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1148 Palavras
HANNAH NARRANDO Eu sou linda, eu sei. Eu me olhava no espelho enquanto constatava minha própria beleza: Um metro e sessenta, cabelos atualmente tingidos de loiro, olhos azuis assustadoramente azuis e brilhantes. Já me disseram mais de uma vez que meu rostinho angelical não combina com a pir@nha que mora dentro de mim, mas o que posso fazer? "Hannah? Você está bem?" Era a voz do velho Delacroix, que deve ter achado estranho o fato de eu ter saído correndo do escritório do filho dele. Se ele soubesse meus motivos... "Desculpe, eu disse que tive uma noite r**m. Eu acho que comi algo que fez m*l!" Falei em voz alta e fiz um barulho forçado de vômito. Vou colocar isso na conta do Delacroix filho. Eu quase vomitei verdadeiramente por causa dele. "Oh, querida, você devia ter ficado em casa... Tire o dia de folga." O velho falou em voz alta. Eu precisava de um tempo para processar as coisas, então, decidi aceitar a oferta do meu chefe. Saí do banheiro e peguei minha bolsa rapidamente, torcendo para não encontrar com Blake em lugar nenhum. E por sorte, não encontrei. Entrei no meu carro, fechei a porta, os vidros, coloquei a mão no volante e respirei fundo. "Put@ que pariu!" Foi tudo que consegui dizer antes de ligar o carro e guiar até minha casa. Achei que ficaria mais fácil de raciocinar, mas as coisas só pioraram. Os pensamentos bombardearam minha mente, lembranças deliciosamente erradas e que me deixaram com gostinho de quero mais. "Maldito Blake." Bufei mais uma vez e neguei com a cabeça, tentando afastar os pensamentos. Então, decidi que meu apartamento precisava de um faxinão, daqueles que a gente levanta até o sofá e arrasta o guarda-roupa. Isso me manteria ocupada e com as mãos longe do meio das minhas pernas por algumas horas, e é claro, eu ficaria longe de confusão. Já eram sete horas da noite quando finalmente fui tomar um banho. A exaustão era grande e isso me fez perceber uma coisa estranha: Trabalho braçal me deixava cansada o suficiente para não pensar em sexo. Anotado, definitivamente anotado! Agora, eu relaxava na banheira perfeitamente limpa do meu banheiro, e sentia o perfume das velas aromáticas de baunilha que eu tanto gostava. Então, meu interfone do loft tocou. Decidi ignorar porque não estava esperando ninguém, mas aí, a campainha do meu apartamento tocou. "Mas que caralh0!" Resmunguei, me levantando da banheira e vestindo meu roupão felpudo e branco. Caminhei até a porta e a abri. A senhora do primeiro andar, dona Nice, mais conhecida como velha dos gatos, estava paradinha com um sorriso no rosto. "Oh, querida, me desculpe incomodar, mas seu namorado está tocando meu interfone e pedindo para falar com você!" Meu rosto transbordava a confusão que eu estava sentindo naquele momento. "Desculpa, dona Nice, mas eu não tenho namorado." Ela ergueu as sobrancelhas e levantou a mão como se pensasse em algo. "Querida, eu não sei como vocês chamam hoje em dia, mas é o seu namorado de ontem. Eu o vi entrando no nosso prédio com você. Vocês pareciam bem apaixonados..." Naquele momento, eu entendi de quem ela estava falando. "Obrigada, dona Nice, eu vou receber ele lá embaixo." Eu sorri de leve e antes que eu pudesse falar algo, ela sorriu de volta e disse: "Ele é um rapaz muito educado, eu gostei dele, quando atendi achei que fosse o encanador, e falei pra ele que estou com problemas, ele disse que olharia o cano da pia da minha cozinha... Mas eu fiquei com medo de recebê-lo sozinha, o que as pessoas pensariam?" Provavelmente que ele é seu neto. Mas é melhor deixar esse tipo de coisa só no meu pensamento. "Tem razão. Deixa eu me trocar pra falar com... Ele." Bati a porta e vesti a primeira roupa que achei: Um short curto e uma camiseta de dormir. F0da-se, sabe? Esse cara já me viu pel@da de ângulos demais para que eu me importasse. Fui até a porta na intenção de descer as escadas, mas quando abri, ele estava lá, parado, quase batendo na minha porta. "A Nice abriu pra você?" Ergui as sobrancelhas e ele concordou. "Sim. Agora vou ter que olhar o cano da pia da cozinha dela." Prendi a risada. Aquela situação era verdadeiramente engraçada, mas eu estava brava. Não queria receber uma visita dele assim, principalmente agora que sei que ele é meu chefe. "O que você está fazendo aqui?" Questionei, cruzando os braços. "Esqueceu alguma coisa?" "Na verdade, sim." Ele entrou no meu apartamento quando me afastei o suficiente, e foi indo em direção ao meu quarto. Ele abriu a mesinha de cabeceira e retirou o relógio caro dele... Acontece que eu tive parceiros demais pra saber que aquilo não era um ato de esquecimento. Era proposital. Ele queria voltar aqui. "Pode ir embora agora, já pegou o que é seu." Eu disse e ele se sentou na minha cama. "Na verdade..." Eu suspirei quando ele começou a falar. "Blake, se eu soubesse quem você realmente era, eu jamais teria ido pra cama com você. Vai embora, por favor." Ele concordou com a cabeça. "Posso dizer o mesmo. Mas ainda quero saber porque você mentiu seu nome." Eu girei os olhos e cruzei meus braços. "E isso importa?" O olhar dele era penetrante. Tanto quanto a parte de baixo. "Tá, tá bom. Eu falo. Eu achei que nunca te veria de novo, achei que você fosse um viajante quando disse que havia acabado de chegar aqui. Achei que você iria embora, e que a nossa história terminaria perfeita naquele momento em que você foi embora daqui." Ele riu de forma sacana e negou com a cabeça. "Quem foi que destruiu seu coração desse jeito, hm?" Ele se levantou da cama, deixando aquela pergunta no ar. Quando se aproximou de mim o suficiente, sussurrou: "Se você tivesse me dito seu nome de verdade, eu não teria te levado pra cama sem saber se você era a Hannah Brooks, pupila do meu velho que ele tanto falava que queria me apresentar." Arregalei meus olhos. Percebi naquele momento que se eu tivesse ido almoçar com meu chefe, ao invés de ter ido na terapia, eu não teria acabado na cama com o Blake. Ah, como a vida nos prega peças! "Vamos só esquecer essa merda, tá? Eu preciso daquele trabalho. De verdade. Não nasci em um berço de ouro como você." "Fica tranquila, loirinha. Seu segredo está salvo comigo. Ah, aliás, agora você vem comigo pra eu ver a pia da dona Nice." Ele segurou minha mão e eu acabei indo. "Você não precisa fazer isso. O encanador vem amanhã." Ele negou com a cabeça enquanto continuava andando. "O encanador deu cano nela três vezes. A pobrezinha está lavando a louça no banheiro." Bufei e acabei ficando em silêncio. Afinal, aquilo era uma boa ação.
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