Neve no Vidro

1354 Palavras
Júlia chegou à Pousada Alpenrose no dia 29 de novembro de 2025 com o porta-malas cheio de lentes e um frio que não era só da altitude. Todo ano era igual: dezembro inteiro fotografando casamentos de gente rica em Campos do Jordão, dormindo quatro horas por noite, bebendo quentão demais, voltando pra São Paulo em janeiro com o corpo moído e a conta bancária gorda. Mas esse ano algo estava diferente. Ela sentia desde o primeiro dia. Um peso no ar. Um olhar que não saía das costas. O homem do chalé 12 estava lá de novo. Sempre o mesmo: alto, cabelo preto cortado rente, sobretudo até o joelho, olhos que pareciam buracos negros. Nunca falava com ninguém. Só aparecia nas festas, ficava no canto, bebia uma dose de conhaque e sumia. Júlia já tinha flagrado ele em segundo plano de pelo menos quarenta fotos dos últimos três anos. Sempre olhando pra ela. Só pra ela. Dia 1º de dezembro Ela acordou com um envelope debaixo da porta do quarto 28. Dentro: uma calcinha preta dela, desaparecida da corda do banheiro dois dias antes. A calcinha estava seca, dura, manchada de listras brancas grossas. Bilhete em letra de forma: Gozei nela ontem à noite enquanto você dormia. Dia 1 de 24. Aguarde o próximo frame. Ela vomitou no banheiro. Depois ligou pra recepção pedindo troca de quarto. Negado: pousada lotada. Passou o dia inteiro olhando por cima do ombro. Dia 5 Outro envelope. Foto 10×15: ela mesma na festa de anteontem, de quatro no chão do salão fotografando o buquê, decote aberto, s***s quase escapando. A foto estava ampliada no reflexo do espelho do quarto dela: o homem do chalé 12 estava atrás, p*u pra fora da calça, masturbando-se enquanto olhava pra ela. No verso: Você nem percebeu. Eu percebi cada gota de suor entre seus p****s. Dia 10 Ela acordou com o corpo ardendo. Marcas roxas de mordidas nos s***s, nas coxas internas, uma linha perfeita de dentes na curva do pescoço. No espelho do banheiro: um colar de couro preto trancado com cadeado pequeno. Gravado no metal: 24/12 – eu cobro. Ela tentou cortar o colar com alicate de unha. Não saiu. Tentou arrancar. Só sangrou. Passou o dia inteiro de gola alta, suando frio. Dia 15 Vídeo no celular dela. Ela bêbada numa festa de 2023, dançando com um noivo. Câmera tremendo, alguém a leva pro corredor dos fundos, abaixa a calça dela, mete por trás enquanto ela ri e geme “mais forte”. Ela não lembrava de p***a nenhuma daquela noite. No final do vídeo, o reflexo no espelho mostra o rosto dele: o homem do chalé 12. Legenda: Você já foi minha antes. Só não sabia. Dia 20 Neve forte. Júlia tentou fugir. Carro não pegou. Bateria descarregada. Cabo cortado com precisão cirúrgica. Recepção: “Todos os mecânicos estão em São Paulo por causa do Natal, querida.” Ela chorou pela primeira vez. Dia 24 – véspera de Natal Festa de gala. Salão lotado, orquestra, champanhe, neve caindo grossa lá fora. Júlia bebeu quatro taças em vinte minutos. Dançou sozinha no meio da pista, vestido vermelho colado, colar preto aparecendo no decote. Sentia ele olhando. Sempre olhando. À 1h17 ela saiu pro deck aberto, neve até o tornozelo, vento cortando a cara. Gritou pro escuro: “Aparece logo, seu filho da p**a! Para de brincar!” Ele apareceu. Surgiu da neve como se tivesse nascido ali. Máscara preta cobrindo metade do rosto, câmera antiga pendurada no pescoço, luz vermelha de laboratório fotográfico acesa. Segurou o braço dela com força suficiente pra deixar marca. “Você pediu.” Arrastou-a por um corredor de serviço, abriu a porta da suíte presidencial com um cartão roubado. Lá dentro: paredes cobertas de fotos dela. Centenas. Anos inteiros. Ela dormindo, comendo, chorando, gozando, mijando. Todas ampliadas, algumas em tamanho real. No teto: algemas de aço penduradas numa viga. No chão: uma barra de metal com correias de couro nas pontas. Ele a jogou contra a