Pov Alice Cabello Jauregui
Quando eu era criança, uma das poucas memórias que eu guardo na cabeça é as das noites em que minhas mães e eu contavámos as estrelas. Eu deveria ter no mínimo uns 3 anos de idade e nem sei ao certo se deveria lembrar sobre coisas desse tipo, mas por incrível que pareça, eu lembrava.
Mãe Lolo me colocava em seus braços, depois de mãe Camz ter certeza de que eu estava devidamente protegida do frio, e juntas nós subiamos até o teto e elas me ensinavam à contar todas as estrelas que eu conseguisse, sempre que chegava em um determinado número, onde eu já não sabia a sequência, uma das duas me ajudavam e a brincadeira só era interrompida quando eu pegava no sono e na manhã seguinte acordava na minha cama. Eu não sabia explicar como essa mágica acontecia.
Depois que fui crescendo, eu tinha esses colapsos de memória e achava que tudo não fazia parte de uma mente imperativa e que por não ter muitos amiguinhos, sempre acabava inventando missões onde envolvesse saltos à mais de dez metros de altura, corridas que eu m*l conseguia entender o que se passava em nossa volta e grandes lobos que corriam atrás de qualquer graveto que eu jogasse. m*l eu sabia, é que aquela imaginação de uma criança solitária não se passava da mas pura verdade.
Agora eu estava aqui, com quase 17 anos de vida e mesmo com isso tudo acontecendo em minha volta, a única coisa que parecia me incomodar era a maneira que aqueles pares de olhos vermelhos me encaravam. Fazia um mês exatamente que Adam e Bree haviam se tornado os "primos distantes". Um mês desde que soubemos a verdade sobre nossa família. Um mês que Luna havia se tornado de vez, parte da minha família. Um mês que eu não conseguia dormir direito à noite.
E tudo isso porque?
Havia alguma coisa em Adam e Bree que me prendia à eles. Eu tentava evitar, me esquivar de qualquer coisa, mas sempre parecia que nossos destinos se esbarravam por aí e de alguma forma estranha, nós sempre acabavamos no mesmo lugar.
Eu só queria entender o que estava acontecendo comigo.
Adam era doce, delicado e brincalhão. Vivia fazendo piadas ao lado de Luna e tia Dinah, deixando tio Troy entusiasmado com os treinos. A forma que ele cativava as pessoas deveria ser considerado proibido. Ele tornava tudo ainda mais encantador do que o normal. Já Bree não, ela era misteriosa e cheia de raiva, sua aura parecia pesada demais para relis mortal como eu suportar. Tia Mani dizia que ela era perigosa para os humanos porque parecia não ter nenhum receio. Um completava o outro de forma distintas, não eram à toa que eram irmão gêmeos.
Eu soltei o ar dos meus pulmões e olhei mais uma vez para minha grande janela aberta. O clima lá fora estava fresco, eu sabia que minhas mães não estavam em casa porque antes de verificarem que eu estava bem, me avisaram que sairiam para caçar fora da cidade e que no amanhecer estariam de volta. Elas tinham ido juntas à Dinah, Ally e Normani. E eu agradeci por ter que me deixar sozinha em casa e não na casa dos meus avós como de costume. Olhei para meu pijama e vi que ele era inapropriado demais para que algum desconhecido o visse, mas na medida certa para que ela reparasse em cada curva que havia no meu corpo. Me levantei da cama com tudo e fui até meu banheiro ver se estava tudo bem com a minha aparência. Notei que meus cabelos estavam no lugar e que eu estava bonita daquela forma, sem maquiagens e com o rosto limpo. Certo, não fique nervosa Alice.
— É apenas uma pessoa normal! — Disse pra mim mesma enquanto voltava para o meu quarto.
— Não sabia que eu era uma pessoa normal pra você. — Ouvi aquela voz que me arrepiava toda e olhei alarmada para a poltrona que ficava ao lado da minha cama.
