Hoseok não teria nada contra ser um ômega se isso não viesse acompanhado de uma série de outros fatores e obrigações. Ele não queria ser um alfa, e se pudesse escolher, teria escolhido nascer beta, para que assim decidisse por si próprio seus rumos, não ser tão dependente de seu lobo ou ter que lidar com cios. Nascer beta, em sua visão, era a melhor coisa do mundo, e sentia muita inveja delas.
Às vezes se trancava em seu quarto, não dividia aquilo com ninguém, pois se envergonhava. Ele chorava, chorava por todas as vezes que sentiu vontade e reprimiu, acreditava que se mantivesse suas lágrimas, seus medos e suas inseguranças apenas para si, ninguém o taxaria como um “ômega sensível”. Ser ômega era sufocante, ter aquele cheiro doce era sufocante, tremer por dentro sempre um alfa levantava a voz era ridículo.
Sentia-se fraco.
— Eu posso entrar?
Seu cunhado era o único ômega de sua idade com quem costumava conversar, fora difícil no começo, mas logo percebera que não adiantaria tentar se afastar de alguém com quem dividia o mesmo teto. Mill, ou Lee Yongsoo, seu nome de nascença, havia se casado com seu irmão mais velho, Junji, há cerca de cinco meses e viera morar ali com eles. Mill não pertencia a uma família cheia de posses, pelo contrário, era filho de agricultores pobres, e seu casamento com Junji foi por amor, o que era raro em dias como aqueles, onde poder estava acima de qualquer outra coisa e famílias ricas uniam-se umas as outras na busca de se tornarem ainda mais poderosas.
Porém Junji não estava preocupado com aquilo, pelo menos, não depois de conhecer o Lee.
— Claro.
Mill era muito bonito, uma beleza que chegava a deixar Hoseok triste, e mesmo que nunca fosse dizer em voz alta, já se imaginara vestido com roupas delicadas como as do cunhado, tendo cabelos brilhosos como os dele e um corpo que fosse tão atraente que fosse um Lorde esquecer suas próprias responsabilidades apenas para ficar com ele.
Tolice, nunca conseguiria ser assim, nunca conseguiria ficar em casa esperando seu marido chegar.
— O senhor Seungcheol me pediu para ver se já estava pronto. — enquanto falava, o mais baixo aproveitou para tirar essa conclusão sozinho, Hoseok não parecia estar pronto para qualquer evento que fosse — Quer ajuda para escolher o que vestir? Eu também estava indesi-
— Eu já estou pronto.
Iriam a um jantar no castelo do próprio Rei, e mesmo que o Rei fosse tio de Hoseok, ele ainda deveria vestir-se adequadamente para isso, especialmente devido a presença de outras muitas famílias importantes que estariam ali. Era o aniversário de 25 anos da princesa Arin, e o Rei sempre promovia grandes festas nos aniversários de seus filhos.
O ômega mais velho trajava couro, botas pesadas e seu cabelo estava despenteado, algo que passava longe da aparência adequada de um jovem ômega de família nobre.
— Seu appa disse que deveria se vestir como um... — Mill não gostava de agir daquela maneira, ele acreditava que estava ofendendo Hoseok — Como um ômega.
— Pois diga ao Appa que estou indisposto.
Mill não gostava quando aquilo acontecia. Jeonghan era um bom pai, ele amava Hoseok da maneira que ele era, mas estava cansado de ver seu filho tornando-se motivo de piada no meio das conversas alheias, não queria que ele fosse humilhado daquela forma, mesmo que Hoseok aparentasse não se importar.
Jeonghan se importava, Seungcheol se importava.
— Por favor, Hoseok, eu vou me sentir muito desconfortável se você não estiver lá.
E como poderia negar isso? Mill era o mais perto que ele tinha de ter um amigo.
— Tudo bem, mas só porque você está insistindo muito.
Seu cunhado já o conhecia o suficiente para saber que Hoseok não gostava que olhassem para ele enquanto trocava de roupa, por isso sempre virava de costas antes mesmo dele pedir, e isso de certa fazia o Kim se sentir mais confortável com Mill, o mais baixo respeitava seu espaço e não o obrigava a fingir ser quem não era.
Hoseok se enxergava de maneira ridícula quando vestia vestidos de ômega, por isso acabava por optar por túnicas mais simples quando precisava abandonar suas vestimentas costumeiras. Túnicas assim eram no geral usadas por betas mais jovens, que ainda não haviam desenvolvido seu lado submisso ou dominante, e sendo assim, aquelas roupas eram vistas como neutras para qualquer uma das castas.
E era isso que ele queria, ser neutro para qualquer classificação.
[... Herança dos Alfas ...]
Hongbin gostava de festas, gostava da forma como todos ficavam mais animados depois de uma taça ou outra de vinho, e de como aos poucos os nobres castos da cidade iam mostrando quem realmente eram. E lá pela madrugada, já estavam tão excitados que o cheiro de sexo se espalhava por toda parte, vinha tão forte contra o seu nariz que o deixava quente ao ponto de o suor descer pela testa.
