SEIS: Pague Sua Língua

3122 Palavras
Depois que Myungjun faleceu, Minhyuk passou a viver sozinho, e mesmo velho ele ainda tinha muita disposição para continuar com suas pesquisas, prometera para Bom que cuidaria de tudo, mas falhara em encontrar alguém que as continuasse quando partisse. Suas filhas já estavam casadas e vivendo suas próprias vidas, mas ainda precisava cuidar de Jay, que mesmo sendo um homem formado, não era cuidado consigo mesmo e inquieto demais para se preocupar com certas coisas. Jay era o renascimento dos Park, o alfa de cabelos ruivos que daria continuidade para a Casa Park, mas este parecia não se interessar tanto, por isso restava para Minhyuk resolver tudo. Mandara construir uma grande Fortaleza, a qual um dia se tornaria o lar de Jay, seu companheiro e seus filhos. — Casamento, Jay, é sobre isso que estou falando. — enquanto concluía seu discurso, Minhyuk tinha certeza de que por dentro seu filho estava impaciente e querendo pular a janela — Deve se casar e ter muitos filhos. O ruivo pôs os dois braços para fora da janela, lá fora estava nublado, não era um dia muito bonito, mas mesmo assim parecia convidativo para estar em qualquer outro lugar fazendo qualquer outra coisa. Ainda era jovem, tinha uma vida inteira pela frente, por que discutir isso agora? Casar-se seria o mesmo que cortar as próprias asas, a ideia de ser fiel a alguém pelo resto da vida parecia desgostosa, ao mesmo tempo que sentia-a m*l com o pensamento de ferir seu companheiro com traições. A resposta para tudo era não casar, não agora. — Posso ter filhos sem estar casado. — respondeu, um baixo riso escapou de seus lábios. O mais velho não gostou nada. — Filhos bastardos, não legítimos. — É tio do Rei, basta pedir para os legitimar. — para ele, tudo pareci tão simples — Omma, eu só não quero me casar! Não é um bom momento, agora não. Jay já vinha dizendo isso há cinco anos, repetira tantas vezes que não era um bom momento que esta frase já perdera todo o sentido, parecia que nunca haveria um bom momento. Minhyuk já estava mais do que cansado daquilo, era responsável por seu filho, prometera a Myungjun que sua família seria restaurada e que um dia Jay se tornaria o Lorde Park, os Park seriam grandes novamente. Ele deveria ser o mais interessado, mas Jay parecia não se importar. — Vai fazer isso direito! — a voz saiu cansada, com raiva talvez — Chega de brincadeiras, seu casamento será arranjado, já falei com os pais do rapaz, se casará com um bom ômega, de uma boa família. Aquilo o deixou ainda mais agoniado. — Sem a minha aprovação? — o mais novo perguntou expondo toda a sua indignação, não esperava que tudo fosse acertado sem ele — Quando eu perdi o direito de escolher? — No momento em que demonstrou ser um irresponsável! — Minhyuk o cortou de imediato, a frase com que seu filho murchasse — Fizemos uma promessa para Myungjun, mas você não está preocupado com ela, não será jovem para sempre, deve construir tudo enquanto ainda tem forças para fazer por si mesmo, quando estiver velho e cansado não haverá mais tempo. Jay amava Myungjun, lembrar de sua promessa não cumprida fazia com que se sentisse m*l, seu omma tinha razão, estava agindo como um irresponsável. Olhou novamente para o lado de fora, o sol começara a aparecer, precisava pensar melhor, amadurecer, se casar o faria bem, teria alguém com quem contar a vida toda, e isso era bom, não era? — Quem? — Kwon Dean. Não fazia ideia de quem ele era, por mais que já fosse familiarizado com alguns membros da família Kwon, e só de ouvir aquele sobrenome sentia arrepios, era como se os deuses estivessem a brincar consigo. — Um Kwon? — riu sem graça — Isso só pode ser um castigo, não vou me casar com um Kwon. — Uma boa família, uma linhagem fértil, com riquezas e soldados, é disso que você precisa. Jay andou de um lado para o outro, se sentia a ponto de explodir. — Os olhos dele são muito separados? Minhyuk suspirou. — Dean é um ômega culto, sabe ler e escrever, também é muito bom com números, pode tomar conta da Fortaleza enquanto você está fora. — para o mais velho era apenas isso que importava, não se prendera em nenhuma característica física do pretendente, pois isso em nada lhe valia — Um esposo inteligente lhe valerá muito mais do que um bonito. E como lhe tiraria a razão? Jay não tinha nenhum argumento válido, muito menos algum que não fosse soar ofensivo. Sentia que havia cuspido para cima e que agora caíra sobre seu próprio rosto. Como lidaria com isso? Recomeçar a história de sua família com uma quebra de compromisso seria o mesmo que pedir pela desonra. E que fosse feito, se casaria com um Kwon e tentaria não se apegar tanto a feições. — Tudo bem, se isso é o que tem que ser feito, eu farei.       [... Herança dos Alfas ...]       — Você vai se casar com um Kwon? Ravi gargalhava alto e batia na mesa, era comum as pessoas se comportarem assim em bares como aquele, por isso ninguém se interessava em os olhar, mas a risada do amigo já era constrangedora o suficiente e fazia Jay sentir vontade de lhe atravessar uma espada na garganta apenas para que ele parasse. — Qual o motivo da risada? — uma amiga em comum ocupara espaço no banco ao lado do ruivo, Ravi ainda ria muito, seus olhos já estavam marejados. — Jay vai se casar com um Kwon. A mulher também começou a rir, algo que já estava deixando o Park ainda mais irritado. — Por quanto tempo vão ficar rindo? — perguntou já sem conseguir disfarçar a raiva e o desconforto — Estou fazendo isso pela minha Casa, mas que merda, deveriam me apoiar na primeira decisão certa da porcaria da minha vida. Somin, a alfa que acabara de chegar, concordava quando Jay dizia que aquela seria a primeira decisão certa de sua vida. Mas era impossível permanecer sério a isso, aquela situação se assemelhava a ver um boi sendo atropelado pela carroça que ele mesmo estava puxando. — Mas por que um Kwon? — Ravi perguntou após parar de rir, aquilo não lhe fazia sentido nenhum — Quer dizer, são ricos e tudo mais, mas mesmo assim... — Não foi uma escolha minha, omma acha que é a melhor opção, um ômega fértil, inteligente e com um exército, o que mais um alfa iria precisar? — perguntava para si mesmo, essa era a realidade, para ele, faltava muita coisa — Como farei filhos em alguém ao qual não irei sentir atração? — Não deveria julgar sem o conhecer antes. — Somin o interrompera em seu discurso de autopiedade — Pode ter uma grande surpresa. — e no fundo, a Xiao torcia por isso. Se servira de uma grande caneca de cerveja, estava exausta, fora um dos dias mais puxados de sua vida e mais dias assim se seguiriam pelos próximos. Sentar-se na mesa de um bar m*l iluminado e cheio de outras pessoas ansiosas para encher a cara e reclamar sobre qualquer coisa era algo que quase todos os alfas apreciavam, bares não julgavam e não escolhiam quem poderia entrar ou não, qualquer um era bem vindo para beber, comer e brigar. Aproveitou para fazer reclamações sobre diversas coisas junto com as reclamações de Jay, os preparativos para o casamento na Casa dos Wu estava tirando seu sossego, sentia-se arrependida em ter aceitado ajudar, preferia mil vezes estar em um campo de batalha no meio do nada do que ter que aguentar Seungkwan e Hansol ao seu ouvido o dia inteiro. — Como é lá dentro? — em algum momento Ravi não resistiu a curiosidade de perguntar. — Cheio. — Cheio? — Parece grande do lado de fora, mas há tantas pessoas lá dentro que ela parece ficar menor. — os disse — 16 filhos, francamente, é um exagero! Xiao Somin possuía parentescos com os Wu, era filha de Xiao Hyuna, irmã de Jungwoo, omma do Lorde Wu Seokmin, sendo assim, os dois eram primos.  A alfa, assim como os demais, pertencia ao exército do reino, sendo que esta lutava sob o estandarte dos Wu, pertencendo ao exército da Casa. — Filhos são necessários. — o loiro não pensava como ela — Quanto mais, melhor. — Às vezes você fala como um Wu, luta como eles também, isso é meio assustador. — Jay interferira ao comentar, tinha esse pensamento há algum tempo — Tem certeza que não é bastardo de algum deles?       [... Herança dos Alfas ...]       