A Namorada do Papai

2630 Palavras
Sakura estava completamente estática, nem acreditava que tinha mesmo falado aquilo, e muito menos Sasuke, olhava pra ela completamente bobo e perdido, queria dizer tanta coisa, e ao mesmo tempo não conseguia dizer nada. Sakura era como o pedaço que faltava nele, mas ao mesmo tempo ele sentia que não daria certo. – Eu... – ele iria falar alguma coisa, mas ela o interrompeu. – Por favor, não fala nada, não torne as coisas mais difíceis do que já são, é melhor eu ir embora, você não vai me querer na sua vida, eu sou problema demais! – ela simplesmente saiu correndo dali. Sasuke só ficou parado, olhando ela atravessar a rua a passos largos e sem olhar para trás, Sakura estava simplesmente indo embora sem dizer mais nada, como se ela confessasse que gostava demais dele, e ao mesmo tempo não tivesse coragem de saber o que ele sentia. Ela sentia medo de ser rejeitada, e antes de ouvir a palavra final ela se foi dali. E quanto mais longe ela ia, mais Sasuke percebia o que significava aquela estranha sensação no estômago que ele vinha sentido, não era a gastrite, ele também sentia alguma coisa, e vendo ela ir embora aquela sensação estava se transformando em dor, e ele não queria sentir aquilo, ele queria que ela ficasse por perto, ele queria que ela desse meia volta e corresse pra ele. Mas isto não estava acontecendo. O moreno deu uma rápida olhada para ver como Sarada estava, e ela lhe pareceu estar bem, então quem estava m*l era ele, e ele não queria mais ficar assim. Largou tudo, simplesmente largou o mundo ao seu redor e saiu correndo, não podia deixar Sakura ir embora sem mais nem menos, não podia deixa-la fugir como se a vida se resumisse somente a fracassos. Quase foi atropelado por um carro, mas por sorte nada demais aconteceu, ele conseguiu atravessar a rua e avistar Sakura novamente, ela estava indo em direção à ponte, e ele correu o mais rápido que pôde para ver se a alcançava. – Sakura! – ele gritou seu nome. Ela olhou para trás assustada, não esperava que ele fosse atrás dela, e muito menos que saísse correndo daquela maneira – Espera! Ela acabou parando, e ele a acompanhou, ofegante e quase desmaiando, estava mesmo fora de forma, aquela corridinha acabou com ele. – Sasuke. – Não vá embora, eu quero te dizer uma coisa. – ele ainda estava ofegando muito e apoiado aos joelhos, falava com dificuldade, mas conseguiu se aprumar e olhar para ela – Eu também gosto de você, posso ser o cara mais atrapalhado do mundo, mas de uma coisa eu tenho certeza, eu preciso de você na minha vida! Um sorriso enorme surgiu nos lábios de Sakura, ela não acreditava que ele estava mesmo dizendo aquilo, não esperava que ele também fosse gostar dela, logo dela, de uma professora sem graça e sem jeito para romances. E que estava precisando urgentemente de um novo corte de cabelo. E a cena clichê e clássica dos filmes de romance aconteceu, eles se beijaram em cima de uma pequena ponte branca que ficava em cima de um pequeno lago de águas claras e patinhos nadando. Sakura se sentiu a mulher mais feliz do mundo quando as mãos de Sasuke apertaram sua cintura e a trouxeram cada vez mais para perto dele. E aquele beijo, era o melhor beijo do mundo, o mais doce e ao mesmo tempo o mais amargo, ela sabia que aquela felicidade não podia durar para sempre, que chegaria o dia em que Sasuke descobriria tudo, e talvez ele nunca a perdoasse. Mas ela nunca se perdoaria se não houvesse tentado, ela tinha que se dar uma chance, tinha que tentar mostrar o quanto ela o queria bem, quem sabe assim um dia Sasuke conseguisse entender o lado dela naquela história toda. – Sarada vai pirar. – foi a primeira coisa que ele disse quando seus lábios se desgrudaram. Sakura riu, já conseguia imaginar a menina pulando, seja de felicidade ou para m***r a professora com uma pá de plástico. – Ela é uma menina maravilhosa. – a rosada comentou. Sarada Uchiha, tão pequena e já metendo tanta gente em confusão. Tal pai, tal filha, e estamos falando dos dois. Itachi podia até se fazer de responsável, mas já tinha aprontado as dele. – Fala isso porque não mora com ela. Sakura riu, em breve conheceria o lado “maravilhosa” da menina Uchiha. Porém naquele momento, mais nada importava, nem passado e muito menos o futuro, só precisavam falar e pensar no presente, ele e ela, ela e ele, Sarada e quem sabe um cachorro, e o resto poderiam deixar pra depois. Sakura estava mais enrolada do que nunca, porém naquele segundo ela não se importava mais com aquele detalhe, o único detalhe que importava era... Ser feliz! Sasuke lhe estendeu a mão, e ela a segurou. Quem sabe fosse até ultrapassado demais, mas os dois mereciam aquilo, andar de mãos dadas pela primeira vez, dando os primeiros passos como um casal, ou pelo menos, como algo que seria um casal, não dá pra dizer que aquilo foi um “Bum somos