Rael Eu ainda sentia o cheiro da pólvora impregnado na minha pele e o calor do fuzil queimando no meu peito, mas nada disso importava agora. Eu precisava ver se ela estava bem. O boato do tiroteio na Zona Oeste subiu o morro mais rápido que fumaça, e eu sabia que a Maitê estaria com o coração na boca. Ela era assim, se preocupava mais do que precisava. Estacionei a moto perto do ponto de ônibus, no pé da ladeira, onde os moradores costumam chegar do asfalto. Cruzei os braços, encostado no metal quente da XJ6, tentando manter a postura de dono do lugar, mas meus olhos não paravam de vasculhar cada ônibus que parava. Eu sabia que estava sendo observado, mas a verdade é que eu não estava nem ai. A moto por si só já chama atenção. É até mesmo por isso que as vezes prefiro sair a pé. Princ

