Capítulo V - Anthony

1662 Palavras
O Caio abriu a boca para falar e fechou de novo caindo no sofá balançando a cabeça. - Não! você ta de brincadeira comigo não está? Passei a mão pelo cabelo pela milésima vez e dei mais uma volta dentro do meu escritório. - Eu também queria estar brincando, mas te contei tudo sem tirar nem pôr uma vírgula. - Cara, o que d***o deu em você? Parei e sentei na minha cadeira jogando a cabeça para trás e fechando os olhos. - p***a irmão, foi acontecendo tudo de uma vez e eu não conseguia raciocinar direito e quando eu menti meu nome, ai sim, foi tudo por água abaixo. Caio ficou um minuto em silêncio. - Para começar, porque pegou o helicóptero sozinho? Você poderia ter morrido seu louco. - Eu sei, foi um ato meio maluco. - Mas até ai, vá lá, você pilota muito bem. Mas a sequência de fatos cara, foi maluquice total! Apertei as têmporas que latejavam desde às cinco da manhã, quando acordei naquela casinha de boneca e sai de lá uma hora depois quando meu piloto chegou com o combustível e um mecânico. - Eu sei, mas eu pensei que alguém poderia me reconhecer e quis passar despercebido. Caio riu nervoso. - E tinha que dizer que seu nome era Caio p***a! podia dizer qualquer coisa! - Eu achei que pela manhã iria sair dali e esquecer essa história. Caio franziu a testa. - Mas você vai esquecer essa história! Bastou um olhar pra mim para o Caio entender que a história estava apenas começando. - Anthony... pelo amor de Deus, você não ta pensando em... Levantei a mão. - Pode parar, eu vou ajudar a moça sim! Caio levantou e se aproximou batendo na minha mesa com a punho fechado. - Esquece isso, ela vai descobrir quem é você, deixa essa menina lá. - Eu vou dar o emprego pra ela de volta. Ela precisa. Ele me olhou sério. - É só o emprego não é? Me diga que você não está pensando em levar a moça pra cama? Levantei irritado. - Que moça homem? Ela é só uma menina e acabou de fazer dezoito anos. Ele riu irônico. - Que eu saiba você já pegou meninas de dezoito anos. - Eu pelo menos espero fazer dezoito e você que comeu minha irmã com dezessete! - Não desvie o assunto, estamos falando de você e essa tal de Bianca ai. Comecei a andar de novo em círculos pela sala. - m***a, eu preciso consertar essa mentira. - Conserte mesmo, e já, antes que essa m***a respingue em mim também. - Meu pai já chegou? Ele falou alguma coisa sobre o jantar? - Já chegou e tem mais. A Lavínia está ai também. - Inferno! Betânia adentrou a sala do jeito agoniado de sempre. - Anthony, beba água e corra para a sala do seu pai. O homem está uma fera. Respirei fundo e marchei para meu abatedouro com o Caio atrás de mim. Ele estava andando de uma lado pra outro feito um leão enjaulado. A Lavínia estava sentada mexendo no celular. Não parecia tão nervosa para uma quase noiva que foi largada no jantar de noivado. A Lavínia era uma incógnita. Era filha do sócio do meu pai e tinha vinte e cinco anos. A garota era bonita. Bonita até demais. Andava arrumada feito uma modelo e as unhas sempre impecáveis. Os cabelos loiros sempre escovados e o rosto coberto de maquiagem. Ela não estudava e não trabalhava e eu não sei como ela aguantava viver de loja em loja comprando roupa e se exibindo em vídeos na internet. Era a futilidade em pessoa e eu jamais namoraria com uma mulher daquelas, imagine casar com ela. No entanto éramos amigos desde criança e eu devia pelo menos respeito a ela e a família dela. - Oi pai... Ele avançou pra cima de mim, vermelho de raiva. - Seu irresponsável! O que você fez?! Me desviei dele e sentei calmamente na cadeira em frente à mesa abarrotada de papeis. - Calma pai, morreu alguém? Ele parou ao meu lado trincando os dentes. - Eu vou te m***r! - Tá, melhor o senhor me m***r do que eu mesmo me suicidar. Eu não quero casar com uma mulher que eu não amo... perdão Lavínia. Fiz um sinal de desculpa e ela apenas torceu os lábios. No fundo, acho que nem ela queria casar daquele jeito. - Custava dizer que não ia? Olhei serio pra ele. - O senhor ia concordar? Não. Então não falei. - Onde você foi com meu avião? O Caio resolveu se meter, para desgraçar ainda mais aquela tragédia. - Ele pousou em um sitio e dormiu por lá. Virei e o fuzilei com o olhar. - Pousou onde?! - No sitio encantado... - Cala a boca Caio! Anthony Benete estava a ponto de enfartar. - Se explique para a Lavínia, você fez uma desfeita enorme para a moça. Olhei para ela entretida no