um casal e vamos nos casar um dia e ter 10 filhos”, mas foi um começo, algo que com o tempo se tornaria o elo forte da corrente. E quando já estavam chegando próximos de onde Sarada estava e a menina viu os dois de mãos dadas... Foi terra voando pra tudo quanto era lado, ela simplesmente saiu correndo que nem bala na direção dos dois. Mal chegou perto deles e já começou a tagarelar. – Estão de mãos dadas! – ela gritou alto o suficiente pra metade do Japão ter ouvido – Vão casar? Quando vou ter um irmãozinho? Podemos ter um cachorro? Vamos nos mudar para uma casa maior? O nome do meu irmão pode ser Namjoom? Ela nem parava pra respirar. Segurem essa criança antes que ela tenha um enfarto precoce. Sasuke não sabia onde enfiava a cabeça, metade das pessoas do parque tinha parado pra olhar pra menina gritando que nem uma louca, e ela já estava ficando roxa. – Calma filha, respira. – ele soltou a mão de Sakura e se abaixou pra falar olho no olho com a menina – O papai não vai se casar com a tia Sakura, pelo menos, não agora – Sakura ficou toda vermelha quando ele falou isso – As coisas não são tão rápidas quanto você imagina, meu amor, e já está ficando tarde, hora de irmos. Sarada parecia decepcionada, poxa, ela estava tão animada pra ter uma mamãe nova, achou que conseguiria agora, e que a tia viria morar com eles. – Mas por que vocês não vão se casar agora? – ela perguntou, com os olhinhos cheios de lágrimas – Gosta dela, papai, e ela também gosta do senhor. Os dois acabaram por ficar bastante sem jeito. Sarada enxergava o mundo de uma outra maneira, maneira essa que quando crescemos paramos de enxergar. Crianças, a gente aprende muitas coisas com elas. – Vamos pra casa, querida. Sarada não entendia, quem sabe nunca fosse entender, mas estava feliz, aquilo era um começo, o mais perto que já tinha chegado de ter uma nova mamãe, e era assim que ela aos poucos enxergava Sakura, como uma mãe que ela nunca teve. Não protestou mais, simplesmente entrou no carro e sentou em sua cadeirinha colocando o cinto de segurança, estava sorrindo, estava vendo sua ama professora sentar no banco da frente não mais como sendo apenas sua professora, agora estava sendo a namorada do papai. Ela nem pediu pra colocar “Um elefante incomoda muita gente” daquela vez, já que o pai havia colocado no rádio e estava tocando uma daquelas musicas românticas que fazem mulher chorar mesmo sem entender nada do que a cantora está falando. Quando chegaram na porta da casa de Sakura, sim, era o momento da verdade, Sarad iria finalmente saber se o lance entre o pai dela e a professora era sério, se a despedida fosse digna de um casal. – Então... Eu tenho que ir. – disse a rosada, já começando a fazer cosplay de pimentão. – A gente se vê amanhã. Qual é gente? Não decepcionem a menina. Força do pensamento. Ela desceu do carro, e ele desceu também. Sarada que não é boba nem nada, se esticou pra ficar olhando pela janela, o vidro fumê não a impediria em nada, aquele era um momento crucial e muito importante pra ela, obrigada, de nada. E na porta da casa da jovem professora ela viu quando os dois se beijaram mais uma vez, quer dizer, era a primeira vez que ela via. E mesmo sendo uma criança, talvez por ser uma criança, ela viu que os dois realmente se combinavam, por mais que criança achasse beijos nojentos, adultos se beijam, e sempre que se beijam existe sentimento envolvido, seja lá qual for. [...] Sasuke ainda não conseguia acreditar que as coisas estavam mesmo correndo tão bem com Sakura (É que quando a esmola é grande o santo desconfia), esse lance de namorar era algo novo pra ele, Sasuke não era o tipo de cara que possuía relacionamentos sérios, e depois do tempo que passara sozinho... Bem, digamos que era a mesma sensação da primeira namoradinha de escola. – E aí vocês vão casar, vão ter muitos filhos, nós vamos ter um cachorro chamado Thor, e depois que o meu terceiro irmãozinho nascer nós vamos ter um gato branco que vai se chamar Pudim Amassado... – Sarada falava tudo tão rápido que Sasuke não sabia se pedia pra ela parar ou se simplesmente deixava ela falando sozinha. – Sara, querida, eu e o seu pai não pretendemos ter tantos filhos assim. – isso era a Sakura tentando dar uma de compreensiva e ao mesmo tempo querendo evitar futuras decepções. Sarada agarrou seu urso de pelúcia com força, se levantou e caminhou até o pai dela, ele estava sentado no chão o que fazia Sarada ficar da altura dele – mais ou menos – a menina o encarou por alguns segundos e fez um bico torto. – Papai, tia Sakura não quer me dar um irmãozinho! – ela acha que vai resolver o assunto só na birra, p***e iludida – Eu quero um irmãozinho! Olha aqui queridinha, se fosse só por ele, já teriam “feito” esse irmãozinho desde o primeiro encontro, mas mulher tem isso de querer esperar um momento mais apropriado, mais