Naquela altura os ômegas solteiros e puros já estavam há muito tempo em casa, seus pais não os queriam desprotegidos em ambientes assim, e o que antes era uma festa em comemoração ao aniversário de uma princesa, agora se tornava um local cheio de alfas bêbados que falavam alto e gritavam uns com os outros.
— Ah... — o som do mais puro tédio saiu por entre os lábios do príncipe herdeiro, qualquer lugar parecia mais interessante do que ali.
Ergueu-se da mesa, não iria mais ficar.
— Pra onde vai? — Yuvin perguntou ao ver o irmão de pé.
— Procurar alguém pra trepar.
Yuvin não se importava com o comportamento promiscuo do futuro Rei, no fim das contas os mais velhos costumavam dizer que seu pai era do mesmo jeito, e seu avô antes e o pai de seu avô antes dele. Os Kim eram assim, talvez fosse por isso que se tornaram uma família tão grande. Ser promiscuo era uma forma a mais de fazer as pessoas olharem pra eles e dizer “Este realmente é filho do nosso Rei”.
Chegava a ser engraçado.
Hongbin não estava tão bêbado quanto os outros, não havia bebido tanto assim, pois por algum motivo sentiu-se desligado de tudo por alguns momentos, esteve pensando em várias coisas e observando os alfas casados passearem com seus filhos no início da noite. Casar, ter filhos, isso parecia tão distante agora, porém estava tão perto, e isso o deixava ansioso e agoniado ao mesmo tempo.
Suspirou.
Já fazia algum tempo que não entrava naquele bar, desde que iniciara uma inimizade com o beta Jung não se sentia bem vindo ali, ao mesmo tempo que sentia vontade de vê-lo, nem que fosse ao menos para o desafiar. Aquilo era engraçado, nunca foi rejeitado antes, e aquela súbita rejeição o deixou tão profundamente interessado no rapaz que o fazia revirar-se a noite.
Beta filho da p**a.
— Isso não é hora de pessoas decentes estarem em bares. — foi a primeira coisa dita pelo príncipe assim que sentou-se próximo ao balcão.
Seus cotovelos apoiaram-se sobre a madeira velha, que estranhamente continuava firme, mesmo que rangendo a cada batida.
— Você também está aqui. — Taekwoon o respondeu, a feição de desgosto era inevitável.
— Eu não sou uma pessoa decente.
O beta revirou os olhos, para ele isto estava mais do que claro.
Seu irmão ainda não havia retornado, não gostava de ficar sozinho em casa então passava boa parte de seu dia no trabalho, chegava até mesmo a preferir passar a noite ali quando não tinha sono. Já era madrugada, só restavam os bêbados jogados no chão bar, e agora, lhe restava um príncipe insistente demais para deixa-lo em paz.
— Será um ótimo rei, tenho certeza. — debochou.
Hongbin não ligava para o seu deboche, ele próprio acreditava que seu irmão seria um rei bem melhor, e se pudesse escolher, não pensaria duas vezes antes de colocar Yuvin no trono.
— Seja um bom menino e me sirva uma bebida.
Em dias normais o enxotaria para fora dali, porém quando se está sozinho e rodeado de bêbados dormindo, qualquer companhia se tornava válida. Taekwoon podia sentir o cheiro de bebida que já estava em suas roupas, um cheiro agradável demais para ser de bebidas baratas, ele certamente estava se embriagando com os vinhos caros aos quais plebeus como o Jung jamais chegariam perto.
— Não acha que já bebeu demais?
— Eu não estou tão bêbado.
Não demorou mais do que dois segundos para que o alfa apagasse completamente, caiu tão de repente que sua cabeça bateu com força sobre o balcão, exatamente como um cadáver cai ao ser morto por uma flecha. Era uma péssima comparação, mas para Taekwoon, era isso que estava vendo.
— Mas que filho da p**a.
O que iria fazer? Haviam muitos como ele dormindo ali, todavia ele era diferente, não era qualquer um para que fosse simplesmente largado ali. Taekwoon não queria trata-lo como especial, mas já ouvira relatos de pessoas ricas deixadas bêbadas em bares que foram assaltadas e até mesmo sequestradas, e o Jung não queria ter esse peso em sua consciência caso alguém raptasse o príncipe herdeiro.
— Eu o odeio mais ainda.
Fora muito difícil colocar alguém tão pesado em uma carroça, e tinha certeza que o havia machucado muito no processo, o Kim acordaria no dia seguinte cheio de marcas roxas. Não podia leva-lo de volta para o castelo, uma festa estava acontecendo e não tinha certeza se encontraria alguém sóbrio o suficiente para levar Hongbin para o quarto. E além disso, sua casa era bem mais perto.
Não acreditava que estava mesmo colocando Hongbin em sua cama, e ainda por cima estando sozinho com ele. Só podia estar ficando louco, perdera completamente a noção das coisas que fazia, era mais do que obvio que no dia seguinte ficaria falado por todos que vissem quando o príncipe saísse dali.
Fora uma burrice.
— Eu sabia que você não iria me deixar lá. — ele estava acordado, deveria ter desconfiado que não passava de fingimento, sua burrice se tornou maior ainda — No fim você é uma boa pessoa, beta, ou isso ou está planejando me assassinar.
