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3641 Palavras
Pov Alice Cabello Jauregui A dor era enlouquecedora. Exatamente isso - eu estava enlouquecendo . - Eu não conseguia entender, não fazia sentido o que estava acontecendo. Meu corpo tentava rejeitar a dor, e eu era sugada de novo e de novo pra uma escuridão que cortaram alguns segundos, e até minutos da agonia, fazendo ser mais difícil ser racional. Eu tentei separá-las. A surrealidade era n***a, e não doía tanto. A realidade era avermelhada, e era como se eu estivesse sendo serrada ao meio, atingida por um ônibus, socada por um premiado lutador, atropelada por búfalos, e submersa em ácido, tudo ao mesmo tempo. Na realidade eu estava sentindo meu corpo girar e pular enquanto não era possível que eu me movesse por causa da dor. Na realidade eu sabia que havia algo muito mais importante que toda aquela tortura, mas não era capaz de me lembrar o que. A realidade veio rápida demais. Um momento, tudo estava como devia estar. Rodeada de pessoas que eu amava. Sorrisos. De alguma forma, incomum como essa, era como se eu fosse conseguir tudo pelo que eu estive lutando. E então, uma coisinha deu errado. Eu vi quando o meu corpo tombou, sangue escuro se espalhando e manchando o branco perfeito, e eu cambaleei instintivamente. E eu vi os outros, mãos ágeis, mas meu corpo continuava se esticando... Dentro de mim, alguma coisa se moveu em outra direção. Rasgando. Quebrando. Agonia. A escuridão tomou tudo, e foi lavado por uma onda de tortura. Eu não podia respirar - eu tinha me afogado uma vez, mas era diferente agora; estava muito quente a minha garganta. Pedaços de mim partindo, rasgando, despedaçando... Mais escuridão. Vozes dessa vez, gritando, quando a dor voltou. Eu não tinha noção de mas nada além da dor, meu cérebro tentou reformular coisas para que eu me distraísse, talvez fosse mãe Camz tentando me ajudar ou tio Troy, mas eu sabia que nenhum deles tinha noção das cenas que vieram à seguir. Aquele seria um segredo que eu carregaria ao túmulo, embora eu soubesse que estava morrendo, não era uma boa hora para lembrar daquilo quando minha mãe que lê pensamentos está em algum lugar ao meu lado. "... — Tem certeza disso? — Luna perguntou. — Se Lauren nos pegar, Deus é quem me livre porque tenho certeza de que minhas mães não irão conseguir. Acabei rindo. — Não sabia que tinha medo dela! — Luna sempre pareceu tranquila quando o assunto era minhas mães, mamãe Lo sempre dizia que gostava da garota por ter um parafuso à menos e mãe Camz dizia que ela era uma ótima garota. — E eu não tenho! — Luna olhou para o meu b***o que vestia apenas um sutiã. Olhei seus lábios vermelhos e fiquei neles, estavam um pouco inchados pelos beijos trocados. — Uma coisa é dormimos juntas, outra é elas souberem que nossa amizade avançou. Eu bufei virando nossos corpos deixando ela por baixo dessa vez. — Você não estava reclamando isso quando segundos atrás sua boca estava na minha. — sorri e notei um brilho diferente em seus olhos, Luna era linda. — É s**o, você disse que me ajudaria. — Estou sentindo uma imensa vontade de me bater por ter dito isso, mas minha calcinha está molhada demais para que eu volte atrás. — Acabei gargalhando. Luna era uma i****a mesmo. — Certo, como faz? — Perguntei curiosa. Ela ergueu uma sobrancelha. — Ah, é! Você é hétero, só ficou com o b****a do Billy. — Sorriu de forma convencida, virando nossos corpos ficando por cima mais uma vez. — Deixe que eu te mostre como é provar de uma bocetinha. E então, sua boca estava na minha. Luna tinha um beijo bom, diferente do que já tinha provado antes. Não que eu tivesse provado muitos, mas ela sabia conduzir muito bem aquela dança sensual feita com as bocas. Sua língua vagava por todos os lados dentro da minha boca, seus dentes mordiam de forma agressiva os meus lábios e eu só sabia acompanhar e gemer baixinho, principalmente quando sua mão apertou forte minha cintura e de repente, tive certeza de que eu jamais voltaria à usar aquela calcinha. — Você é tão linda! — Aqueles olhos verdes intenso me fitaram. Luna acabou ficando vermelha, eu não sabia dizer se era pelo elogio ou pelo o que estávamos fazendo. — Você também é, Alie. — Ela deixou um selinho nos meus lábios. — Se eu estiver fazendo alguma coisa que você não fique confortável, me diga tudo bem? — Eu concordei com a cabeça. Ela me olhou mais uma vez e notei que aquele olhar poderia dizer qualquer coisa. Quando sua boca entrou em contato com a minha pele, eu perdi noção de absolutamente tudo. Seus lábios faziam trilhas da minha boca para o