A pessoa que abalava minhas estruturas estava ali, sorrindo daquela forma perfeita como se não ligasse para os mortais e soubesse os impactos que me causaria.
— Você não deveria entrar assim no quarto das pessoas. — Tentei mudar de assunto enquanto ia para minha cama. Seus olhos vermelhos analisavam minuciosamente cada pequeno canto do meu corpo.
— Eu entro da forma que eu quiser em qualquer lugar. — Eu prendi a respiração ao ouvir aquilo. Aquela atitude prepotente me deixava cada vez mais... Excitada.
— Você sabe quem são minhas mães e mesmo assim não sente nem um pouco de medo? — Meu olhar à encarou por alguns segundos. Ela me encarava de uma forma que eu não conseguia corresponder aquele olhar.
— E porque exatamente eu sentiria medo? — Deu de ombros. — Se você não me quisesse aqui, já teria dito. Não estou te forçando à nada e você não é mais nenhum bebê. — Ela se pôs em pé, eu engoli em seco e senti meu s**o se contrair contra o nada, eu sabia que ela jamais me tocaria naquelas atuais condições e isso só tornava as coisas ainda mais difíceis de controlar. Eu sentia meus hormônios burbulhando dentro de mim, eu queria que ela me aliviasse de todo aquele tormento, mas ela sempre seria cínica o suficiente para parar quando eu estivesse quase implorando.
— Você precisa parar de me deixar assim. — Disse quase que em um sussurro.
Ela curvou seu corpo sobre minha cama e se aproximou de uma forma perigosa dos meus lábios. Com as mãos em cada lado do meu corpo, pude sentir o seu peso quase que perceptível sobre mim, ela sorria cada vez mais. Me deixando cada vez pior.
— Porque? — Seus lábios roçou nos meus. — Só porque sua calcinha está molhando?
Eu engoli em seco e ela aproximou seu nariz do meu pescoço, mas eu não tinha medo. Tinha aprendido à lidar com o frio na barriga sempre que ela fazia aquilo.
— Quem te garante que eu estou usando uma agora? — Provoquei.
Foi a vez dela parar.
— Não brinque comigo, Alice! — Ela alertou. — Você não sabe do que eu sou capaz...
Minhas mãos foram para sua cintura e minhas pernas se abriram, eu não sabia se ela estava pensando em meus atos ou não, só sei que o seu joelho foi parar bem no meio... Bem lá, onde eu mais precisava de alívio.
Eu acabei gemendo baixinho.
Eu nunca tinha me sentindo daquela forma antes.
Nem mesmo com um homem...
— É gostoso, né? — Ela mexia o joelho sobre o meu s**o de uma forma lenta, eu fechei os olhos. — Imagina quando for minha língua?
Meu coração parou de bater. Até que ela parou e em segundos, já estava sentada na poltrona novamente.
— Acho melhor parar, não é mesmo? — Sorriu e eu bufei indignada. — Ou nós paramos, ou seu coração pararia de bater. — Zombou de mim.
— SAÍ DAQUI AGORA, BREE!
...
Na manhã seguinte minhas mães estavam em casa, fiz questão de descer o mais cedo possível apenas para não deixar que mãe Lo entrasse no meu quarto, havia aprendido que vampiros tinham um olfato apurado demais e assim que ela soubesse que eu estava recebendo visitas noturnas, Bree e eu estaríamos muito encrencadas.
— Bom dia, mulheres da minha vida. — Cumprimentei elas assim que as vi no sofá, na sala. — O que temos hoje pro café? — Mãe Lo riu e olhou para mãe Camz.
— O que? — Olhei para as duas. — O que estou perdendo?
— Nada demais, apenas vamos para a casa da sua avó. — Por causa de Seth, sempre tem comida humana por ali.
Mãe Camz nunca chegava perto de uma cozinha, sempre quem cuidava da parte da minha alimentação era mãe Lo, agora eu entendia o porquê. Se havia alguém pior na cozinha do que tia Ally, esse alguém era mama Camila.
