentar tirar Sarada dele era a sua Criptonita – os homens que estavam com ela a seguiram saindo também, a loira – meio cor de bosta, coisa mais escura – ainda olhou para trás e encarou Sasuke pela ultima vez. Aí ele foi e bateu a porta na cara pra mostrar quem é que manda. – Não, ela n******e fazer isso. n******e tirar Sarada de mim.   (...)   Ele estava desesperado, não tinha com quem desabafar, tentou contar pro Naruto, mas não conseguiu, só havia uma pessoa com quem podia contar, e depois de deixar Sarada com Hinata, ele partiu em busca dessa tal pessoa. E sim, era ela, ele não via ninguém melhor do que ela, tinha que contar o que estava acontecendo para Sakura, ela precisava saber, quem sabe ela o ajudasse de alguma forma. Ah! Ele estava tão perdido naquilo tudo! m*l olhou por onde estava dirigindo, deve ter levado umas cinco multas pelos faróis vermelhos que atravessou, mas não estava nem ligando, só queria chegar logo na casa de Sakura e contar tudo para ela. Quando chegou, estacionou o carro de qualquer jeito, e correu para bater na porta, que por sorte estava destrancada, então ele entrou – era a namorada dele, podia entrar – e foi seguindo pela casa vazia até encontrar Sakura em seu quarto, a rosada estava sentada na cama com um lápis de cor na boca enquanto fazia um desenho. Ela se assustou um pouco quando o viu ali. – Sasuke, aconteceu alguma coisa? – ela perguntou. Todo mundo pergunta isso. – Uma coisa h******l, recebi uma visita da avó da Sarada, ela quer a guarda da menina. – ele resolveu ir falando tudo logo de cara, sem nem dar chances da pessoa se preparar. Por sorte ela não tinha nenhuma doença cardíaca. Sakura congelou, torceu tanto pra esse momento demorar, mas havia chegado a hora, a hora de mandar a real e dizer a ele quem ela realmente era, não podia mais ficar escondendo, seria melhor falar tudo de uma vez, seria muito pior se ele descobrisse isso somente durante as audiências. Seja forte, Sakura. – Sasuke, nós precisamos conversar. [...] – Tia da Sarada? – o grito de Sasuke quase estourou os ouvidos da p***e moça – E por que não me disse isso logo? Sakura se calou, durante alguns segundos ela simplesmente ficou quieta enquanto Sasuke estourava completamente, ele parecia estar furiosa, e durante cerca de 2 minutos ela viu o moreno andar de um lado para o outro com as mãos na cabeça, desesperado e sem saber ao certo o que fazer. Mas o inesperado aconteceu, Sasuke se aquietou, sentou ao lado dela e por fim abriu um sorriso fraco como o de alguém que estava sem jeito. – Eu teria entendido, teria me apaixonado por você da mesma maneira, mas ter me escondido isso me fez acreditar que você não confia em mim. Se ela já estava m*l, ficou ainda pior, imaginou que ele fosse explodir e dizer mil coisas, menos aquilo. Ele estava decepcionado com ela, e isso era demais para a p***e rosada suportar. – Sasuke, eu não fiz por m*l. – ela tentou se explicar, mas parecia já ser tarde demais. – Sei que não fez por m*l, mas fez, mentiu pra mim, escondeu isso de mim, deixou que sua mãe me pegasse de surpresa, e agora estou correndo o risco de perder o bem mais precioso da minha vida. – ela nunca tinha visto ele tão sério quanto naquele dia – Sinto muito, Sakura, mas eu não consigo ficar ao lado de alguém que não confia em mim. Ela teria dito alguma coisa, mas não sabia o que falar, era como se a garganta estivesse presa, seca, simplesmente deixou ele ir embora por aquela porta e pior era não saber se ele voltaria ou não. Ela não queria que as coisas ficassem daquela maneira, gostava tanto dele, não queria perde-lo, que burra foi, por que não falou a verdade logo de cara? Tudo teria sido tão mais simples. E ele? Ele estava tão perturbado quanto ela, ou quem sabe muito mais. E enquanto dirigia para casa, tudo que