pescoço, do pescoço ao b***o e finalmente suas mãos entraram em ação e logo meu sutiã era um mínimo detalhe jogado ao chão junto à nossas roupas. Então, me lembrei que agora... Éramos apenas nós ali, ambas antes de calcinhas e sutiãs e agora, eu estava deixando exposto meus dois cravos que eu chamava de p****s. Certo, Alice. Isso não é hora para sentir vergonha! — Eu amo o fato deles couber com perfeição na minha boca! — A abusada sabia sobre minha insegurança com aquela parte do meu corpo, pois foi justamente onde ela se encantou logo. Sua boca entrou em contato com meu seio me fazendo revirar os olhos da mesma forma que sua língua fazia círculos no mamilo enquanto ela estimulava com a mão o outro. Ela chupava com força e devoção, minhas mãos foram parar em seu cabelo os puxando da mesma forma intensa que ela trabalhava em mim. Quando ela mudou de seio - porque ela mesma disse que ambos precisavam do seu trabalho -, acabou colocando uma de suas pernas entre as minhas próprias, sem querer ela acabou roçando no meu s**o e eu acabei gemendo com o atrito formado, ela pareceu notar meu desconforto e quando ia afastar sua boca de mim, eu quase à bati. Logo, ela voltou a me c****r e quando dei por mim minha cintura havia criado vida própria e se esfregava de forma vergonhosa em sua coxa. — Se você gozar dessa forma, serei obrigada à te fazer gozar uma segunda vez, porém será na minha boca. — Ela soltou meu seio e me encarou de forma séria. Vi um pouco de luxúria em seu olhar. E então ela sorriu. Delicada como um cavalo, Luna puxou minha calcinha para fora do meu corpo e eu protestei. — Porque apenas eu estou nua e você aí, ainda vestida? — Ela olhava para meu s**o enquanto eu falava, mas bastou que eu terminasse minha pergunta para Luna levantar rapidamente e ficar nua em segundos. Acabei gargalhando. — Problema resolvido, amor. — Sorri mais ainda com a denominação. Logo a boca dela estava no meu umbigo e eu senti a sua quentura se misturar com a minha. Quando ela finalmente entendeu que eu não duraria muito e chegou no meu s**o, Luna resolveu que seria uma boa brincar com meu c******s. Seus lábios macios sugavam enquanto sua língua o massageava, era como se ela estivesse me beijando, porém lá em baixo o que tornava tudo tão sensual. MISERICÓRDIA, que essa boca jamais deixe de tocar o meu corpo! Quando ameacei de fechar as pernas, já que eu sentia um reboliço se formar no meu corpo, apenas para aliviar aquela coisa porém Luna parecia atenta à me fazer sofrer por ansiedade e com a ajuda dos braços segurou minha pernas abertas me deixando bastante exposta. Sua língua desceu para minha entrada e de alguma forma que eu não consigo explicar, ela simplesmente me penetrou e eu não consegui segurar aquela sensação de se estar flutuando embora eu ainda sentisse minhas costas sobre o colchão macio do meu quarto. Liberei um líquido que só pude perceber que esguichou no queixo de Luna por que me apoiei sobre os cotovelos, as esferas esverdeadas pareceram dilatar e logo ela fez questão de sugar tudo o que eu havia lhe servido, porém houve uma coisa em especial que me fez perder à pouca força que havia me restado; um pouco do meu g**o havia escorrido pra baixo... Lá em baixo, e Luna como a boa sem vergonha que era passou a língua por aquele buraco intocável me encarando nos olhos. O gesto foi tão gostoso que eu já me encontrava acessa e pronta para uma segunda rodada. — Você é muito gostosa! — Ela disse subindo sobre o meu corpo, suas pernas se enroscaram nas minhas e ela manteve a coluna ereta e eu senti o choque que nossos sexos tiveram. — Billy só pode ter sido um b****a por não ter notado o quão gostosa você é. — E então começou a rebolar, eu gemia alto. Sabia que qualquer pessoa à menos de um quilômetro dali poderia está nos ouvindo. Porém, Luna era tão inteligente que a mesma havia trazido um DVD pornô e colocado no repeat no último volume apenas para o caso de um dos meus tios chegassem perto, já que foi tia Dinah quem havia dado de presente à ela pra aprender como fazia. Vi o queixo dela brilhar ainda com o meu g**o e senti vontade de beija-la. Foi o que eu fiz quando a puxei com tudo para cima de mim e enquanto ela rebolava em cima de mim, eu mesma fazia questão de c****r sua língua e minhas unhas arranhar suas costas apenas para que ela estivesse tendo noção do quão bom aquilo estava. — E-eu vou gozar. — Ela disse entre arfadas. — Goza pra mim. — Disse baixinho e ela me encarou. — Goza c-comigo... — Timidez? Pra que serve? E então ela pareceu atender o meu pedido e eu não sei quanto tempo levou, apenas