Capítulo 7

1462 Palavras
Eles caminharam por mais vinte minutos no escuro absoluto, guiados apenas pelo tato e pela memória espacial de Dante. Finalmente, o duto terminou em uma encosta de mata fechada, longe do barulho da guerra. O ar fresco da floresta atingiu o rosto de Lara, e ela caiu de joelhos na grama úmida, limpando a fuligem dos pulmões. Ao longe, ela conseguia ver o morro da Fênix. Colunas de fumaça n***a subiam aos céus e clarões de explosões ainda iluminavam o topo, onde ficava o bunker. Sua casa, sua igreja, sua antiga vida... tudo estava queimando. Dante se aproximou e guardou o fuzil no banco traseiro de um SUV preto camuflado sob galhos e redes. Ele se virou para ela e viu que Lara segurava a pistola que ele deu a ela com as duas mãos, os dedos brancos de tanta força. — Pode devolver a arma agora. — disse ele, a voz voltando ao tom possessivo. Lara olhou para a arma e depois para o rosto dele. — Meu pai mandou eles virem para matar você. Ele sabia que eu estava lá. Ele tentou me matar também. — Ele tentou apagar o rastro da própria sujeira — Dante respondeu, limpando uma mancha de sangue na testa dela com o polegar. — Para o mundo, ele vai dizer que você foi uma vítima trágica do tráfico. Ele vai fazer um funeral com um caixão vazio e colher os frutos políticos da sua morte. Lara sentiu algo quebrar definitivamente dentro de si. O medo desapareceu, substituído por um vazio gelado e cortante. Ela não era mais a menina que cantava hinos. Ela era a mulher que o pai tentou sacrificar no altar da própria ambição. Ela estendeu a mão e entregou a arma para Dante, mas antes que ele a pegasse, ela segurou o pulso dele. — Não o mate rápido, Dante — ela disse, os olhos castanhos agora tão escuros quanto os dele. — Eu quero que ele veja o que ele criou. Eu quero que ele saiba que o Anjo dele agora pertence ao dono do morro. Dante sentiu um arrepio de satisfação. Ele a puxou para um beijo rápido e brutal, um selo de sangue e vingança. — Eu sabia que havia uma rainha sob essa saia de igreja — ele murmurou contra os lábios dela. — Entra no carro. O nosso reino começa agora, nas cinzas. O SUV arrancou, sumindo pela estrada de terra enquanto o sol começava a romper o horizonte, iluminando as ruínas de uma inocência que nunca mais voltaria. O sítio era uma fortaleza de vidro e madeira escondida sob a copa densa das árvores. Não havia luxo ostensivo, apenas funcionalidade e isolamento. Enquanto a televisão na sala de estar passava, em modo mudo, as imagens do helicóptero sobrevoando o morro com a legenda FILHA DE PASTOR É DADA COMO MORTA EM MEIO A CONFRONTO, Lara observava a própria vida ser tratada como um obituário. Ela estava parada na varanda, vestindo uma camisa de linho preta de Dante que batia no meio de suas coxas. O cheiro dele estava em cada fibra do tecido, a envolvendo como uma segunda pele. Dante apareceu atrás dela. Ele não fazia barulho ao caminhar. O dono do morro era uma sombra constante. Ele colocou as mãos nos ombros de Lara e sentiu a rigidez de seus músculos. — Estão fazendo um altar de flores na porta da sua casa — disse ele, a voz rouca rente ao seu pescoço. — O seu pai deu uma entrevista tem uma hora. Lágrimas perfeitas, Lara. Ele pediu paz e justiça pelo seu sacrifício. O valor dele nas sondagens para as próximas eleições subiu dez pontos. Lara sentiu um riso seco e amargo subir pela garganta. — Ele sempre foi um bom administrador. Sabe valorizar cada perda. Dante a virou de frente para ele. Seus olhos examinaram o rosto dela, procurando qualquer vestígio de fraqueza, qualquer sinal de arrependimento. Não encontrou nada além de uma frieza que começava a espelhar a sua própria. — O mundo pensa que você morreu. Isso é a nossa maior arma, o elemento surpresa. Mas pra ser um fantasma que assombra o pastor, você tem que deixar de ser a menina que reza. Ele caminhou até uma mesa de centro e pegou uma peça metálica pesada. Era uma submetralhadora compacta, moderna, de polímero fosco. Ele a estendeu para ela. — Ontem, você fugiu porque tava medo da morte. Hoje, vai aprender a ser a morte. Se