— Você está coberta de razão. — Mãe Lo disse e eu ri, foi a vez de Camila olhar para nós duas querendo saber sobre o que estávamos falando.
— Não me façam entrar na mente de vocês e descobrir do que estão tramando! — Revirei os olhos.
Depois do incidente sobre meus pensamentos em relação a Billy, minha mãe esclareceu que com seus dons mentais, ela conseguia criar um escudo mental na minha mente assim como fazia com Sofi e Tay, apenas para que tivéssemos um pouco de privacidade. Coisa que mãe Lo não dava brecha, mas entendiamos que era uma coisa que ela não fazia por m*l, mas as vezes... Sempre que elas resolviam... Sempre que elas transavam, mãe Camz esquecia de tudo e então o escudo acabava sumindo. Eis que foi aí que então, descobri o motivo para que elas estivessem daquele modo.
— Vamos embora de uma vez, logo. — Mãe Lo disse e então Camz pareceu entender sobre o que estávamos falando.
— Desculpe. — Disse vindo até mim.
— Sem problemas. — Disse seguindo o mesmo caminho que elas em direção à outra parte da minha família.
Como de costume, a casa dos meus avós sempre estava cheia aquela hora da manhã. Havia uma gritaria também, eu poderia até desconfiar disso, mas sabia que em algum lugar Luna e tia Dinah estavam quebrando alguns dos móveis favoritos e caros que tia Ally havia escolhido para fazer parte da casa.
— Eu vou m***r você, Dinah! — Tia Ally disse descendo as escadas, tio Troy vinha atrás dela rindo. — Eu só não faço nada com esse mini terrorista porque ela é adorável demais. — Ela se referiu à Luna.
Eu sabia que esse carinho que ela tinha todo por minha melhor amiga é porque Luna parecia ser a única que gostava das loucuras de tia Ally, sempre estava disposta à ir as compras com ela, vestir qualquer coisa que ela pedisse, parecia que Luna não tinha nenhuma aversão à moda ou exageros como o resto de nós.
— Você diz isso porque Normani e você querem transformar minha filha em uma cópia de vocês! — Dinah defendeu.
— Bom dia pessoas! — Mãe Lo disse e apenas tio Troy respondeu a saudação de volta, já que as outras ignoraram minha mãe. — Certo, aqui parece animado.
— Bom dia, Lauren. — Uma voz cordial disse do fim das escadas, eu engoli em seco e me virei ao notar quem estava ali. — Camila. — Adam acenou para minha mãe. — Alice. — Eu me senti nervosa, principalmente ao olhar Bree alguns degraus mais atrás de Adam.
— Bom é você.. não o dia. — Disse baixinho, mas assim que senti o olhar das minhas mães e de todo mundo em cima de mim me esqueci que eles eram capazes de me ouvir. Acabei corando. — Oh... Eu... — Fiquei sem palavras quando olhei para Bree e ela estava com uma sombrancelha arqueada. Filha da p**a! — Vovó? Estou com fome.
Ignorei eles e quase sai correndo para longe dali.
— Bom dia, vó! — Disse assim que notei que ela na cozinha. — Vocês não tem casa não? — Perguntei pra Seth e Luna que estavam sentados na mesa esperando minha avó colocar o café da manhã, que pelo cheiro senti que eram ovos e bacon. — Cadê as esposas de vocês pra alimenta-los?
Seth deu de ombros.
— Taylor está trabalhando no hospital com teu avó. — Ele explicou.
Depois de anos tentando encontrar algum sentindo sobre a eternidade, minha irmã mais velha disse que queria fazer algo útil do que existir. Se inscreveu em uma faculdade e acabou entrando e fez medicina. Se formou quando eu ainda era um bebê e desde então ela trabalhava como médica pediatra do hospital de Forks.