beijos, arfadas, gemidos e gritos de prazer depois nós estávamos jogadas uma em cima da outra completamente sem roupa e ainda ofegantes. Luna era simplesmente incrível e eu me perguntava à todos os instantes o porquê não tinha pedido aquilo antes para ela. — E agora? — Eu perguntei por curiosidade. — Agora nós iremos desligar aquele aparelho e tratar de encher esse quarto com aromatizador porque caso tia Lo sentir o cheiro, eu sou uma garota morta! — Acabei rindo. — Você rir porque sabe que no mínimo você ficará de castigo! — Medrosa! — Disse me virando quando ela se levantou. — Medrosa nada, sua i****a! — Ela me jogou um dos travesseiros. — Levante logo, c****a. Troque esses lençóis pra que possamos ter mais uma rodada no banheiro! Gargalhei. — Você não cansa? — Perguntei testando minhas pernas antes de me colocar em pé. — De você, jamais! — Ela olhou sobre o ombro pegando a calcinha que antes ela usava e fazendo uma careta. — Ew. — ri mais um pouco ao jogar um robby à ela. — Além do mais, essa sua b***a é muito linda para que eu não tenha ela contra aquele vidro do box, você não sabe quantas coisas já pensei em fazer ali. — Que horror, sua b****a! — Foi a vez dela sorrir ao dar de ombros. — Não demora, fiquei curiosa! — Estamos apenas começando, Alie..." Lembrar disso me fez ficar confusa sobre meus sentimentos e emoções, Luna era importante demais para mim e tinha um lugar muito especial no meu coração. Da mesma forma que Bree também havia se tornado especial. A dor sumiu de novo embora eu tivesse me acostumado a ela. Eu estava.. eu, eu estava morrendo... Quanto tempo havia passado? Minutos ou segundos? A dor tinha ido embora. Névoa. Eu não podia sentir. Eu não podia enxergar, também, mas eu conseguia escutar. Havia ar nos meus pulmões de novo, como bolhas ásperas subindo e descendo na minha garganta. - Você fica comigo agora, Alie! Você tá me ouvindo? Fica! Você não vai me deixar! — Eu não conseguia diferenciar as vozes. — Mantenha seu coração batendo! Luna? Luna estava ali, tentando me salvar. Claro, eu queria dizer pra ela. Claro que eu manteria meu coração batendo. Eu não tinha prometido pra elas duas? Não, né? Eu tentei sentir meu coração, encontrar a pulsação, mas estava perdida no meu próprio corpo. Eu não conseguia sentir as coisas que eu deveria, e nada parecia estar no lugar certo. Eu pisquei e encontrei meus olhos. Eu podia ver a luz. Não era o que eu procurava, mas era melhor que nada. Enquanto os meus olhos lutavam pra se ajustar, minha cabeça parecia funcionar de forma diferente, me levando dali para mais um lugar desconhecido. "... Estávamos na sala da minha avó, minhas mães e as mães de Luna haviam saído para caçar, meu avô estava no hospital enquanto minha avó cuidava de alguma coisa no seu jardim. Tenho certeza de que tia Normani e Dinah haviam sido arrastados por tia Alice e Troy para qualquer shopping Center de Seattle. Respirei fundo mais uma vez quando vi o olhar rubro que Bree me enviava. Em segundos, ela estava ali do meu lado. Parada de frente à grande janela de vidro vendo Adam se divertindo com Luna. Eles pareciam tão felizes, Luna parecia contente com a ideia de agora ter um cara. Será que eles estão juntos? Ela não me disse nada. Aquilo não me agradava, de alguma forma. — Como se sente? — Bree perguntou. — Bem. — disse desanimada. — Certeza? — Olhei para ela tentando entender onde ela estava querendo chegar. — Por que não estaria? — Embora Bree tivesse todo um lance s****l e sombrio onde a maioria das vezes eu terminava trancada no meu quarto tentando fingir que ela não tinha me deixava excitada, às vezes, ela me irritava. — Faz alguns minutos que você está ai olhando meu irmão e a namorada dele. — Meu maxilar travou e eu engoli em seco. — Me pergunto como um b****a como o Adam conseguiu alguém como ela, olha que maravilha de garota é ela? — A forma como Bree falava, me fazia repudiar seus pensamentos. Eu sabia que ela olhava pra Luna de uma forma diferente, da mesma forma que Adam também olhava. Eles sempre estavam por aí observando nós duas, outro dia mesmo mãe Lo havia comentado que se sentia um pouco incomodada com os olhares que recebíamos. Se não fosse por mãe Camz que revirou a mente de cada um dos dois, talvez, eles já não estivessem aqui. — Por que você está aqui? — Perguntei enfurecida. — Eu não estou entendendo onde você está tentando chegar! — Disse de uma vez. Um rosto tão lindo, que falava tanta merda.Talvez fosse um desperdício ter um crush nela. — Já imaginou ela e ele juntos? — Fiquei incrédula quando encarei seus olhos. — Tipo, já imaginou como