Quando o barco atracou na cidade de Porpa a noite já estava se aproximando, a viagem fora turbulenta e cansativa, o mar não estava nenhum pouco convidativo naqueles dias. Precisaram desembarcar onde não chamariam atenção, num trecho escuro e com poucas pessoas interessadas em andar por ali. O barco ficou bem preso, um deles ficaria por ali para conseguir algumas informações com os barcos pesqueiros e para ter certeza de que não seriam roubados. — Vamos nos manter longe, em estalagens diferentes. — o mais velho entre eles dissera assim que o barco estava bem amarrado — Iremos para o lado norte da cidade, enquanto vocês dois, — o velho apontou para Matthew e Taehyung, os dois sequer haviam trocado uma palavras que fosse durante o caminho — vão ficar numa estalagem aqui perto, os boatos dizem que os líderes desse movimento se reúnem por lá, um alfa e um beta jovens não vão chamar muita atenção, é normal encontrar casais que fugiram nessas estalagens. Matthew esperou ver Taehyung incomodado, mas ele parecia não ter se importado. Os dois seguiram com a pouca bagagem que levaram, em tamanho perfeito para fingiram serem pessoas sem importância nenhuma — algo que apenas Matthew era, pois se fosse raptado, Taehyung renderia bastante para seus sequestradores —. A estalagem em questão era bem simples, porém bem mais limpa do que se costumava conhecer por aquelas bandas. O senhor que os atendeu parecia desinteressado demais para que sequer perguntasse seus nomes, ele lhes dissera que se pudessem pagar, não lhe importava saber de mais nada. Na parte de baixo da estalagem as pessoas se reuniam em mesas para beber e conversar, mas aquela noite fora inútil para obter qualquer informação com mínima importância, no fim da noite tudo o que puderam descobrir era que o Lorde que regia a cidade estava tendo a testa enfeitada por sua esposa beta fogosa, algo que em nada lhe ajudaria. Quando retornaram para o quarto, Matthew podia ver o quanto Taehyung parecia frustrado. — Vai conseguir descobrir algo amanhã, não precisa ficar assim. — suas palavras eram de consolo, mas o Wu não parecera se sentir consolado — Não tivemos muito tempo. — Acho que não há nenhum motim, não há nada aqui. O beta caminhou até onde havia guardado sua bagagem, a mesma estava enfiada dentro de um baú ao lado da cama, agachou-se ali e passou a procurar uma camisa limpa. O Jung o acompanhava com os olhos, Taehyung estivera calado quase a viagem toda, mas seu rosto estava sempre com um pequeno sorriso, um sorriso que se alargava um pouco sempre olhava para algum ponto que lhe parecia mais interessante. Ele estava sempre feliz? — Por que acha isso? — Não sei, intuição. No linguajar comum, alfas usavam a palavra instinto para se referirem a alguma atitude ou pensamento sem lógica ou motivo, enquanto ômegas usavam a palavra intuição. Betas usavam as mesmas palavras, porém mudava entre dominantes e submissos. — Intuição? Achei que só betas submissos falavam assim. — sorriu de lado, algo passara por sua cabeça — Mas você é dominante, não é? — É o que você acha? — Se fosse submisso não estaria aqui. — argumentou — Estaria em casa aprendendo a costurar e a cozinhar. Taehyung virou-se para ele, fora a primeira vez que os dois se olharam nos olhos. — As atividades que eu gosto de praticar não precisam combinar com as pessoas que eu gosto de t*****r. — o uso daquelas palavras pareceu deixar o alfa tonto — Vocês alfas não sabem nada sobre nós, do que realmente gostamos, o que pensamos, isso nunca teve nada a ver com o tamanho dos nossos corpos. — Mate a minha curiosidade, beta, me diga o que você gosta. O Wu sorriu de lado, ergueu-se de onde estava e caminhou na direção do alfa sentado na cama. Apoiou as duas mãos sobre seus ombros e os apertou com certa força, Taehyung era um beta lúpus, mas ninguém sabia muita coisa sobre eles, algo que despertava a curiosidade de muitos, inclusive a do Jung. O encarou em seus olhos, esperou pelo que o Wu faria e acabou recebendo o que menos esperava. Taehyung se encaixou em seu colo de um jeito que nunca esperou que alguém pudesse se encaixar, as mãos ainda se apoiavam nos ombros e seus olhos permaneciam fixos um no outro, se fechando apenas no momento em que o mais novo o beijou. O beijo de Taehyung não tinha nada de calmo ou doce, a forma como sua língua invadiu a boca alheia e passou a se mexer era obscena demais, fora impossível não se sentir e******o. Quando percebeu, suas mãos já apertavam a cintura do beta com tanta força que poderia machucar, mas isso não parecia incomodar o outro, pelo contrário, seus beijos estavam ainda mais ferozes e com um sabor ainda melhor. O Wu se afastou apenas para tirar a própria camisa, se as coisas ainda não estavam claras, agora elas estavam. — Pensei que vocês Wu fossem um pouco mais seletivos com quem se deitam. — o alfa disse após ter certeza das verdadeiras intenções do mais novo. — Por