— Mãe Dinah nunca tentou fazer nada que fosse comestível. — Luna disse. E era verdade, Dinah era a cópia fiel de tia Ally nesse aspecto, não vejo minha minha em uma cozinha. — E eu moro aqui, meu bem! — Luna me olhou dos pés à cabeça sorrindo daquela forma de sempre. Foi impossível não lembrar de quando nós duas... Bom, é passado. — Sente aqui e vamos comer! — Essa garota de olhos verdes precisa parar de me deixar desorientada.
— Se vocês duas não fossem bastante amigas, eu até poderia desconfiar de um suposto romance. — Seth disse olhando para nós.
— Calado! — Luna e eu dissemos juntas. — Então, quando vocês vão me ensinar à luta? — Apenas ela continuou.
Minha avó Clara pareceu se assustar com aquela pergunta já que assim que ela ia colocando nossa comida nos pratos, a frigideira quase caiu de sua mão. Eu quase chorei com a hipótese da comida cair no chão.
— Porque você quer lutar? — Minha avó à olhou.
— Ué, acha que a vida de humana é fácil? — Luna perguntou para ela. — Acha que eu pretendo continuar humana com esse mundo? Vó, você precisa saber que agora que eu faço parte desse meio sobrenatural, não posso continuar indefesa. Eu tenho inimigos que dariam qualquer coisa pra colocar as mãos em mim. E nem estou falando da tia da copa porque aquela lá me odeia! — Fez uma careta com desdém, e Luna tinha razão, sempre que Dona Mary via ela parecia que ela via o demônio. — Mulher sem sentimentos, até parece que se me der bolinhos à mais vai fazer falta!
Seth segurou a risada, eu revirei os olhos.
— Se você está preocupada com sua segurança, saiba que estamos aqui para cuidar de vocês. — Tio Troy disse entrando. — Além do mais, eu sou melhor com lutas do que esse aí. Posso te ensinar se quiser!
— Eu ainda não acho que seja necessário ela aprender essas coisas. — Minha avó insistiu, eu apenas comia meu café da manhã.
— Mas vó, eu não pretendo ser humana pra sempre. — Eu me engasguei com a comida. — Mãe Dinah e eu estávamos conversando sobre isso outra noite...
— Dinah é louca, não leve o que ela diz muito à sério. — Tia Ally disse entrando na cozinha e ficando do lado de seu companheiro.
— Mãe Mani disse que não tem problemas com isso. — Ally ficou sem palavras. — Qual o problema com isso? Vocês não me querem do seu lado tipo, pra sempre?
Todos ficaram em silêncio.
— Não é extremamente assim. — Seth disse. — Da onde eu venho, nós protegemos os humanos dos... Vampiros. — Ele parecia fitar qualquer parte daquela cozinha, eu só comia. — Então, somos contra essas coisas, mas agora as coisas são diferentes. Você faz parte deles, apenas você e suas mães podem decidir isso!
— Levei muitos anos para ter uma filha... — Tia Mani disse entrando, assim que vi minhas mães entrando atrás dela, soube que aquilo seria uma reunião de família. — Não será por uma regra escrota de lobisomens que irá me impedir de fazer o que for preciso pra ter Luna pra sempre comigo! — Minha tia abraçou minha prima, olhei para minhas mães e notei que apenas mãe Lo parecia incomodada com aquilo.
— Como é a transformação? — Eu perguntei olhando pra ela.
— Dolorosa. — Foi mãe Camz quem disse. — Eu não sei descrever direito, mas você não tem que se preocupar com isso.
— E se eu também quiser ser como vocês? — Perguntei por curiosidade, eu nunca tinha despertado interesse por isso antes, sei lá.. talvez eu devesse começar a pensar em um talvez..
— Você não vai querer isso! — Foi Lauren quem disse.
— E porquê? — Dei réplica.
— Porque eu não quero! — Ela parecia perder a paciência. Aquilo me deixou intrigada, minha mãe nunca falava comigo daquela forma.
— Isso não é você quem escolhe! — Eu respondi de forma grosseira. — É sobre mim! Eu escolho o que é certo ou não!