romântico, mais cheio de sei lá o que. Homem não, homem não tá nem aí, se engravidasse era só detalhe. Ele não era muito sensível não. – Você n******e ter tudo que quer, querida, eu e a Sakura estamos apenas começando, ter filhos é uma coisa séria demais, e a dona Cegonha não vai nos mandar um bebê enquanto as coisas não estiverem da maneira que elas têm que estar. – ele fica tão fofo quando está dando uma de paizão, parece até gente. Sarada fez aquela cara de quem iria chorar, mas segurou firme porque o papai dizia que ela não era mais um bebê e não podia chorar por qualquer coisa. A menina sentou no chão, abraçou o ursinho, ficou calada por uns três segundos, parecia estar pensando em alguma coisa. – Mas papai, como foi que a Cegonha me trouxe pra cá? Numa cesta rosa bem gay com um assistente social estranho que corria mais rápido do que trombadinha corre de policia. Só que Sasuke não sabia o que falar, ele simplesmente ficou calado, tentando pensa em alguma coisa, mas esse “alguma coisa” parecia não existir, ele não era muito bom com esse tipo de papo, esperava que Sarada não perguntasse mais isso, que o assunto da Cegonha tivesse morrido. – Sarada, meu amor, vem aqui com a tia. – Sakura a chamou delicadamente, a menina se levantou com o rostinho baixo, ela queria saber de onde tinha vindo. Sakura a abraçou e beijo seu rostinho, Sarada parecia estar triste, pra ela esse sempre foi um assunto triste, como se ela tivesse simplesmente brotado do nada, sem ter uma mãe, Cegonhas não trazem bebês para homens solteiros, não faz sentido trazer. – Tia, por que eu nunca tive uma mamãe como as outras crianças? – a pequena perguntou, seus olhinhos brilhavam e ela queria chorar. Sakura não gostava nada de vê-la assim, ainda mais agora, que além de tia ela era também sua madrasta, ou melhor, boadrasta. – Porque você é uma garotinha muito especial, e a Cegonha só estava esperando o momento certo pra te entregar a sua mamãe. – ela sorriu, e a menina abriu um sorriso enorme também. – Você vai ser minha mamãe? – ela perguntou muito animada, agarrando os braços da rosada com a pouca força de suas pequenas mãos. A rosada acenou positivamente com a cabeça e a menina pulou em seu pescoço a abraçando com carinho. Era o que ela mais queria, uma mamãe, assim como todas as crianças, queria ter alguém, queria ter uma família como todas as outras. Talvez fosse cedo demais pra dizer aquilo, mas ela não conseguia ver Sarada triste daquela maneira, ela não merecia aquilo, era tão pequena, precisava de uma figura materna. Sasuke não sabia porque, mas ouvi-la falar aquilo confortou de sobremaneira seu coração, como se fosse uma confirmação de que estava tudo bem, de que poderia ficar seguro, de que tudo daria certo com Sakura, que era dela que ele precisava. Talvez se a gente fosse que nem criança, as coisas seriam menos complicadas, com elas tudo é tão simples, tão fácil de se resolver. O problema da humanidade é crescer, e ficar nessa de que as coisas têm que ser complicadas. – Nós vamos ser uma família de verdade, não é papai? – a menina perguntou muito animada, olhando para o pai, que teve que disfarçar a cara de emocionado que estava. – Nós já somos querida. Rápido demais, ou quem sabe tivesse até demorado, mas quem somos nós pra julgar? Sasuke gostava de Sakura, Sakura gostava de Sasuke, ambos estavam sozinhos, ambos precisavam de ter alguém, e por mais bobas e perdidos que o dois fossem, o destino colocou Sarada no meio para dar uma forcinha, a forcinha certa, na medida exata.   (...)   Dia Seguinte...   Sakura sorria boba enquanto arrumava a bagunça que estava em seu guarda-roupa, muita coisa ali precisava conhecer a lata de lixo urgentemente, e ela sabia disso. Não parava de pensar no dia passado, em como os momentos com Sasuke e Sarada eram perfeitos, e no quanto foi difícil vir pra casa, por ela ficaria ali por um tempão. – Ah Sasuke, queria tanto te contar a verdade, mas você jamais me perdoaria por isso, eu não quero magoa-lo, só me deixa ter um tempo pra pensar, só um tempo pra encontrar a maneira certa de te contar! – ela falava sozinha ao mesmo tempo que dobrava uma camiseta. Mas será que conseguiria ter esse tempo? Era tão difícil saber, ou quem sabe soubesse e se negasse a acreditar. A campainha tocou fazendo ela despertar do que estava tão perdida pensando, largou o que estava fazendo e foi atender a porta. Não sabia se havia gostado ou não de ver quem era, por um lado sim, por outro lado não, por um lado talvez, por outro lado de jeito nenhum. – Mãe? O que está fazendo aqui? – sua única reação foi fazer essa pergunta, enquanto sua mãe entrava na casa. – Os julgamentos do processo de pedido de guarda serão aqui, o tio da menina deve estar abrindo a intimação nesse exato momento, vim para buscar a minha neta, Sakura.
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