Já de volta ao Brasil
Dean chegava à delegacia após uma operação policial e foi direto para sua sala.
Pouco depois, Meg entrou apressada, dirigindo-se diretamente ao irmão.
— Oi, Dean. O que aconteceu para você me ligar mais cedo querendo saber do Dom? Por acaso, está planejando outra das suas com o b****a do Daniel?
Dean olhou para a irmã com uma expressão séria.
— Claro que não. Estava pensando que talvez seja hora de me aproximar mais do nosso irmão mais velho e conhecê-lo melhor, assim como você faz. Ou eu não posso querer isso também?
Meg respirou fundo antes de responder.
— Se isso for verdade, vai ser complicado. Você e os outros já aprontaram demais com ele. E sabe como é o Dom: ele prefere ficar na dele. Com Declan, Daniel e você sempre tentando humilhá-lo, vai ser difícil para ele confiar em você agora.
Dean se aproximou da irmã, com um sorriso quase convincente.
— Que tal me ajudar com isso, irmãzinha? Você é próxima dele. Pode ser uma ponte entre nós. O que acha?
Meg estreitou os olhos, avaliando-o.
— Vou pensar no seu caso. Ele deve chegar hoje ao país. Me avisou que só está terminando de resolver algumas coisas e logo vai para casa. Mas, pela voz, parecia bem cansado.
Dean a abraçou com entusiasmo.
— Obrigado, irmãzinha!
Meg sorriu.
— Eu vou passar no hospital antes de ir para casa. Já deixei lanches prontos para o Dom. Se cuida, tá? — E saiu apressada.
Na Q.T.F.
Dom estava no escritório terminando a papelada e analisando alguns documentos.
Madalena apareceu na porta, batendo levemente antes de entrar.
— Posso falar com você um instante?
Dom olhou para ela e sorriu.
— Claro, dona Madalena. Em que posso ajudá-la?
Ela entrou, sorrindo timidamente.
— Você já sabe para onde minha filha e eu iremos? Ou vamos continuar no alojamento por mais um tempo? Parece que você também está de saída.
Dom guardou os documentos em uma pasta e respondeu:
— Sim, estou indo para casa. Não se preocupe, o alojamento é muito bom. Às vezes, até eu passo noites aqui.
Madalena sorriu, mas insistiu:
— Mas hoje não, certo? Você vai para casa descansar com sua família.
Dom deu um leve sorriso.
— Quase isso. Estou morando com minha irmã, por insistência dela.
Madalena hesitou antes de perguntar:
— E... você tem namorada? Ou noiva?
Dom ficou surpreso com a pergunta e mudou de assunto.
— Acho melhor deixar isso para lá. Sua filha parece estar procurando por você. É melhor descansar.
Madalena percebeu que foi longe demais e se desculpou.
— Desculpa. Acho que perguntei demais. Nos vemos amanhã. Boa noite.
Ela saiu rapidamente, um pouco constrangida.
No vestiário
Jenny estava se trocando quando uma das colegas puxou assunto.
— Como é trabalhar com o comandante Donovan?
Jenny respondeu, sem muita paciência:
— Normal. Ele é um homem como qualquer outro.
A colega riu.
— Ah, qual é, Jenny! Vai dizer que nunca reparou como ele é um gato? O homem é tudo de bom. Já imaginou ele sem roupa? Meu Deus!
Jenny fechou a bolsa e olhou séria para a colega.
— Você está louca? Tenha mais respeito pelo seu comandante. Do contrário, vai acabar levando uma suspensão.
Ela saiu do vestiário, irritada, e esbarrou em Brian no corredor.
— Que foi, Jenny? Algum bicho te mordeu? — perguntou Brian, curioso.
Jenny revirou os olhos.
— Nada disso. Sabe onde o chefe está agora?
Brian apontou para a saída.
— Foi para casa. Parecia muito cansado e não estava com uma aparência boa.
Jenny respirou fundo.
— Certo. É melhor irmos também, antes que fiquemos presos aqui até tarde.
Em casa
Dom chegou em casa, deixou algumas coisas na mesa e foi tomar banho. Durante o banho, flashes de lembranças de sua infância começaram a invadir sua mente, deixando-o tonto. Ele quase desmaiou, mas se segurou.
Pouco depois, ouviu a campainha tocar. Vestiu-se rapidamente e foi atender.
Ao abrir a porta, deu de cara com Dean.
— O que foi? A Meg não está em casa. Pode voltar de onde veio — disse Dom, sem esconder o incômodo.
Dean o ignorou e entrou.
— Eu sei que ela não está. Vim falar com você. Podemos conversar?
Dom suspirou, pegou uma cerveja na geladeira e se sentou no sofá.
— Fala logo. Parece até que está perturbado.
Dean o observou por um momento antes de perguntar:
— Você está bem? Parece h******l, cara. O que aconteceu com o seu ombro?
Dom deu um gole na cerveja e respondeu:
— Nada de mais. Estou legal.
Dean continuou:
— O que você estava fazendo na Colômbia, afinal?
Dom trocou de canal na TV, evitando contato visual.
— Trabalhando, o que mais seria?
Dean insistiu:
— Mas você trabalha com o quê exatamente?
Dom respirou fundo e virou para o irmão.
— O Daniel mandou você me investigar agora?
Dean balançou a cabeça.
— Claro que não! Só queria puxar assunto, conversar com você.
Dom colocou a mão na cabeça, visivelmente incomodado.
— Estou sem paciência para conversar, Dean. Estou com uma dor de cabeça que está me deixando louco.
Dean viu Dom pegar outra cerveja e misturar com remédios.
— E ainda mistura cerveja com remédio? Você está pior do que eu pensava.
Dom riu, debochado.
— Agora você está preocupado comigo? Isso é engraçado.
De repente, Dom começou a sentir tudo rodando e quase desmaiou. Dean conseguiu segurá-lo a tempo.
— Você não está nada bem — disse Dean, ajudando-o a se sentar no sofá. — Misturar remédio com álcool nunca é uma boa ideia.
Dom tentou afastá-lo.
— Não preciso da sua ajuda, seu mala.
Dean sorriu, ignorando o protesto.
— Claro que precisa. Vamos, vou te levar para o quarto.
Com certa relutância, Dom acabou aceitando a ajuda, e Dean o levou até a cama.