celular. - Tem certeza que ela se incomodou tanto com isso? Ela levantou o olhar distraída. - Estavam falando comigo? Levantei a sobrancelha e encarei meu pai com um sorriso meio cínico. - Meu pai quer que eu te peça desculpas por não ter ido dizer que aceitava casar com você. Ela fez uma cara amuada. - Você me deixou quase no altar. - Você quer casar com um cara que não te ama? Tem certeza disso? O Caio tossiu. - Quem vai gostar é o Fred. Todos viraram pra ele, menos a Lavínia. - Quem?! Ele fez uma cara de inocente. - Pergunta pra ela quem é o Fred. Ela levantou alheia a todos os olhares curiosos sobre a existência de um possível namorado dela. - Gente, eu posso ir embora? Meu pai estava branco e não esboçou nenhuma palavra até a porta do escritório bater diante de duas bocas abertas e de um sorriso divertido do Caio. Anthony Benete caiu sentado e fechou os olhos. - O que foi isso? Cruzei as pernas calmamente na frente dele. - Minha libertação. Ao que parece a Lavínia desistiu de me perseguir. - Vocês vão me m***r, não vão? - Relaxa pai, vamos focar no casamento do Caio, ou você esqueceu que a Gabi está grávida? Ele fuzilou o Caio com o olhar. - Eu deveria te deserdar seu m***a. Ele sorriu. - E vai deixar sua filha pobre? Até meu pai fez um sinal de riso meio disfarçado. - Quer saber de uma? Vamos trabalhar. Levantei e apoiei as mãos em cima da mesa dele. - Desculpa pai, mas você entende meu lado não é? Ele me encarou sério. Agora eu sabia que era meu pai ali me encarando e não o empresário Anthony Benete. - Apesar de estar com vontade de apertar seu pescoço, eu entendo, mas não me irrite de novo e apareça hoje pra jantar em casa. - Hoje eu vou, hoje é jantar de família. Eu te amo pai, você sabe. Ele revirou os olhos. - Suma daqui, eu quero falar sozinho com o Caio. Belisquei o nariz dele. - Vou falar com a Marta, ela está esperando na minha sala. - Algum problema na loja dela? Tentei disfarçar. - Não, só alguns ajustes de pessoal mesmo. Ele me apontou o dedo. - Já sabe hein? se não se enquadrar no serviço, troca e contrata outra pessoa. - Vou fazer isso. Caio deu a última tacada dele. Eu ainda ia enforcar o Caio. - Ouviu né Anthony, contrata OUTRA pessoa. - Vai se f***r Caio. Atravessei o longo corredor que interligava minha sala com a do meu pai e encontrei a Marta sentada à minha espera. Marta era uma espécie de tia e prima. Foi criada pelos meus avós maternos e nunca casou e nem teve filhos. Minha mãe tinha exigido que meu pai a empregasse e há mais de dez anos ela mandava e desmandava na loja em que era gerente. Ela não ia gostar do meu pedido. - Oi Marta, tudo bem? Ela me abraçou calorosamente. - Oi filho, o que aconteceu para me chamar aqui. Quase nem lembrava mais o caminho desse prédio. Sentei e respirei fundo. - Então, eu sei que houve uma demissão esta semana... Ela me olhou confusa. - Como assim, uma demissão essa semana? Nós demitimos e contratamos quase toda semana. Limpei a garganta. - Mas essa eu quero discutir melhor. Ela se remexeu na cadeira um pouco inquieta. - De quem está falando? Bati os dedos na mesa, tentando soar menos preocupado do que eu realmente estava. - Uma moça chamada Bianca. - Ah! Aquela desaforada? Você a conhece? E agora? - Um amigo meu conhece e me pediu pra reconsiderar. Marta levantou irritada. - Menina m*l educada, nariz empinado. Eu não gostei dela. Mas vai ter que engolir. - Bom, eu quero que você a recontrate. Ela me olhou contrariada. - Tem certeza? - Tenho. Ela trabalhava no caixa não era? - Sim. - Então eu quero ela em outro lugar. Ela entendeu errado. - Pelo menos isso. Coloco onde? Pra arrumar prateleiras? Encarei-a sério. - Não. Coloque como chefe de setor. Ela arregalou os olhos. - O que?! - E dobre o salário dela. - Anthony, você sabe quanto ganha um caixa na nossa empresa? - Não. Quando ganha um caixa na nossa empresa? - Dois salários mínimos! - Só isso? Então triplique o salário da moça. - Mas... Levantei dando a reunião por encerrada. - Ligue pra ela hoje e diga pra voltar amanhã, combinado? Ela resmungou juntando os papeis. - Eu sou contra. - Mas eu não. Ela me olhou de cara f**a. - Mais alguma coisa? - Sim, não diga que eu pedir isso. Faça como se você tivesse voltado atrás pode ser? - Tenho escolha? - Infelizmente não. Ela virou antes de sair. - Deixa seu pai saber que você está dando emprego para suas fodas. E bateu a porta.
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