ela ficará depois que meu irmão levá-la pra cama? Toda machucada e dolorida por que foi fodida à noite toda, sem pausas e sem cansaços. — Ela sussurrou a última parte no meu ouvido e eu senti meu corpo arrepiar e a calcinha molhar. Puta que pariu, Alice! Olha a depravada que você foi ficar afim?!? — Imagine, Alie.. Permita que você veja a sua melhor amiga sendo fodida pelo meu irmão... — Eu não sabia o que estava acontecendo, mas era como se a voz de Bree tivesse me levado diretamente para a cena e eu senti uma raiva misturada com um prazer intenso. — Agora imagina você entre eles dois, imagina ela chupando sua b****a enquanto meu irmão fode ela com tudo... — Minha garganta secou e o calor só aumentou dentro do meu corpo. — Agora feche seus olhos e permita que eu mude um pouco as coisas, me imagina entre tudo isso, me imagina fodendo você enquanto meu irmão come sua amiga e então você beijando ela tentando impedir que os gemidos fiquem altos demais e acabem incomodando outras pessoas... Você se sente quente, né? Eu consigo sentir o cheiro da sua excitação e minha calcinha molha cada vez mais que eu te imagino com as pernas em volta do meu pescoço... — Lice? — A voz da minha avó fez com que eu me assustasse. Engoli em seco quando me virei e notei que ela encarava Bree de uma forma estranha e depois olhou para mim. — Você está bem? — Eu não conseguia responder. — Me parece um pouco vermelha... — E-eu... — Não sabia nem o que dizer, será que ela ouviu tudo aquilo? — Sim, vou pra casa... Me virei deixando minha avó e Bree sozinhas, mas antes percebi que além da minha avó, Luna também me encarava de forma estranha e Adam estava com o mesmo olhar que eu encontrei em Bree..." A escuridão invadiu meus olhos mais fortemente que antes. Como uma cegueira, firme e rápida. Cobrindo não apenas os meus olhos, mas a mim completamente, com um peso esmagador. Era cansativo lutar contra aquilo. Eu sabia que seria fácil demais me render. Deixar a escuridão me esmagar, me levar pra um lugar onde não haveria dor, cansaço, preocupações ou medo. Se fosse apenas eu, eu não seria capaz de resistir por muito tempo. Eu era apenas humana, com nada mais que força humana. Eu vinha tentando lidar com o sobrenatural há muito tempo, como Luna disse. Mas não era apenas eu. Se eu tivesse feito a coisa mais fácil agora, deixado o vazio n***o me extinguir, eu machucaria minha família. Bree. Luna. A minha vida e a delas se tornaram uma coisa só. Acabe com uma, e então, os duas acabam. Se ela tivesse ido embora, eu não seria capaz de sobreviver. Se eu tivesse ido, ela não sobreviveria, também. Um mundo sem Bree ou Luna era completamente vazio. Elas tinham que existir. Luna - que disse adeus pra mim várias e várias vezes, mas sempre voltada quando eu precisava. Luna, que eu tinha magoado tantas vezes, um crime. Eu a magoaria de novo, ainda mais profundamente? Ela ficou aqui por mim, apesar de tudo. Agora, tudo o que ela pediu era que eu ficasse por ela. Mas estava tão escuro que eu não podia ver nenhum delas. Nada parecia real. Isso fez ser mais difícil não desistir. Eu continuava me empurrando pela escuridão, embora quase num reflexo, eu não estivesse tentando levantá-lo. Eu estava apenas resistindo. Não permitindo que ele me esmagasse completamente. Eu não era um Atlas, e a escuridão parecia pesada como um planeta; eu não conseguia carregá-la. Tudo o que eu podia era não ser completamente envolvida. Era como um modelo pra minha vida - eu nunca foi forte pra lidar com coisas fora do meu controle, atacar inimigos ou fugir deles. Evitar a dor. Sempre humana e fraca, a única coisa que eu sempre fui capaz era de continuar no que eu me propunha. Suportar. Sobreviver. Tinha sido o suficiente até esse momento. Teria que ser o suficiente hoje. Eu suportaria até que a ajuda chegasse. Eu sabia que Lauren estaria fazendo tudo o que ela podia. Ela ou Camila não desistiram​. Nem eu. Eu tinha domado a escuridão da não-existência por centímetros. Não era o suficiente - aquela determinação. Enquanto o tempo passava, a escuridão retornava o poder, eu precisava tirar forças de alguma coisa. Eu não podia sequer imaginar o rosto das minhas mães. Nem de Luna, Bree, Normani, Dinah, Meus avós ou Adam, nada. Isso me horrorizou, e eu me perguntei se era tarde demais. Eu senti que estava escorregando - não havia nada a que eu pudesse me agarrar. Não! Eu tinha que sobrevive a isso. Mamães dependia de mim. Luna. A minha família toda dependia! E então, embora eu ainda não conseguisse ver nada, de repente eu podia sentir alguma coisa. Como braços fantasma, eu