que? Você tem um p*u pequeno? Porque isso é a única coisa que estou preocupado em selecionar. — Você é diferente do que eu imaginei. — Então pare de imaginar. Taehyung não perdeu tempo em tirar a camisa do Jung e logo em seguida o empurrar na direção do colchão, não era o mais confortável do mundo, mas aquela parte nunca foi importante, usaria até mesmo o chão se ela não fosse resistente o bastante. Beijou-o novamente, mas desta vez não se deteve apenas na boca, logo se pusera a conhecer o sabor da pele do alfa, afundar seu nariz na curvatura do pescoço a inalar seu cheiro, o cheiro dos alfas sempre fora seu ponto mais fraco, o fazia perder a cabeça com facilidade, os querer ainda mais, talvez esse fora o principal motivo que o fizera os desejar ainda mais do que a ômegas. Estar dentro de um ômega era incrível, mas ter um alfa dentro de si lhe tirava o ar. — Eu quero chupar você. O beta se arrastou para trás até colocar os joelhos no chão, abriu a calça do mais alto e a puxou sem se preocupar se acabaria a rasgando ou não, Taehyung era bruto em todos os seus atos, mas uma brutalidade que deixava o alfa ainda mais e******o. Nunca estivera com alguém assim, o Wu comandava tudo e não parecia preocupado com o que o outro iria pensar. E sua boca era mágica, os olhos do Jung reviraram assim que seu p*u tocou o céu da boca do beta, era quente e perfeita para se estar, esquecera o nome de todos os outros com quem já esteve, não havia como comparar Taehyung com alguém. O Wu chupava com força, sugava sua pele e o fazia sentir-se sendo apertado e aquilo era incrivelmente bom, até mesmo o hálito quente que batia contra suas coxas lhe trazia uma sensação de prazer ainda maior. Quase gozara, mas conseguiu se segurar a tempo, não gozaria enquanto não soubesse o que era estar dentro de um Wu. Puxou-o pelos cabelos e o fez erguer a cabeça, não o soltou até que Taehyung engatinhasse para cima de seu corpo, o beta mantinha a boca entreaberta, saliva escorria pelos cantos. O empurrou na direção do colchão e fora a sua vez de ficar de joelhos e arrancar a calça que o mais novo vestia, tão bruto quanto o mesmo quase a rasgou. Matthew o virou deixando o traseiro de Taehyung bem exposto. — Está esperando o que, alfa? — o beta perguntou mostrando toda a sua impaciência — Eu não vou implorar, se é o que está pensando. — Não... — o Jung o respondeu, sua voz estava grossa demais, estava e******o demais até para falar — Eu quero entender você, quero que me diga o que você é. O mais alto deixou seu corpo sobre as costas do outro, seu p*u roçava entre as nádegas do mesmo, algo que deixava Taehyung e******o e ainda mais impaciente. — O que você é? — sussurrou ao seu ouvido, forçava seu quadril nele, mas não o penetrava — Eu quero ouvir. — Gosto de alfas. — Diga tudo. Taehyung o queria dentro, estava quase gritando pela raiva e frustração que sentia ao não ter o que queria. — Gosto de alfas dentro de mim. — disse, empinava sua b***a, sentia o próprio p*u doer pela excitação. — Me diga que é submisso. — Não! — choramingou involuntariamente, não gostava daquele termo — Alfas não mandam em mim, nunca vão mandar! Ninguém brincava com ele, ninguém lhe dava ordens. Taehyung conseguiu se virar e olhar para Matthew, estando por baixo de seu corpo o rodeou com as pernas fazendo seus membros roçarem um no outro, ambos duros feito pedra. O encarou fundo nos olhos, o rosto do Wu era muito bonito, tinha feições delicadas como a de um ômega, tão bonito que chegava a sentir raiva disso. — Se não enfiar o p*u em mim agora juro que saio por aquela porta. — ele disse, tão decidido que chegava a assustar. Mas Matthew não acreditou. — Diga que é submisso e eu faço isso. — Por que quer tanto isso? — Por que não quer dizer? Porque era orgulhoso demais para admitir em voz alta. Taehyung se divertia com alfas em segredo, cortaria a língua de quem dissesse alguma coisa e ninguém era t**o o bastante para ir contra ele. Seu desejo era para com os alfas, mas se casaria com um ômega, nenhum alfa o controlaria, nenhum alfa lhe daria qualquer ordem que fosse. Não discutiu mais nada, cumpriu o que havia dito, vestiu-se e saiu do quarto, Matthew podia ser bonito como fosse, mas não o suficiente para quebrar o próprio orgulhoso. — Ah, você vai falar, beta, você vai.  
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