Lauren riu de forma amarga.
— Da mesma forma que escolheu com seu namoradinho? — Me lembrou de Billy, sabia que chegaria um momento em que ele seria lembrado. — Da mesma forma que disse que ele era o amor da sua vida? Qual é, você é nova pra saber sobre o amor. É nova pra saber sobre suas escolhas, você tem muita coisa pra viver ainda, não precisa perder tempo com a eternidade!
— Lo, fica calma! — Mãe Camz tentou ficar entre nós duas. — Alie tem razão.
— Não, Camila! Eu não quero que minha filha seja como nós. Ela precisa ter uma vida boa, precisa crer em algo, gostar de alguém normal, casar e ter filhos, envelhecer da forma que nós não podemos!
— E morrer! — Camila olhou para ela. — Eu não quero ter que perder minha filha porque você está sendo estúpida demais com algo banal.
— Estúpida, Camila? — Mãe Lo quase gritou. — Olha só o que você está falando! Achei que esses seus conceitos sobre humanos tivessem mudado desde que encontramos ela naquela floresta! É uma vida, não qualquer animal que você encontra e mata por prazer!
— Eu não vou discutir com você sobre isso! — Mãe Camz avisou. — Eu não quero ter que dizer coisas que vou me arrepender depois. — E então, Camila simplesmente me olhou, em seus olhos eu via um pedido mudo de desculpas mesmo sabendo que ela não tinha culpa de absolutamente nada. E do nada, ela correu para fora de casa deixando todos à sós com o silêncio que permaneceu.
— Olha o que você fez! — Tia Ally disse olhando pra mãe Lo. — Você é i****a ou se faz, Lauren? Porque p**a que pariu... Olha só a m***a que você fez! — Lauren pareceu ficar assustada pela maneira que a baixinha falou.
— Você viu algo sobre ela? — Todos olhamos para tia Ally. Logo ela negou com a cabeça.
— Não com Seth aqui! — Ela estava nervosa. — m***a, odeio quando quero saber das coisas e não posso.
— Mas é uma fofoqueira mesmo. — Seth disse e Luna gargalhou. Me levantei empurrando meu prato para longe de mim, tinha perdido à fome.
— Onde você vai? — Mãe Lo me perguntou. Olhei para ela por cima do ombro.
— Pra qualquer lugar. Ultimamente você está me decepcionado demais, mãe.
Aquilo pareceu deixar ela sem palavras, eu apenas aproveitei a deixa e saí dali o mais rápido que conseguia. Quando já estava do lado de fora, no jardim da minha avó, pude ver Adam e Bree treinando ali.
— Onde você vai? — Adam perguntou assim que fui em direção aos carros da minha família, eu sabia dirigir mesmo que não tivesse carteira de motorista. Tia Dinah tinha me ensinado nas noites em que minhas mães estavam caçando.
— Dar uma volta, quer vir? — Perguntei por perguntar.
Quando Adam não estava tentando algo comigo ele era um cara legal, mas eu sabia que Luna tinha uma queda por ele, da mesma forma que ela tinha uma queda por Bree. Revirei os olhos ao pensar nisso, Luna me mataria quando descobrisse sobre Bree e eu.
— De carro? — Ele perguntou receoso. Olhei para trás dele e notei que Bree parecia incomodada.
— Qual o problema, Adam? — Eu já estava impaciente porque sabia que minha mãe estava de olhos em nós.
— Nenhum, só tenho em mente um modo mais rápido e melhor de te levar no lugar que você quiser. — Eu sabia que ele falava com duplo sentido, mas no momento eu só queria sair dali.
Olhei para onde os carros luxuosos estavam e dei de ombros. Esqueci até de Bree naquele momento, apenas me aproximei de Adam que sorrindo se virou de costas e eu peguei impulso para subir ali e em segundos nós já corriamos para o mais distante da área onde moravamos.
