Capítulo 44

1207 Palavras
Capítulo 2 Ela resmungou que hospital não, se sentou segurando nele. Ele abriu o roupão, tirou a parte de cima, colocou a camiseta mais comprida, levantou ela e puxou para baixo. Ela estava falando coisa com coisa, chamando pelo pai, pelo Neto, chegou a falar o nome Suzan e pedia pra não deixarem levar ela. Ele a levou para o hospital, explicou que ela só tinha a certidão de nascimento porque era muito humilde. Quando ele a pegou no carro e levou nos braços para dentro do hospital, ela entrou em pânico com medo. Ele achou que era só um delírio. O médico plantonista achou tudo muito estranho, foi atender ela a sós. Ela estava desidratada, com 40° graus de febre. Ao notar os sintomas e checar os sinais vitais, as suspeitas começaram a aparecer. Nos lapsos de consciência, ela chorava muito, querendo ir embora. Tiveram que prender ela na maca para não deixar ela se machucar. Logo descobriram que ela estava com uma pneumonia silenciosa. O Noah falou que ela estava sem comer há dias, pegando friagem. Ele explicou a real situação da vida dela e passou segurança para o médico. Também foi descoberto que ela estava com uma anemia profunda. Por muito pouco o estado dela não se agravou. Naquele estado, facilmente ela poderia ir a óbito. O dia todo ela ficou sozinha no quarto, amarrada, tomando remédios fortes direto na veia. Ele ficou na sala de espera, trabalhando no celular, impaciente. Sem conseguir contar a ninguém, o que estava acontecendo. Ele só sentia que precisava proteger ela, a qualquer custo. À noite, quando ela acordou um pouco melhor, ainda amarrada, ele foi lá ver como ela estava e avisar que ia precisar sair. Ela despertou nervosa, um pouco dopada, querendo se soltar. Ele se aproximou apreensivo, começou a conversar com ela, dizendo que ela estava segura lá. Ela virou o rosto, chorando, evitando olhar pra ele, porque ele já havia dito que ia sair. Ele falou, sentido com a situação dela: — Você está fugindo de alguém? Eu tô te ajudando, mais já te disse, você precisa ser sincera. Se tem qualquer coisa que está escondendo, precisa falar. Ela continuou quieta. Ele chamou a enfermeira e pediu pra soltarem ela. Estavam trocando de turno e não quiseram desamarrar os braços dela. Ela falou sem olhar pra ele: — Você deve ter coisas mais importantes para fazer, vai embora, Noah! Eles estavam sozinhos. Ele falou sério: — Você quer morrer? É isso? Ninguém vai te ajudar, se você mesma não fizer isso. Eu vou, mas eu volto! Você precisa confiar em mim, pelo menos por enquanto. Vê se não faz nenhuma besteira! Ela ficou quieta e ele foi. Deixou com ela apenas algumas roupas, produtos de higiene pessoal que ele comprou na farmácia lá perto, um pouco de dinheiro e um celular novo que só tinha o número dele. De resto, ele levou tudo: os dois celulares dela, todo o dinheiro que ela carregava. Quando ela viu, ficou achando que ele nunca mais ia voltar, que ia querer algo em troca das coisas dela. Passaram várias coisas ruins pela cabeça dela. Como se não bastassem os problemas, ainda tinham as dores, a falta de ar, os efeitos colaterais dos medicamentos. De madrugada apareceu uma enfermeira nova. Ela entrou no quarto olhando o prontuário e falou surpresa: — Olá, você deveria estar dormindo. Vim verificar como está se sentindo. Rebeca ficou quieta, olhando pra janela. A enfermeira se aproximou da maca e falou com espanto: — Está presa ainda? Nossa, que estranho. Para ser esse tipo de paciente, você está bem calma! Ela respondeu irônica, sem se mexer ou olhar para a enfermeira: — Você não sabe, posso te morder ou te furar com a agulha do meu acesso. Imagina pegar uma doença terrível, aids, hepatite, sarna passa pelo sangue? A enfermeira sorriu e falou surpresa: — Acredito que sim. Quer continuar amarrada? Se estiver com insônia, posso dar uma medicação pra te ajudar a dormir. Rebeca olhou pra ela e disse séria: — Não quero dormir. Ela perguntou por que não, disse que ela precisava descansar pra se recuperar logo, ofereceu uma bolachinha escondido. Rebeca ficou quieta e voltou a olhar pela janela. A enfermeira saiu e disse que voltava mais tarde. Quando estava amanhecendo, ela voltou e falou, se aproximando da janela: — Você ainda está acordada? Vim fechar a janela, o sol vai começar a bater aqui e vai te incomodar. Não quer mesmo um remédio pra dormir? Meu turno acaba em meia hora. Ela respondeu: — Quero que me solte, por favor. Isso tá me machucando! A enfermeira disse que soltaria se ela aceitasse tomar a medicação, se pelo menos tentasse dormir. Ela falou irônica: — Dorme você, eu já disse que não quero. A enfermeira falou irônica: — Eu não, vai que você me fura com a agulha do seu acesso. Rebeca olhou pra ela indignada com o deboche, revirou os olhos e deitou a cabeça, olhando para o teto. A enfermeira saiu e voltou com o café da manhã, falou enquanto soltava uma mão da Rebeca: — Vou sair hoje, tenho que ir na escola do meu filho, um saco. Você acredita que ele foi parar na diretoria? Ele só tem 6 anos. Eu devia ter estudado pedagogia, lidar com crianças é mais fácil do que lidar com adolescentes como você. — Na verdade, não conta pra ninguém, mas eu devia ter estudado medicina veterinária, porque eles não sabem reclamar de nada. Os animais, entende? Toma seu café. Se for vomitar, o baldinho está aí do seu lado. Rebeca ficou quieta, olhando para a bandeja. A enfermeira falou com a mão na cintura: — O que é? Quer que eu dê na sua boca? Vai me morder ou me furar com essa colher de plástico? Rebeca sorriu sutilmente respondeu: — Talvez. Posso te fazer uma pergunta? A enfermeira disse que sim, se aproximou da cama, ajeitando melhor a bandeja. Rebeca falou: — Aqui é uma ala psiquiátrica? A enfermeira a encarou e disse surpresa: — Não, por quê? Você tem problemas psiquiátricos? Ela balançou a cabeça que não e começou a comer. A enfermeira se despediu e disse que voltava à noite. Com muito esforço, Rebeca comeu um pouco. Logo o médico foi lá. Ela disse que estava melhor, pediu pra ser solta e pra ficar sem a sonda. Ainda de manhã tiraram. Ela dormiu um pouco. Quando começou a bater sol na cama, acordou com o celular vibrando. Era o Noah, o único que tinha aquele número. Ela atendeu e ficou quieta. Ele perguntou se ela estava melhor. Ela disse apenas que sim. Ele respondeu: — Assim que der eu volto. Você não tá bem e não vai conseguir trabalhar nem ir a lugar nenhum assim. Ela continuou quieta. Ele perguntou se ela ia fazer a coisa certa, porque, se caso não fosse, ele não ia ficar ajudando com mais nada. Ela falou que ia seguir as instruções do médico, perguntou da Aisha. Ele respondeu: — Ela não sabe ainda. Logo vocês vão se encontrar. Se precisar de alguma coisa, me liga! Eu tô longe, mais logo vou te buscar, assim que você melhorar. Qualquer coisa, me liga.
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