Theo entregava cartas na rua das Acácias havia quatro anos.
Todo santo dia, às 9h47, ele passava pela casa 217: sobrado azul, portão branco, caixa de correio vermelha com o nome “Alice Moreira” em letras douradas já descascando.
Alice tinha 29 anos, era designer gráfica, trabalhava em casa e abria a porta quase sempre de robe ou camiseta larga sem sutiã. Theo sabia porque memorizava cada detalhe: o jeito que o tecido balançava quando ela se inclinava para pegar as cartas, o cheiro de baunilha e café que saía da casa, o som da risada dela ao telefone com alguma amiga.
Mas o que realmente o matava eram os cartões de Natal do ex.
Todo dezembro, desde 2021, chegavam de 15 a 20 envelopes perfumados, selos de cidades diferentes: Florianópolis, Lisboa, Buenos Aires, Nova York. Sempre a mesma caligrafia afetada do Rafael, o noivo canalha que traíra Alice com a madrinha do casamento e ainda achava que podia voltar rastejando.
Theo abria todos.
No caminhão dos Correios, com o vapor da chaleira improvisada, ele soltava a cola, lia, fotografava com o celular, guardava de volta.
“Você é o grande amor da minha vida, meu erro foi não perceber a tempo.”
“Passei o Réveillon pensando em você de vestido vermelho naquela festa de 2019.”
“Quero te pedir perdão de joelhos, Alice. Me deixa voltar.”
Theo lia e sentia o sangue ferver.
Porque Alice ainda guardava os cartões. Ele via pela janela da cozinha: ela colocava numa caixa de sapato em cima da geladeira, junto com as fotos antigas do casamento que nunca aconteceu.
Em 2024 ele decidiu que chegava.
No dia 1º de dezembro, o primeiro cartão do Rafael chegou normalmente. Theo entregou.
No dia 2, ele interceptou o segundo envelope, jogou fora e colocou no lugar um cartão comprado numa papelaria da outra cidade, letra de forma impecável:
Alice,
Você estava linda ontem de pijaminha cinza. Aquele que deixa a marquinha da calcinha aparecendo quando você se abaixa pra pegar o cachorro.
Pensei em você a noite inteira.
Assinado: alguém que te vê de verdade.
No dia 3:
Seu perfume ficou no ar da rua inteira depois que você passou.
Queria saber se sua b****a tem o mesmo cheiro de baunilha que seu pescoço.
Logo descubro.
No dia 5:
Gozei duas vezes ontem olhando sua foto de Natal no i********:.
Aquele vestido vermelho justo.
Imaginei você de quatro na mesa da sala, cartões do seu ex servindo de toalha pra eu te f***r em cima.
Alice começou a ficar estranha.
Theo via pela janela: ela lia na varanda, mordendo o lábio inferior, as coxas apertando uma na outra sem perceber.
No dia 8 ela deixou a persiana do quarto entreaberta — coisa que nunca fazia.
Theo quase gozou dentro da calça do uniforme só de ver o reflexo dela se trocando.
Dia 12. Cartão mais sujo que todos:
Quero entrar aí à noite, te acordar com a boca na sua b****a até você chorar de tanto gozar, depois te virar de bruços e meter tão fundo que você vai esquecer que esse Rafael um dia existiu.
Dia 24 eu bato na sua porta.
Se você for mulher o suficiente, deixa aberta.
Alice não dormia mais direito.
Theo sabia porque passava de moto às 3h da manhã só pra ver a luz do quarto acesa.
Ela se masturbava quase toda noite agora. Ele ouvia os gemidos abafados quando encostava o ouvido na janela do quarto dela.
Dia 20. Último cartão antes do grande final:
Minha carta mais importante será entregue pessoalmente.
Vista o vestido vermelho.
Nada por baixo.
Quero você molhada antes mesmo de eu tocar.
24 de dezembro, 23h12.
Alice tomou banho demorado, depilou tudo, passou óleo brilhante nas pernas e no decote.
Colocou o vestido vermelho de 2019 — aquele mesmo da foto que o ex tanto citava.
Nada de calcinha.
Deixou a porta da frente só encostada.
Na mesa da sala, empilhou todos os cartões antigos do Rafael como quem monta um altar profano.
Em cima, escreveu num papel branco com caneta preta:
Se você é homem o suficiente pra escrever tudo isso,vem me pegar.
Theo estacionou o furgão dos Correios duas quadras depois, tirou o uniforme azul-marinho (aquele que ela via todo dia), ajeitou o volume já duro só de pensar no que ia fazer.
Calça social preta, camisa branca aberta até o peito, barba feita, perfume forte.
Levava na mão um último envelope grosso, lacrado com cera vermelha.
Entrou sem bater.