quer que ele sofra, você tem que segurar a corda que vai enforcar ele. Lara olhou para a arma. Seus dedos, que antes folheavam partituras de hinos, agora roçavam o gatilho frio. — Me ensina — ela disse, os olhos fixos nos dele. O treinamento começou ali mesmo, sob a luz filtrada pelas árvores. Dante não teve paciência com ela. Ele era um mestre c***l, exigindo perfeição. Ele a ensinou a desmontar a arma até que suas mãos estivessem sujas de óleo, a sentir o recuo do disparo contra o ombro, a controlar a respiração para que o tiro fosse uma extensão da sua vontade. Cada vez que ela errava, ele se aproximava, corrigindo sua postura com toques que começavam técnicos e terminavam em carícias lentas e possessivas. A linha entre o treino de sobrevivência e a sedução era inexistente. — Foco, Lara — sussurrou ele, colando o peito nas costas dela enquanto ela mirava em um alvo improvisado. — Imagina o rosto de quem te traiu no centro dessa mira. Não pense na Bíblia, não pense no perdão. Pensa no que sentiu quando você sentiu falta do ar naquele túnel. BUM. O tiro atingiu o centro do alvo. O impacto fez o corpo de Lara vibrar e ela sentiu uma onda de euforia sombria percorrer suas veias. Ela não era mais uma vítima. Dante tirou a arma da mão dela e a jogou na grama. Ele a puxou pela cintura, a prendendo contra o tronco de uma árvore. — Você tá gostando, né? — ele perguntou, a mão subindo pela perna dela, por baixo da camisa preta. — A sensação de poder é melhor do que qualquer promessa de paraíso que ele te vendeu. — É real — ela respondeu, ofegante. — Pela primeira vez, algo na minha vida é real. Dante a beijou com uma intensidade que a deixou sem fôlego. Não era apenas desejo, era o reconhecimento de que ele tinha criado um monstro à sua imagem e semelhança. Ele a levantou, prendendo as pernas dela em volta de sua cintura, e a levou para dentro, onde o resto do treinamento seria muito menos técnico e muito mais carnal. O quarto estava mergulhado em uma penumbra densa, quebrada apenas pelo ritmo errático da respiração de ambos. Dante a pressionou contra a parede de madeira, as mãos grandes mapeando o corpo de Lara como se estivesse reivindicando um território recém-conquistado. Não havia delicadeza, apenas a urgência crua de quem compartilhava o mesmo segredo sombrio. Lara enterrou as unhas nos ombros dele, sentindo o calor da pele de Dante contra a sua, um contraste violento com o frio metálico da arma que ela segurou momentos antes. Se o tiro no alvo tinha sido o batismo, aquilo era a comunhão. — Sem regras agora — ele sussurrou contra o pescoço dela, a voz carregada de uma satisfação possessiva. Cada toque dele era um lembrete de sua nova realidade. Ela se entregou ao movimento, à fricção e ao peso de Dante, se perdendo em uma sensação que era tão perigosa quanto o mundo que ele a ensinara a habitar. Naquela escuridão, as linhas entre dor e prazer, entre criador e criatura, desapareceram completamente, restando apenas o impacto visceral de dois predadores que finalmente se reconheciam. Ele a colocou sobre a cama, os olhos fixos nela com uma intensidade predatória. Ele se ajoelhou entre suas pernas, as mãos firmes deslizando pelas coxas de Lara, separando qualquer barreira que ainda restasse. O contraste entre o controle dele e a entrega dela era absoluto. Quando os lábios dele encontraram a pele macia de sua i********e, Lara arqueou as costas, um som baixo e gutural escapando de sua garganta. Não era um gesto de adoração, mas de reivindicação. Dante a explorava com a mesma precisão com que a ensinou a mirar, cada beijo e cada toque calculado para desarmá-la completamente, transformando o poder que ela sentiu no campo de tiro em uma vulnerabilidade elétrica. Ela segurou o cabelo dele, os dedos se perdendo nos fios enquanto o mundo lá fora deixava de existir. Ali, naquela entrega carnal, Lara percebeu que Dante não queria apenas o seu corpo, ele queria devorar o que restava de sua antiga inocência, a substituindo por um prazer que queimava tanto quanto a pólvora.
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