Presente de Grego

1322 Palavras
Clara acordou no dia 1º de dezembro com o som da campainha às sete e meia da manhã. Na varanda, um pacotinho embrulhado em papel kraft com laço vermelho. Nenhum remetente. Dentro, um enfeite de vidro em forma de floco de neve e um bilhete escrito em letra de forma: Dia 1 de 24. Ela sorriu, achou bonitinho. Pendurou no galho mais alto da árvore que Gustavo ainda nem tinha montado sozinho. No dia 2, um chocolate quente em copo térmico deixado na soleira, ainda fumegante. Dia 3, uma vela de canela que cheirava exatamente como a que ela comprara na loja da esquina dois dias antes. Dia 4, uma meia de Natal bordada com o nome dela — coisa que só ela e o marido sabiam que ela queria desde criança. Gustavo fingia surpresa toda vez que ela mostrava. “Que fofura, amor. Deve ser algum admirador secreto.” E beijava a testa dela como se nada soubesse. No dia 7, o presente foi deixado dentro de casa. Clara chegou do trabalho e encontrou, em cima da cama, a calcinha preta de renda que ela usara no dia anterior. Lavada, passada, dobrada com cuidado e um novo laço vermelho. O coração dela disparou. Alguém estivera ali. Dentro do quarto deles. Ela correu até Gustavo no escritório: “Alguém entrou aqui!” Ele ergueu os olhos calmo, quase carinhoso: “Tem certeza que não foi você mesma que guardou errado?” “Eu sei onde deixo minha roupa suja, Gustavo!” Ele se levantou, abraçou-a por trás, beijou o pescoço. “Relaxa. Vou trocar as fechaduras amanhã.” Mas não trocou. Dia 12. Uma caixa maior. Dentro, uma Polaroid dela dormindo de bruços, lençol até a cintura, a curva da b***a marcada no tecido fino do pijama. A foto fora tirada do canto do quarto, exatamente onde ficava o armário que Gustavo nunca fechava direito. Clara tremeu. Ligou para a polícia. Dois agentes vieram, deram uma volta, disseram que sem sinais de arrombamento era difícil fazer boletim. Naquela noite ela dormiu no sofá. Gustavo trouxe cobertor, deitou ao lado dela, acariciou o cabelo. “Eu protejo você, tá?” Ela acreditou. Precisava acreditar. Dia 18. O presente foi entregue em mãos — ou quase. Clara estava no banho quando ouviu o barulho do celular gravando. Saiu correndo, enrolada na toalha, pingando. O aparelho estava apoiado na pia, filmando. O vídeo já tinha 4 minutos: ela se ensaboando, os s***s pesados de água, os dedos descendo entre as pernas por um segundo mais longo do que o necessário. Ela gritou. Apagou o vídeo. Chorou. Gustavo chegou do “trabalho” (sempre chegava na hora exata) e a encontrou sentada no chão do banheiro, nua, tremendo. Ele se ajoelhou, abraçou-a forte. “Quem quer que seja, vai pagar.” A voz dele soava diferente. Mais grave. Mais viva do que em anos. Dia 21. Um pen-drive dentro de um envelope vermelho. Clara quase não abriu. Abriu. Era um compilado: ela se trocando no quarto, ela se masturbando na banheira três meses antes, ela gemendo o nome de um ex-namorado no sono. Tudo filmado de ângulos que só poderiam ser da própria casa. Ela vomitou. Depois vomitou de novo quando percebeu: em todos os vídeos, ao fundo, dava para ver o reflexo de Gustavo no espelho do corredor, segurando o celular com calma cirúrgica. Dia 24. A casa estava completamente decorada. Luzes piscando, velas acesas, música natalina baixa. A árvore enorme ocupava metade da sala. Clara não saiu do quarto o dia inteiro. Trancou a porta. Tomou dois calmantes. Às 23h47, as luzes da casa apagaram de uma vez. Só as da árvore ficaram acesas, vermelhas e douradas, pulsando como coração. Ela ouviu passos no corredor. Lentos. Botas pesadas. A maçaneta girou. A porta abriu sem barulho — ela mesma tinha esquecido de passar o trinco. Gustavo entrou vestindo