supus que eu podia sentir meus braços de novo. "... Tudo em minha volta era a escuridão, eu não conseguia entender onde estávamos exatamente, mas eu me sentia diferente. — Mãe, onde estamos? — Mãe Camz sorria. — Sua mãe acha que é uma boa fazer uma trilha com você! — Ela deu de ombros. — Ela disse que isso vai fazer com que você tenha uma noção de como uma floresta é. Um pouco mais a frente, estava mãe Lo com uma bolsa de ursinho em suas costas. Eu deveria ter uns 10 anos e me sentia a garota mais feliz por estar fazendo algo legal com minhas mães. — Por que estamos nessa floresta, não sabia que haviam floresta no Texas. — Comentei. — Há muita coisa que você não sabe, filha. — Lo parou de caminhar e se virou para nós duas. Mãe Camz segurava uma de minhas mãos para que eu não caísse e acabasse me machucando. — Por isso estamos te ensinando aos poucos, em breve os primeiros raios do sol irão começar a surgir e acho que você vai gostar do que irá ver. Eu fiquei alegre. Eu não conseguia saber o porquê, mas eu me senti bem ao saber que elas confiavam em mim para compartilhar aquelas pequenas coisas que mamães como elas compartilhavam com filhas como eu. — Vai demorar muito? — Perguntei não contendo a ansiedade dentro de mim. — Você precisa respirar com calma, não queremos que você tenha uma crise de asma aqui, tudo bem? — Mãe Camz disse me olhando séria. Eu apenas concordei por que não queria ter uma crise ali. Não queria estragar tudo e fazer com que voltássemos pra casa logo. — Eu tô calma. — Eu disse para elas, mesmo que elas soubessem que eu não estava. — Pode estender a toalha? — Mãe Lo perguntou à ela que prontamente concordou sorrindo e depois que tudo estava pronto, ficamos ali. No meio da floresta olhando para cima esperando os primeiros raios do sol que apareceriam em breve. Minhas mamães me contaram várias histórias sobre lobos e vampiros que se reuniram para salvar uma garota que precisava ser resgatada já que um vampiro m*l tinha à sequestrado. Mamãe Lolo também me contou sobre uma história de amor triste, eu deixei cair uma lágrima quando ela me contou que havia uma garota que amava outra garota que não lembrava que amava a primeira garota. Foi confuso, mas eu tinha entendido. Até que depois de um tempo, eu senti minhas pálpebras pesadas e eu vi. O primeiro raio de sol atingiu o rosto da mamãe Lo e foi incrível. Seus olhos verdes estavam brilhantes demais, não só eles como o resto do seu corpo. Era como se pequenos diamantes tivessem cravados em cada cantinho de sua pele. Eu queria aquilo pra mim também..." Mais quente. Desconfortável agora. Muito quente. Muito, muito quente. Como pegar no lado errado de um ferro de passar - minha resposta automática foi tentar tirar aquilo do meu braço. Mas não havia nada em meus braços. Meus braços não estavam apoiados no meu peito. Meus braços eram coisas mortas, jogadas em algum lugar ao meu lado. A quentura estava dentro de mim. A queimação aumentou - aumentava ao máximo e depois aumentava mais até que ultrapassasse pra algo que eu jamais senti. Eu senti o pulse sob o fogo crescente no meu peito e eu vi que havia encontrado meu coração de novo, no momento em que eu desejava jamais tê-lo feito. Desejava que eu tivesse abraçado a escuridão enquanto eu tive a chance. Eu queria levantar meus braços e abrir o meu peito e tirar meu coração de lá - qualquer coisa pra parar com essa tortura. Mas eu não sentia os meus braços, não podia mover sequer um dedo. Era como boiar numa piscina de água gelada. Eu preferia aquilo, mil vezes. E seria grata. O fogo ficava mais quente e eu queria gritar. Implorar pra que alguém me matasse agora, antes que eu vivesse mais um segundo naquele sofrimento. mas eu não conseguia mover meus lábios. O peso ainda estava ali, me esmagando. Eu percebi que não era mais a escuridão pesando; era o meu corpo. Muito pesado. Me consumindo em chamas que se diriam pro meu coração agora, espalhando uma enorme dor nos meus ombros e estômago, escolhendo seu caminho pela minha garganta, indo pro meu rosto. Por que eu não conseguia me mover? Por que eu não conseguia gritar? Isso não fazia parte das histórias. Minha mente estava insuportavelmente clara - possibilitada pela dor feroz - eu vi que as respostas quase ao mesmo tempo em que formulei as perguntas. A morfina. Parecia que tinha sido há milhões de anos atrás que nós tínhamos conversado sobre isso - Mamãe lo, Vô Mike, Luna e eu. A hipótese de em algum tempo, sermos transformadas. Lauren e Michael esperavam que remédios pra dor ajudassem a combater a dor do veneno. Vô Mike tentou com tia