Eu adorava aquela sensação de liberdade, adorava aquele vento no rosto, mas eu nunca tinha parado para pensar em viver daquela forma, até aquele momento. Mas eu não queria pensar em um futuro onde eu não fosse delas, onde eu teria que envelhecer com alguém normal e ver que para elas, nada tinha mudado. Eu sabia que fazer aquela escolha seria difícil para todos, mas era o meu destino. Eu queria qualquer coisa, contando que eu estivesse elas duas do meu lado.
Eu amava minhas mães, mesmo uma delas sendo idiotas em alguma parte do tempo. Assim que Adam parou, eu desci de sua costa e olhei em volta, eu nunca tinha saído das redondezas da cidade com minhas mães ou tios.
— Onde estamos? — Perguntei confusa.
— Fora da península Olímpia. — Abri meus olhos, então nós estamos muito longe de casa. — Calma, você não precisa ficar dessa forma, só estamos longe um pouquinho. Daqui à pouco podemos voltar.
— Minha mãe vai me m***r! — Dei voltas e voltar naquela parte da floresta. — Porque me trouxe aqui?
Ele deu de ombros.
— Não sei, você disse que queira dar um tempo. Lauren não irá fazer nada, você está comigo. Então está segura!
Eu queria acreditar naquilo. Ele me puxou até uma parte onde a grama cobria tudo, a área era limpa e o sol parecia conseguir tocar o chão mesmo com todas aquelas árvores enormes que tinham ali.
— Deita aqui comigo! — Ele se deitou ali, eu fiquei receosa.
Adam poderia ser um deus grego petrificado, mas ele não era o gêmeo que fazia meu coração bater mais forte. Apenas me sentei no lado dele, se eu deitasse iria me sentir estranha, como se estivesse traído Bree mesmo que não tivéssemos nada juntas.
— Vocês nunca contaram como foram transformados. — Olhei para qualquer lugar onde eu não tivesse que encarar aqueles olhos vermelhos.
— É complicado. — Ele disse. — Faz alguns anos já, uns 50 eu acho. — Na teoria, ele ainda era um recém criado? Não era perigoso aquela minha aproximação com ele? Eu senti um medo do cão agora. — Bree e eu estávamos andando pela floresta tentando encontrar algo pra comer quando encontramos um cadáver frio na trilha de volta, Bree me disse pra não mexer, mas eu era curioso demais e vi que o cadáver não tinha nada de morto e nos atacou. — Olhei para ele. — O final da história você sabe, estamos aqui agora e...
— Vocês irão morrer! — Alguém disse e tanto Adam quanto eu, fomos pegos desprevenidos. — Que tipo de vampiro não nota o inimigo se aproximando?
Adam logo estava em pé na minha frente, por cima do ombro dele, notei seis vampiros prontos para atacar.
— Quem são vocês? — Adam perguntou.
— Do que isso importa? — Um deles disse. — Você vai morrer de qualquer forma!
E então, eles atacaram ao mesmo tempo, Adam me empurrou para longe e eu acabei caindo de costas contra uma árvore, senti meus ossos estalar com o impacto e acabei gemendo alto de dor. Deveria ter quebrado alguma costela, abri meus olhos que já estavam marejados pelas lágrimas e notei que Adam tentava se livrar de alguns dos vampiros, ele tinha marcado dois arrancando suas cabeças, porém ainda tinham quatro para o meu desespero.
Eu estava com dificuldades de respirar.
Um dos vampiros sentiu o cheio do meu sangue que escorria pela minha cintura já que um galho havia perfurado ali, logo fez questão de se aproximar e eu soube bem que morreria ali mesmo.
— SOLTE ELA! — Adam berrou assim que o vampiro tocou meu braço, olhei desesperada para Adam e ele estava sendo preso por outros dois vampiros enquanto o terceiro apertava fortemente a cabeça dele, eu começava a ver o pescoço dele se rachando aos poucos. — Por favor, solte ela!
