Capítulo 48 JAMILE NARRANDO O carro ainda cheirava a pólvora. A porta tinha marca de tiro. O vidro lateral estava trincado. E dentro desse espaço apertado, o ar parecia não entrar direito. Clara tremia. Samara estava pálida. GT dirigia com o maxilar travado. E o Russo… Russo repetia a mesma frase como se estivesse preso numa falha de memória. — Ela não morreu… — Ela não morreu… Eu não aguentei. — Você tá satisfeito agora? Minha voz saiu baixa. Mas cortante. Ele parou de repetir. Virou devagar o rosto pra mim. Os olhos dele estavam injetados. — O que você falou? Meu coração acelerou. Mas eu não ia ficar calada. Não depois do que eu vi. Não depois da fiel do aliado dele caída no chão. Não depois da mão dela na barriga. Eu sabia muito bem o que aquilo significava.

