Maitê O corpo ainda carregava o peso da noite — uma mistura de cansaço bom e aquela eletricidade que o Rael deixava em mim só com um olhar. Eu tentava manter a postura, ajeitando a mochila nas costas, mas sentia que qualquer um que me olhasse por mais de dois segundos saberia exatamente onde eu passei a noite. Sem contar as pessoas que nos viram juntos. Não sou surda, eu sabia que estavam comentando; a forasteira que chegou na grupo do chefe do morro essa manhã. Como se só o fato de já ser a ‘’forasteira” não bastasse. Estava de olho no relógio. O dia hoje estava cheio. Começo de semana, tudo recomeçando e só pensava em voltar para dentro daquele quarto no topo do morro. Eu descia a ladeira a passos rápidos para não perder o ônibus do curso. Achei que não haveria essa manhã mas

