Lívia A luz mortiça da lanterna tremia em minha mão enquanto eu seguia o mapa riscado por Diniz. Aquela construção abandonada, nos limites do Morro, exalava um odor de ferrugem e mofo, promessa de descobertas e armadilhas. Precisava das cartas queimadas que “F.” jogara no depósito principal — pistas para decifrar seu ritual e, enfim, detê-lo. Traziam fragmentos de símbolos, nomeações de vítimas, datas que apontavam para o fim de tudo. Era minha chance de redenção. Avancei pelos corredores estreitos, correndo os dedos pelas paredes descascadas. Cada passo reverberava no aço oco, devolvendo-me ecos que pareciam sussurar segredos antigos. O coração disparou: ali, entre sombras e vigas tortas, sentia-me vulnerável, mas avante, impulsionada pelo desejo de justiça — e por ele, Micael, cuja voz