O Jung suspirou agoniado, queria sufoca-lo com o travesseiro.
— Agora estou.
O alfa sentou-se e colocou os pés para fora da cama, estava bem diante de Taekwoon, que continuava a olhá-lo ainda mais furioso, o Jung não gostara nada de ter sido enganado e não queria o príncipe dentro de sua casa, só queria tirá-lo dali imediatamente e nunca mais o ver.
— Não há motivos para agirmos assim, a vida é tão curta, perder tempo adiando o inevitável é a pior forma de perder tempo. — o Kim segurou em sua cintura e levemente o puxou para frente, o deixando ainda mais perto — Eu sou tão desagradável assim pra você? A minha aparência não o atrai?
— Não saio por aí me deitando com todo mundo.
— Não estamos falando em se deitar com todo mundo, estamos falando em se deitar comigo. — trouxe-o para frente, e por algum motivo o beta não protestou quando o puxou para seu colo.
Pelo contrário, encaixou-se em seus quadris.
— Vamos, eu sei que você não é um beta puritano esperando para se entregar apenas para o seu marido.
E ele não era, sequer pensava em casar-se um dia. Taekwoon segurou-o pela nuca antes de beijá-lo, o tipo de beijo onde não se esperava mais nada além de uma imensa vontade de lhe rasgar as roupas e não pensar em mais nada. E que m*l faria? Hongbin não seria o primeiro alfa com quem se deitaria, e da mesma forma não seria o último. Acabaria por tirar a prova do que tanto cochichavam pelos cantos.
O príncipe era tão bom assim?
— Eu ainda detesto você. — o beta lhe disse antes de descer seus beijos pelo pescoço alheio.
— Isso é ótimo, nunca trepei com alguém que me detestasse.
Puxou a camisa do Jung para que pudesse tirá-la, estava curioso quanto ao que ele escondia por baixo das roupas, Taekwoon tinha muita força física, mas seu corpo era magro como os demais betas, sua cintura era fina e perfeita para pôr as mãos, nunca sentiu-se tão bem encaixado como naquele momento.
O Jung ficou de pé para tirar a calça, Hongbin não parava de olhá-lo.
— Tire suas próprias roupas, não sou um prostituto para fazer isso por você.
Gostava daquilo, Taekwoon era rude, dono de uma personalidade muito forte e quilo o atraía mais do que pensou que fosse atrair, estar com ele era como vencer um duelo de espadas. E já sem roupas o Jung subiu sobre o corpo do alfa, esfregando-se a ele enquanto ia na direção de sua boca.
E aquilo o excitava, estava o deixando mais quente do que se lembrava de ter ficado com qualquer outra pessoa.
O jeito com que o Jung tocava sua pele, o olhava bem fundo nos olhos, ele não tinha nenhuma vergonha de expor a si mesmo, muito diferente dos rapazes tímidos com quem muitas vezes se deitou, que sentiam tanta vergonha de estarem sem roupa na frente de alguém que ficavam vermelhos da cabeça aos pés. Mas Taekwoon não era assim, ele o olhava, o tocava, além de usar a língua tão bem que quase o fez esquecer o próprio nome.
— Seu corpo é tão bonito. — o Kim deslizou a ponta dos dedos sobre a pele do mais baixo, ela não era tão macia quanto a pele dos ômegas com quem costumava dormir, mas estava viciado em tocá-la — Poderia olhá-lo para sempre e não me cansaria.
— Diz isso pra todos?
— Não, só para os mais especiais.
O Jung sorriu incrédulo de que alguém poderia ser tão cara de p*u assim.
Suas unhas perfuraram a pele bronzeada do Kim quando o mesmo inseriu um dedo dentro de si e antes que pudesse dizer qualquer coisa sentiu-se sendo invadido por outro. Hongbin parecia não se importar nenhum pouco com os arranhões em seus ombros e se importar menos ainda quando o beta o mordeu. Descobriu que gostava de ser mordido, especialmente a mordida de um beta, que não lhe arrancaria receio nenhum.
— É tão apertado aqui. — o alfa sussurrou perto de seu ouvido — Me deixa tão e******o.
Mas Taekwoon não era de esperar pela vontade de ninguém, ele fazia tudo em sua própria velocidade. Empurrou o alfa colando as costas do mesmo no colchão, ele próprio se posicionara para ser penetrado e o engoliu por inteiro fazendo o moreno grunhir como um lobo que acabara de ser atingido por uma flecha.
A verdade era que Hongbin estava extasiado com aquela sensação, nunca sentira-se tão bem estando dentro de alguém, não queria que acabasse nunca, queria morar naquela cama. Taekwoon subia e descia, rebolava de um lado para o outro o deixando cada vez mais bêbado com o prazer.
Se fosse um ômega, o marcaria por puro impulso.
— Me peça qualquer coisa, beta, e eu te darei só pra poder estar dentro de você novamente.
O Jung se esticou até estar rente ao ouvido do alfa e poder sussurrar:
— Qualquer coisa?
— Qualquer coisa.
— Eu quero ter um filho.