Dinah, mas o veneno queimou o medicamento, selando suas veias. Não houve tempo pra que ele se espalhasse. Eu mantive o meu rosto suave e concordei, me sentindo um lixo por saber que minhas mães poderiam ler minha mente e saber que eu estava ali sofrendo sem que elas pudessem fazer nada para mudar. Porque eu tinha veneno e morfina, juntas, no meu corpo antes, e eu sabia a verdade. Eu sabia que o torpor do medicamento era completamente irrelevante enquanto o veneno percorria minhas veias. Mas eu não mencionaria esse fato. Nada que fizesse elas mais indispostas a me transformar. Eu não pensei que a morfina fosse ter esse efeito - que me deixasse mais lerda. Me deixasse paralisada enquanto eu queimava. Eu sabia das histórias. Eu sabia que Vovô Michael teve que ficar quieto o bastante pra evitar ser descoberto enquanto ele queimava. Eu sabia que, de acordo com tia Mani, não melhorava gritar. Eu esperava conseguir ser como o vovô. Que eu pudesse acreditar nas palavras de tia Mani e manter a minha boca fechada. Porque eu sabia que cada grito que saísse da minha boca iria atormentar mamãe Lo. Agora parecia uma piada terrível, que eu estivesse finalmente tendo o que Luna queria. Se eu não conseguia gritar, como eu diria a elas pra me matarem? Tudo o que eu queria era morrer. Nunca ter nascido. Toda a minha existência não pesava mais que essa dor. Não valia a pena viver nem por mais uma batida do coração. Me deixe morrer, me deixe morrer, me deixe morrer!! E, por um espaço de infinito, aquilo era tudo. Só a intensa tortura, meus grunhidos inaudíveis, implorando pra que a morte viesse. Nada mais, nem mesmo tempo. E aquilo era infinito, sem apelações e sem fim. Um momento infinito de dor. A única mudança veio quando, de repente, meu sofrimento foi dobrado. A parte de baixo do meu corpo, anestesiada antes mesmo da morfina, repentinamente começou a queimar também. Alguma parte quebrada tinha se colado - unidas pelas brasas do fogo. O fogo infinito aumentava. Pode ter durado segundos ou dias, semanas ou meses, mas eventualmente, o tempo parecia dizer algo de novo. Três coisas aconteceram juntas, crescendo individualmente de modo que eu não soubesse o que tinha vindo primeiro: o tempo voltou, o poder da morfina passou, e eu fiquei mais forte. Eu podia sentir o controle do meu corpo voltando pra mim com incrementos, e esses incrementos eram o que faziam o tempo passar. Eu sabia disso quando eu fui capaz de mexer meus dedos do pé e fechar as mãos. Eu sabia disso, mas não fiz. Embora o fogo não tivesse diminuído sequer um grau - na verdade, eu comecei a desenvolver uma nova capacidade de tolerar isso, uma sensibilidade em apreciar, separadamente, cada gota de fogo que corria pelas minhas veias - eu descobri que podia pensar naquilo. Eu podia lembrar porque eu não devia ter gritado. Eu podia lembrar porque eu me comprometi a suportar a insuportável agonia. Eu podia lembrar que, embora isso parecesse impossível agora, havia algo que valeria a pena a tortura. Isso aconteceu na hora certa pra mim, quando o peso deixou o meu corpo. Pra qualquer um que estivesse me vendo, não haveria nenhuma mudança. Mas pra mim, que lutei pra manter os gritos e dores dentro de mim, onde eles não magoariam ninguém, pareceu que eu tinha me libertado da estaca a qual eu estava amarrada e queimando, me agarrei àquela estaca pra me suportar naquela chama. Eu tinha força suficiente pra ficar deitada ali imóvel enquanto a vida queimava em mim. Minha audição foi ficando cada vez mais clara, e eu poderia contar as batidas frenéticas do meu coração, pra marcar o tempo. Eu poderia contar as respirações que ofeguei pelos meus dentes. Eu poderia contar os ruídos, até mesmo respirações que vinham de algum lugar perto de mim. Elas se moviam devagar, então eu me concentrei neles. Eles ficam a maior parte do tempo passando. Mais até que o pêndulo de um relógio, aquelas respirações me ajudaram a superar a queimação até o fim. Eu continuava a ficar forte, meus pensamentos mais claros. Quando nossos sons apareciam, eu podia escutar. Havia passos, o sopro do vento quando uma porta se abria. Os passos foram ficando mais perto, e eu senti a pressão contra o meu pulso. Eu podia sentir o dedos gélidos. O fogo apagou todas as memórias do frio. - Ainda não mudou? - Não. A suave pressão, respirando contra minha pele incandescente. - Não há nenhum um traço de morfina. - Eu sei. - Alie? Você pode me ouvir? Eu sabia, acima de qualquer dúvida, que se eu abrisse a minha boca, eu perderia - eu grunhiria e gritaria e me contorceria e debateria. Se eu abrisse meus olhos, se