ele conseguia pensar era no que faria, e em como provaria que era perfeitamente capaz de cuidar de Sarada, tinha procurar um bom advogado logo, se preparar, e o pior era que só tinha dois dias pra fazer isso antes da audiência, parecia impossível. Quando chegou em casa, tudo que viu foi sua própria cama, seus lençóis e sua dor, preferiu deixar Sarada com Hinata mais um pouco, ele queria ficar sozinho, pensar na vida e em como as coisas se enrolaram daquela maneira, achava que ficaria com ela pra sempre, que nenhum familiar jamais a procuraria, ele não tinha com quem contar, se até mesmo Sakura não era quem ele pensava. – Realmente não tenho sorte pra nada nessa vida. – ele já estava falando sozinho – Itachi, a culpa é toda sua! E adiantava jogar a culpa pra outra pessoa? Agora quem tinha que se virar era ele. Sasuke estava perdido, com medo e confuso, tudo que queria era poder fechar os olhos e quando abrisse tudo fosse só um sonho. Mas infelizmente, não era.   (...)   Naruto não conseguia acreditar no que o amigo estava contando, aquilo não tinha cabimento nenhum, Mebuki Haruno não tinha nenhum direito sobre a menina e sua tentativa de tira-la do homem que a criou como filha era quase desumana. – Sasuke, você não precisa ficar tão desesperado, ela não vai conseguir tirar a Sarada de você, isso não tem cabimento nenhum! – Naruto tentava acalmar o amigo, mas suas palavras pareciam entrar por um ouvido e sair pelo outro. Também, a cabeça de Sasuke é vazia. Vocês sabem disso. – Mas e se ela conseguir? – o medo podia ser visto nos olhos dele – Ela tem até um advogado pompudo com uma maleta, e eu tenho o que? Será que era tão difícil assim ligar pra uma agência de advocacia? Essa gente tem problemas mentais graves, só pode. – A Hinata pode te defender. Essa ideia maravilhosa só podia ter saído do Naruto mesmo. Hinata nem estava na sala, mas quando ouviu o nome dela ela brotou ali do além, assim do nada com uma cara de “por que está me metendo nisso?”. – Eu? – foi a primeira coisa que ela falou na cena. Hinata tem poucas falas nessa nossa novela japonesa. Japonesa claro, se fosse mexicana ela teria dito “Mas o que eu, p***e mulher, pode fazer para ajudar o meu nobre amigo?”. – Eu não sabia que a Hinata era advogada. – Sasuke comentou esperando receber mais informações, aliás, ninguém nem se lembrava que Hinata tinha uma profissão antes de se casar no sério (isso existe?) com Naruto. – Eu terminei a faculdade, mas acabei não exercendo a profissão, tinha o Boruto pra cuidar e ele bem pequeno na época. Ele ainda é pequeno, não sei se ela percebeu. Deixa pra lá, quando ele fizer dezoito anos ela volta a tratar ele como um bebê e ta tudo resolvido. A vida é assim mesmo, aceitem pessoas. – Então ta decidido, Hinata vai defender o Sasuke na audiência na quinta-feira. – falou Naruto por ultimo – Não se preocupe, amigo, vai dar tudo certo. Falar é fácil meu caro amigo.   (. . .)   Dois Dias Depois...   E lá estavam os nossos heróis, ambos na frente daquela enorme porta. Foi uma grande luta quando os agentes tutelares levaram Sarada para uma sala separada, já que “vocês não podem ter contato com a criança para não interferir no depoimento dela”. Ambos estavam muito nervosos, Sasuke já tinha ido no banheiro três vezes antes de sair de casa – ele tem piriri quando ta nervoso –, Hinata com sua maleta em mãos, que estava vazia já que ela não tinha juntado nada pra audiência. Sasuke roendo as unhas como se não houvesse mais comida no mundo. E Naruto, bom, o Naruto tava de boas, ele tem o dom de nunca se preocupar com nada na vida. Um pai maluco e s*******o, uma advogada que nunca tinha estado em um tribunal, e um cara loiro que estava só de figurante mesmo. O que podia dar errado? 
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