parede, rasgou o vestido vermelho com as duas mãos. Os s***s saltaram livres, m*****s já duros de frio e medo. “Você fotografa o amor dos outros,” ele rosnou, voz grave, sem máscara agora. “Hoje você é o filme.” Algemou os pulsos dela, levantou até ela ficar na ponta dos pés. Abriu as pernas com a barra de metal, prendeu os tornozelos. Ela ficou completamente exposta, b****a e cu à mostra, colar tilintando a cada respiração. Ele ligou a câmera 8mm, luz vermelha banhando o quarto como sangue. Primeiro veio a boca. Segurou o cabelo dela, enfiou o p*u até a garganta sem aviso. Ela engasgou, baba escorrendo, lágrimas borrando o rímel. Ele fodia a boca com força, segurando a nuca, batendo no fundo até ela sufocar. “Engole tudo, sua puta.” Tirou, deixou ela ofegante, depois desceu. Chupou os s***s até deixar roxo, mordeu os m*****s até sangrar. Desceu a língua pela barriga, lambeu o c******s com violência, enfiou três dedos na b****a dela de uma vez. Ela gritou, gozou em menos de um minuto, esguichando no chão de madeira. Ele não parou. Pegou um frasco de lubrificante, jogou no cu dela sem aquecer. “Você nunca deu pra ninguém aqui, né?” Ela balançou a cabeça, chorando. “Hoje dá pra mim.” Empurrou devagar. A cabeça entrou. Ela gritou alto, corpo tremendo. Ele segurou os quadris e forçou até o talo. Doía pra c*****o. Doía tão bem que ela gozou de novo, sem tocar no c******s, só com o cu sendo rasgado. Ele metia fundo, rápido, a câmera capturando cada centímetro entrando e saindo, o flash disparando como trovão. “Olha pra parede,” ele mandou. Ela virou o rosto. Uma foto enorme dela mesma, de quatro, b****a aberta, com a legenda escrita em vermelho: PROPRIEDADE PARTICULAR – NATAL 2025. Ele gozou dentro do cu dela com um rugido, jatos quentes e grossos, tanto que escorreu pelas coxas quando ele saiu. Desceu, lambeu o próprio g**o misturado com o sangue dela, cuspiu na boca dela. Ela engoliu, tremendo inteira. Desceu as algemas, jogou-a no chão. Fodeu a b****a dela ali mesmo, de pernas abertas, p*u sujo entrando de novo. Gozo antigo lubrificando o caminho. Ela já não sabia mais onde era dor ou prazer, só gozava sem parar, corpo convulsionando, voz rouca de tanto gritar. Quando terminou, ele tirou a máscara completamente. Júlia reconheceu na hora. Era o irmão gêmeo do Diego – o noivo que morreu em 2022 na estrada voltando da lua de mel que ela fotografara. Mesmos olhos, mesma boca. Só que esses olhos estavam mortos de ódio e desejo. “Você matou meu irmão,” ele disse, voz calma. “Suas fotos perfeitas fizeram ele correr pra estrada naquela noite. Eu vi você no enterro. Vi você chorar. E gozei no banheiro da igreja olhando pra você de preto.” Ele se levantou, foi até uma impressora térmica no canto, imprimiu a foto macro do cu dela escorrendo g**o. Colou na parede com as outras. “Agora você é minha dívida viva.” Dias depois, já em São Paulo, Júlia recebeu um pacote. Dentro: o vestido vermelho rasgado, o colar com cadeado (agora com uma chave pequena dentro), e um convite de casamento. Data: 24/12/2026. Local: capela da Pousada Alpenrose. Noivo: Leonardo (o nome dele, finalmente). Noiva: Júlia Campos. Ela abriu o cadeado pela primeira vez em um mês. Não tirou o colar. Guardou a chave no meio dos s***s. Em dezembro de 2026 ela voltou à pousada. Casou com ele na mesma suíte onde foi destruída. Usou o mesmo vestido vermelho (remendado à mão por ela). O colar ainda no pescoço. Durante os votos, ele sussurrou só pra ela: “Agora você fotografa nosso amor pra sempre.” Na noite de núpcias, ele pendurou ela de novo na viga. Dessa vez ela pediu. E dessa vez ela sorriu enquanto ele metia no cu, na b****a, na boca, até ela desmaiar de tanto gozar. A câmera ainda filmava. Sempre filma. Porque agora ela era o filme. E ele era o único espectador autorizado. Fim.
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