eu movesse sequer um dedo - qualquer mudança ficaria fora do meu controle. - Filha? Alice, amor? Você pode abrir seus olhos? Você pode apertar a minha mão? Pressão nos meus dedos. Era difícil não responder a voz, mas eu continuei paralisada. Eu sabia que a dor em sua voz não era nada comparada ao que ela poderia vir a sentir. Naquele momento tudo o que ela temia era que eu estivesse sofrendo. - Talvez... Michael, talvez seja tarde demais. - As voz de Luna amorteceu; e se quebrou na palavra tarde. Minha decisão oscilou por um instante. - Ouço o coração dela, Lu. Está mais forte que o de Dinah jamais esteve. Eu nunca ouvi nada tão vital. Ela vai ficar bem. — Ouvi um silêncio, meu avô parecia ter tranquilizado minha pequena garota. Sim, eu estava certa em ficar quieta. Michael tranquilizaria à todos. Ninguém não precisava sofrer comigo. - E a coluna dela? - Os ferimentos dela não eram muito piores que os de Clara. E o veneno vai cura-la assim como fez com sua mãe. - Mas ela está tão quieta. Eu devo ter feito algo errado. - Ou algo certo, Lauren. Filha, você fez tudo o que eu poderia ter feito e mais. Eu não sei se seria tão persistente, a fé que você teve. Pare de se culpar. Lice vai ficar bem. Um longo suspiro. - Ela deve estar em agonia! - Nós não sabemos disso. Ela tinha muita morfina em seu corpo. Nós não sabemos o efeito que isso vai ter na experiência dela. Um leve toque na parte de dentro do meu braço. Outro suspiro. - Alice, eu te amo. Alice, me desculpe. — Mãe Camz disse. Eu queria muito respondê-la, mas eu não faria a dor delas piorar. Não enquanto eu tivesse força pra me manter imóvel. Nisso tudo, o torturante fogo continuou me queimando. Mas havia muito mais espaço na minha cabeça agora. Espaço pra refletir sobre a conversa deles, pra lembrar do que aconteceu, pra pensar no futuro, e com espaço de sobra pra sofrer. Também, espaço pra preocupação. Onde estava meu Bree? Por que ela não estava aqui? Por que eles não estavam falando sobre ela? Por que agora eu não conseguia sentir o cheiro de Luna? - Não, eu vou continuar aqui! - Lauren suspirou, respondendo um pensamento. - Eles vão entender. - Uma situação interessante... - Michael respondeu. - E eu pensei que já tinha visto de tudo. - Eu vou ver isso depois. Nós vamos lidar com isso. - Alguma coisa apertou minha mão. Camila suspirou. - Eu não sei de qual lado ficar. Eu gostaria de bater em ambos. Bom, mais tarde. - Eu me pergunto o que Alie vai pensar - de qual lado ela vai ficar - Mamãe Camz meditou, ela parecia sorrir. Uma baixa, forte risada. - Eu tenho certeza que ela vai me surpreender. Ela sempre me surpreende. Os passos do meu avô desapareceram de novo, e eu estava frustrada que não houvesse maiores explicações. Ele estavam falando misteriosamente pra não me aborrecer? Eu voltei a contar as respirações de Luna pra contar o tempo. Oh, ela ainda estava aqui. Em algum lugar, mas ainda aqui. Dez mil, novecentos e quarenta e três respiradas depois, um diferente conjunto de passos percorreu a sala. Mais claras. Mais... ritmadas. Estranho que eu pudesse diferenciar as diferenças entre os passos que eu nunca fui capaz de ouvir antes de hoje. - Quanto tempo mais? - Não vai demorar muito agora - Tia Ally disse a Camz. Me assustei que ela estivesse aquele tempo todo em silêncio. - Está vendo quão clara ela está ficando? Eu consigo vê-la bem melhor. - Ela suspirou. - Ainda sentindo um pouco amarga? - Sim, obrigada por me lembrar disso - ela resmungou. - Você ficaria mortificada também, se você percebesse o que está presa por sua própria natureza. Eu vejo melhor os vampiros, porque eu sou uma; eu vejo bem os humanos, porque eu fui uma. Mas eu não vejo esse estranho por que eles não são nada que eu já tenha vivenciado. Bah! - Foco, Allyson! - Certo. Alice é quase fácil de ver agora. Houve um longo momento de silêncio, e então mamãe Lo suspirou. Era um som novo, mais feliz. - Ela realmente vai ficar bem. - ela respirou. - Claro que vai! - Você não estava tão otimista há dois dias atrás. - Eu não podia ver direito a dois dias atrás. Mas agora que ela está livre de pontos cegos, é muito fácil. - Pode ser mais precisa pra mim? No relógio - me dê uma estimativa. Ally suspirou. - Tão impaciente. Bom. Me dê um segundo – Respiração lenta. - Obrigada, Ally. - A voz dela estava radiante. Quanto tempo? Eles não poderiam ao menos falar alto pra mim? Era pedir muito? Quantos segundos mais eu queimaria? Dez mil? Vinte? Outro dia - oitenta e seis mil, quatrocentos? Mais que isso? - Ela vai ficar deslumbrante. — Luna disse. Lauren grunhiu silenciosamente. - Ela