— Um vampiro namorando uma humana? — O vampiro que me segurava disse, seus dedos frios percorreu por minha cintura e levou o seu dedo que estava sujo de sangue até sua boca, ele fez um som nasal como se estivesse degustando do meu sangue e eu tremi. — Essa história me parece familiar demais.
— Como será que ele ficará ao ver sua namoradinha ser morta? — Um dos vampiros que segurava o braço de Adam perguntou.
— Vamos ver. — E então eu senti a dor insuportável quando aquele filho da p**a mordeu meu pulso.
Aquilo queimava, ardia. Era como se houvesse um veneno dentro da minha corrente sanguínea e eu soube que assim que ele parasse de drenar meu sangue, eu estaria morta.
— p**a m***a, Alice! — Alguém disse, mas eu já não sabia dizer quem era. — Tu só faz m***a!
E então, senti o vampiro ser arrancado do meu corpo. Eu ainda estava tonta, não sabia dizer quem era inimigo e quem queria me m***r. Na verdade, todos ali queriam me m***r. A dor era tanta que eu apenas desmaiei, abracei a morte e pareceu que finalmente eu teria sossego.
Bree Estrabão Pov
Eu sabia que Adam não conseguiria proteger Alice. Eu mataria eu mesma esse infeliz!
Porém, eu ainda não era rápida o suficiente para impedir que aquele desgraçado de morder minha garota. Assim que a vi, jogada naquele chão, mais pálida do que Lauren eu soube que não teria volta. Arranquei a cabeça do vampiro que mordia ela e quase deixei que aqueles três matassem meu irmão.
Eu tinha que levar Alice para casa. Porém, meus laços fraternos falou mais forte e eu ainda matei mais dois vampiros deixando Adam fazer o que quisesse com o último. Peguei Alice nos braços e corri o mais rápido que podia de volta pra casa sem ao menos dizer nada para Adam.
Eu estava desesperada, se eu pudesse chorar com certeza estava o fazendo. Eu ouvia o coração de Alice parar aos poucos, eu estava perdendo minha menina. Isso era tão injusto quando eu finalmente tinha ela para mim!
Adam me pagaria por ter sido um e******o.
Eu estava tão perto de casa quando ouvi seu coração parar de bater, eu sabia que em breve os lobos e o resto de sua família estaria ali, principalmente pelo forte cheiro de sangue.
— Meu amor, por favor... Por favor, Alie. — Coloquei ela com cuidado no chão, eu tinha que dar um jeito de trazer ela de volta. — Não vai, por favor... — Minha única alternativa foi começar a morder por todas as partes do pequeno corpo frágil, ela se remexia com a forma desesperada que meu veneno entrava nela, eu fazia questão de aplicar saliva suficiente em seu machucado da cintura para que agisse de forma mais rápida, quando pensei em morder sobre seu coração senti um impacto forte no meu corpo e em segundos fui arremessada.
Quando notei para qualquer coisa que tinha me atingindo, notei que era um daqueles lobos amigos de Alice. Ele rugia furioso, sabia que qualquer passo em falso ele me atacaria, mas eu não podia deixar que Alice morresse daquela forma.
Eu precisava dela.
— Você precisa me deixar levar ela até Lauren! — Eu disse desesperada.
Até tentei andar, mas o lobo avançou com tudo e eu consegui empurra-lo de cima de mim, aproveitei aquela distração, mas Lauren chegou em segundos.
Inferno de mulher!
— O que você fez com a minha filha? — Ela chegou próxima de mim. — Eu vou te m***r, sua...
— PARE! — meu irmão gritou. — Bree apenas está tentando salvar Alice.
Logo, Camila e toda a tropa estava ali. Porém, já era tarde demais e o coração de Alice havia parado.
— Lauren? — Camila disse de forma desesperada. — O coração dela...
Eu engoli em seco, eu não me importava se eles queriam me m***r ou não, depois que eu tinha conhecido Alice notei que minha existência não fazia nenhum sentindo se eu não tivesse ela do meu lado. Se ela havia ido embora para longe de mim, a única coisa que me restava era fazer o mesmo.