Alice estava de costas, acendendo as velas da mesa de jantar. O vestido colava no corpo como segunda pele, a curva da b***a marcada perfeitamente.
Quando ouviu os passos, ela travou. Theo fechou a porta com o calcanhar.
“Entrega especial”, ele disse com a voz que usava nas cartas — baixa, segura, sem tremor.
Alice virou devagar.
Os olhos dela se arregalaram ao reconhecer o carteiro.
“Theo…?”
Ele sorriu de lado, caminhou até a mesa, colocou o envelope em cima dos cartões antigos.
“Abra.”
Dentro: uma única frase escrita à mão e uma foto Polaroid recente dela dormindo de lado, boca entreaberta, seio escapando do decote da camiseta.
A frase:
Eu sempre fui o homem o suficiente. Você só precisava que eu provasse.
Alice respirou fundo. O peito subindo e descendo rápido.
“Você leu tudo… entrou na minha casa… tirou foto minha dormindo…”
“Sim.”
“E se eu gritar?”
“Você não vai.”
Ele deu um passo. Ela recuou até encostar na mesa.
Theo segurou o queixo dela com firmeza, forçando-a a olhar nos olhos.
“Repete o que você escreveu no papel.”
Ela engoliu em seco.
“Se você é homem o suficiente… vem me pegar.”
A voz saiu tremida, mas molhada.
Theo beijou-a com fome.
Mão na nuca, língua invadindo, dentes batendo. Alice correspondeu com a mesma urgência, agarrando a camisa dele, rasgando dois botões.
Ele a levantou pela cintura, sentou-a na mesa em cima dos cartões do ex. O papel amassou sob o peso dela.
Arrancou os s***s pra fora do decote, chupou um mamilo até ela gemer alto, mordeu o outro com força suficiente pra deixar marca.
Desceu a mão por baixo do vestido, encontrou-a encharcada.
“p***a, Alice… você tá pingando.”
Dois dedos entraram fácil, curvando, acertando o ponto exato. Ela rebolou na mão dele, gemendo sem pudor.
“Você queria isso desde o primeiro cartão, não queria?”
“Queria… c*****o, queria…”
“Queria que alguém te visse de verdade.”
Ele tirou os dedos, levou à boca dela, fez ela chupar o próprio gosto.
Theo abriu o zíper, tirou o p*u pra fora — grosso, cabeça vermelha, já escorrendo.
Alice olhou e lambeu os lábios.
“Me fode, Theo. Apaga ele da minha cabeça de uma vez.”
Ele obedeceu.
Segurou as coxas dela, abriu inteiro, meteu até o talo numa estocada só.
Alice gritou, jogou a cabeça pra trás, unhas cravando nos ombros dele.
Theo socava fundo, rápido, a mesa rangendo, cartões voando pro chão.
“Olha pra mim”, rosnou. “Olha enquanto eu te faço minha.”
Ela olhou. Olhos vidrados, boca aberta, lágrimas de prazer.
“Você é meu carteiro agora”, ela conseguiu dizer entre gemidos. “Minhas cartas só vêm de você.”
“Boa menina.”
Ele virou-a de bruços na mesa, vestido levantado até a cintura, b***a empinada.
Entrou de novo, mais fundo, batendo com força, uma mão no cabelo dela puxando, a outra descendo pra esfregar o c******s.
Alice gozou gritando o nome dele, o corpo convulsionando, apertando tanto que ele quase não aguentou.
“Quero dentro”, ela pediu, voz rouca. “Goza dentro de mim, Theo. Marca território.”
Ele perdeu o controle.
Segurou os quadris dela com as duas mãos, meteu fundo e gozou jatos grossos e quentes, gemendo alto, enchendo-a até escorrer pelas coxas.
Ficaram assim um tempo, ofegantes, suados, a sala cheirando a sexo e vela de canela.
Theo saiu devagar, viu o g**o escorrendo, passou o dedo e levou à boca dela. Alice chupou sem hesitar.
Depois ele a pegou no colo, levou pro sofá, deitou-a no peito dele.
“Você vai jogar aquela caixa de sapato fora amanhã”, murmurou no cabelo dela.
“Já joguei fora mentalmente há duas semanas”, ela respondeu, rindo baixinho.
Na manhã de Natal, Theo acordou com Alice chupando ele devagar, debaixo da árvore que ela tinha montado sozinha.
Em cima da lareira, a caixa do ex não estava mais.
No lugar, duas meias vermelhas penduradas, uma com o nome dele e a outra com o nome dela bordado em dourado.
Ele sorriu, segurou o cabelo dela e guiou o ritmo.
A partir daquele ano, todas as cartas de Natal dela teriam remetente.
E todas seriam entregues pessoalmente.