sempre foi. Luna bufou. - Você sabe o que eu quis dizer. Olhe pra ela! Ninguém respondeu, mas as palavras de Ally me deram esperança que talvez eu não me parecesse com o carvãozinho que eu estava me sentindo. Parecia como se eu fosse ser só uma pilha de ossos chamuscados agora. Todas as células do meu corpo foram reduzidas a **. Eu escutei o som de Ally saindo do quarto. Eu escutei o assoviar provocado pelo movimento dela, atritando nela mesma. Eu escutei o zumbido silencioso da luz do teto. Eu escutei o fraco vento passando do outro lado da casa. Eu podia ouvir tudo. Lá embaixo, alguém estava assistindo um jogo de baseball. Os Marines estavam ganhando por duas corridas. - É minha vez! - Eu ouvi Sofi resmungar pra alguém, e houve uma bufada em resposta. - Hey, vocês! - Taylor chamou a atenção. Alguém assoviou. Eu ouvi mais, mas não havia mais nada a não ser o jogo. Baseball não era interessante o suficiente pra me distrair da dor, então eu ouvi a respiração de Luna de novo, contando os segundos. Vinte e um mil, novecentos e dezessete segundos e meio depois, a dor mudou. No lado bom das coisas, começou a desaparecer da ponta dos meus dedos das mãos e dos pés. Desaparecendo lentamente, mas pelo menos era algo novo. Tinha que ser isso. A dor estava acabando... E então, a má notícia. O fogo na minha garganta não era como antes. Não estava só pegando fogo, mas queimando também. Seco como osso. Queimando com o fogo, queimando de sede. Mais más notícias: o fogo no meu coração ficou mais quente. Como aquilo era possível? Meus batimentos cardíacos, já muito rápidos, aceleraram mais - o fogo os levou a uma batida frenética. - Pai? - Mãe Lo chamou. Sua voz era baixa, mas clara. Eu sabia que Vovô Mike ouviria, se eles estivesse dentro ou perto da casa. O fogo parou de queimar minhas mãos, deixando-as felizmente sem dor e frias. Mas foi pro meu coração, que queimava tanto quanto o sol e batia num velocidade alta e feroz. Fui capaz de ouvir meu avô entrar no quarto, Tia Ally a seu lado. Os passos deles eram tão diferentes, eu podia até mesmo dizer que vovô estava à direita e um passo à frente de Ally. - Escutem! - Mãe Camz disse a eles. O maior barulho na sala era meu frenético coração, batendo em ritmo de fogo. - Ah! - Vovô disse. - Está quase acabando... Meu alívio em ouvir suas palavras foram encobertos pela excruciante dor em meu coração. Meus pulsos estavam livre e meus tornozelos também. O fogo tinha se apagado completamente neles. - Logo - Ally concordou rapidamente. - Eu vou chamar os outros. Eu deveria falar com eles...? - Sim, porém mantenha Luna longe. O que? Não! Não! O que ela queria dizer com manter Luna longe? O que ela estava pensando? Meus dedos se mexeram - a irritação quebrando a minha fachada. O quarto ficou em silêncio a não ser pela batida forte do meu coração enquanto eles todos pararam de respirar por um instante em resposta. Uma mão balançou caprichosamente os meus dedos. - Alie? Alice, filha? — Era minha mãe. Eu poderia respondê-la sem gritar? Eu considerei aquilo por um momento, e então o fogo ficou ainda mais quente no meu peito, drenando dos meus cotovelos e joelhos. Melhor não arriscar. - Eu vou subir com ela. - Ally disse, uma urgência em seu tom e eu ouvi o assobio do vento quando ela saiu. E então –oh. Meu coração ficou ainda mais rápido, batendo como se fossem hélices de um helicóptero, o som era quase de uma nota em sustenido; parecia que ia saltar pela minhas costelas. O fogo se concentrou no centro do meu peito, sugando as chamas remanescentes de outras regiões pra abastecer a já potente chama. A dor era suficiente pra me a****r, pra quebrar minha algema de ferro da estaca. Minhas costas se arquearam, como se o fogo estivesse me puxando pra cima pelo meu coração. Não permiti que outra parte do meu corpo quebrasse quando o meu tronco bateu de volta na mesa. Começou uma guerra dentro de mim - meu coração acelerado correndo contra o fogo. Ambos estavam perdendo. O fogo estava controlado, consumiu tudo o que era combustível; meu coração caminhava pra sua última batida. O fogo se restringiu, concentrando-se dentro daquele único órgão remanescentemente humano com uma final, insuportável onda. A onda foi respondida por um profundo e audível golpe. Meu coração vacilou duas vezes, e então bateu silenciosamente de novo só mais uma vez. Não havia som. Nem respiração. Nem mesmo minha. Por um momento, a ausência de dor era tudo que eu podia perceber. E então eu abri meus olhos e olhei por cima de mim, maravilhada. Até logo...
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