Pov Liz
Coloquem pra tocar aí Sing Of The Times.
Estava ali o corpo dela, nú, deitado em cima daquela pequena cama de solteiro. Allyson olhava atenta para cada pequeno ferimento que deixava o corpo de sua sobrinha um pouco menos perfeito, embora ela soubesse que em breve tudo aquilo acabaria ter a noção de que sua pequena menina, a mesma garotinha que corria atrás dela todas as manhãs com apenas um dentinho na boca, estava ali.
Sem vida.
Porém, o que é viver para você? É sentir o seu coração bater dentro do peito? É sair por aí e sentir a adrenalina em cada poro do seu ser? Ou é apenas... Olhar para um canto qualquer do quarto e achar que está tendo uma vida boa, sem um amor, sem uma razão... Sem um motivo?
Enquanto Ally passava aquele lenço umedecido sobre cada cantinho daquele corpo, ela conseguia ouvir a respiração profunda do lado de fora do quarto, Bree estava ali desde que Adam havia explicado o que realmente havia acontecido, Ally nem precisou prever o futuro para saber que daquela relação louca que aquelas duas meninas se tornaria amor.
Bree parecia desolada, por isso estava ali. Mesmo que fosse perto, para ela parecia a maior distância que poderia ser. Sua única solução, era respirar fundo apenas tentando encontrar uma maneira do tempo passar mais rápido.
Ela precisava que o tempo passasse rápido.
Enquanto isso, Ally via que aos os ferimentos leves iam sumindo, ela sabia que Alice estaria sentindo uma dor insuportável se não fosse por Camila que desde que tudo havia acontecido, estava ali, do lado de Lauren.
Depois de ter terminado o banho, Ally escolheu um vestido bonito que sabia que sua sobrinha iria gostar, ele era azul marinho. Luna parecia perdida entre os braços de suas mães, ela jamais esperaria que aquilo iria acontecer. Ela tinha visto a maneira que Lauren havia pego Alice em seus braços, levando o corpo sem vida da sua amiga para aquele quarto.
A notícia havia pego todos desprevenidos.
Sofi e Shawn estavam em silêncio ao lado de Lauren e Camila, Taylor e Seth também estavam ali, tentando à todos os custos evitar que ambas caissem. Fora Seth que encontrou Bree mordendo Alice, ele se sentia culpado por ter machucado ela. Havia pedido desculpas, porém Bree estava com a cabeça transtornada demais para entender qualquer outra coisa.
Dinah havia ajudado Normani para arrumar a cama onde Alice ficaria. Eles sabiam que ela estava sendo bem cuidada e que merecia do melhor. Troy estava com Clara, Mike e Adam que permanecia em silêncio. Voltando para Alice, Ally sorriu quando ouviu suas costelas estalar, o veneno era eficaz e estava fazendo tudo bem o serviço.
Quando estava pronta, Lauren não esperou o consentimento de Ally e em segundos atravessava aquela porta nem ligando para Bree parada ali, foi tudo muito rápido. Em um momento, ela já estava deitando Alice na cama. Camila se aproximou e segurou nas mãos de Lauren.
Ambas encaravam sua filha que parecia dormir tranquilamente. Logo, Ally desceu saltitante e sorrindo Troy se aproximou dela e todos entenderam que finalmente aquele longo tempo de três dias haviam passado. Bree sabia o que aquela aproximação significava, assim que se aproximou também de Alice e mesmo contra os olhares tortos de Lauren para cima dela, arrumou uma das madeixas loiras de Alice em seu rosto. Como passe de mágica, foi nesse mesmo momento em que Alice abriu seus olhos.
E Bree viu, nas antigas íris azuis que se transformava aos poucos em um vermelho rubro que tudo havia mudado. E que aquela Alice inocente e indefesa de antes, havia morrido à três dias atrás...