um sobretudo preto, capuz, luvas de couro. O rosto na penumbra. Em uma das mãos, o último presente: uma fita vermelha larga de cetim. “Dia 24 de 24”, ele disse com a voz que usava nos vídeos. Grave. Distante. Perigosa. Clara recuou até a cabeceira da cama. “Você… todo esse tempo era você?” Ele não respondeu com palavras. Deu um passo. Dois. Ela deveria ter gritado. Deveria ter corrido. Mas o corpo dela reagiu antes da cabeça: os m*****s endureceram sob o camisola fina, a respiração ficou curta, o meio das pernas latejou como se tivesse levado um choque. O medo e o desejo se misturaram numa coisa só, quente e doente. Gustavo jogou a fita na cama. “Se você quiser que pare, é só dizer ‘pare’. Uma vez. E eu paro.” Silêncio. Só o som das luzes da árvore chiando. Clara não disse nada. Ele sorriu de lado — o primeiro sorriso verdadeiro em meses. Em segundos ele estava em cima dela. A fita cetim envolveu os pulsos dela, prendeu na cabeceira. Ele arrancou a camisola com um puxão só, rasgando o tecido. Os s***s dela saltaram livres, arfando. “Você me ignorava”, ele rosnou no ouvido dela enquanto mordia o lóbulo com força. “Oito anos me tratando como móvel. Agora você vai me sentir.” A boca dele desceu pelo pescoço, chupando até deixar marcas roxas. Os dentes cravando na curva do ombro. Clara arqueou o corpo, gemendo alto. Não era medo mais. Era outra coisa. Era vida. Ele abriu o zíper da calça devagar, de propósito, deixando-a ver o volume que pulsava ali há semanas só de pensar nesse momento. “Olha o que você fez comigo todo esse tempo.” Tirou o p*u pra fora — grosso, latejando, a cabeça brilhando de pré-g**o. Clara lambeu os lábios sem querer. Gustavo segurou o rosto dela com uma mão, forçando-a a olhar. “Repete o que você disse no dia 10, quando achou que estava sozinha.” Ela corou violentamente. “Fala.” “Eu… eu disse que queria ser fodida até esquecer meu próprio nome.” “Boa menina.” Ele a virou de bruços, ainda amarrada, empinou a b***a dela pra cima. Entrou de uma vez só, sem aviso, sem camisinha, sem delicadeza. Clara gritou — um grito que era metade dor, metade alívio. Ele socava fundo, rápido, segurando os quadris dela com força suficiente pra deixar marcas dos dedos. “Você é minha”, grunhia a cada estocada. “Sempre foi. Só precisou de um susto pra lembrar.” Ela gozou primeiro, apertando ele com tanta força que quase o expulsou. O corpo convulsionando, lágrimas escorrendo no travesseiro. Gustavo não parou. Virou-a de frente de novo, abriu as pernas dela até quase rasgar, meteu olhando nos olhos. “Olha pra mim enquanto eu te encho.” E encheu. Jatos quentes e grossos, tanto que escorreu pelas coxas dela quando ele saiu. Ficaram assim um tempo que podia ser minutos ou horas. As luzes da árvore ainda piscando sobre os dois corpos suados e marcados. Ele desamarrou os pulsos dela com cuidado, beijou as marcas vermelhas. Clara puxou o rosto dele, beijou a boca com fome. “Seu filho da p**a”, sussurrou contra os lábios dele. “Seu”, ele respondeu, sorrindo. Ela riu. Pela primeira vez em anos, riu de verdade. No dia 25 de manhã, a árvore estava caída no chão, enfeites quebrados, pisca-piscas emaranhados. Eles transaram de novo ali mesmo, entre os cacos de vidro e as fitas rasgadas. Depois tomaram banho juntos, rindo como adolescentes. Na cozinha, enquanto preparavam o peru, Clara pendurou um novo enfeite na pequena árvore da mesa: um floco de neve de vidro, igual ao do dia 1. Gustavo a abraçou por trás. “Ano que vem vão ser 31 dias”, ele murmurou no ouvido dela. Ela virou o rosto, mordeu o lábio dele. “Promete?” Ele prometeu. E foi o melhor Natal das suas vidas.
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