CAPÍTULO 10

962 Palavras
Já de volta ao Brasil Daniel estava em casa, olhando algumas fotos antigas deles quando eram crianças. Clara entrou na sala e viu toda aquela bagunça. — De onde tirou essas fotos? Olha só como vocês eram fofos! Daniel levantou os olhos para a esposa, ainda segurando uma fotografia. — São dos meus pais. Encontrei essas caixas na antiga casa deles. Aqui tem umas fotos guardadas, alguns objetos antigos e até vídeos gravados com datas e horas... Parece que são dos amigos do meu pai. Ainda não assisti, então nem sei o que tem nelas. Clara pegou uma das fitas e arqueou a sobrancelha. — Por favor, né? Você não vai assistir isso agora, vai? Daqui a pouco as crianças estarão de volta. Daniel sorriu. — Claro que não. Vou guardar essas fitas no armário e trancar a porta. Não quero as crianças mexendo nelas. Clara cruzou os braços. — Sua irmã ligou. Perguntou se você teve notícias do Dom. Ela não está conseguindo contato com ele e já está ficando preocupada. Daniel soltou uma risada debochada. — Só pode ser brincadeira. Como é que ela acha que eu vou saber alguma coisa daquele i****a? m*l nos falamos. Clara olhou séria para ele. — Por que você é tão c***l com seu irmão? Pelo que me contou, ele deveria ser considerado um herói. Foi ele que cuidou de vocês quando sua mãe os abandonou. Ele deixou a própria vida de lado para criar vocês. Daniel revirou os olhos e respondeu com sarcasmo: — Então por que você não casou com ele, hein? Ah, claro, ele não te quis. Quer saber por quê? Porque ele já era gay e nunca teve coragem de contar. Foi por isso que ele sumiu do mapa. Clara balançou a cabeça, incrédula. — Daniel, quando você começa a falar essas asneiras, fica impossível conversar com você. Boa noite. Sem esperar resposta, ela saiu da sala, deixando Daniel sozinho. No hospital Dean estava visitando o pai, que estava sendo atendido por uma enfermeira no momento. A enfermeira sorriu ao ver Dean. — Seu pai sempre fica feliz quando você vem visitá-lo. Mas ele só fica triste por causa do seu irmão mais velho, que nunca aparece. Você deveria convencê-lo a vir ao menos uma vez por mês. Seria bom para ele. Dean retribuiu o sorriso, mas seu tom foi resignado. — Meu irmão é teimoso, e o senhor Douglas e ele não se dão muito bem. É uma situação triste, mas é a nossa realidade. A enfermeira assentiu. — Famílias costumam ter seus conflitos, mas tudo melhora com o tempo. Ela se retirou, e Dean se aproximou da cama do pai. — Como vai, papai? Me perdoa por não ter vindo antes. Estive muito ocupado com o trabalho. Douglas sorriu, embora seu rosto mostrasse sinais de cansaço. — Tudo bem, meu filho. Ao menos, você veio. Como estão seus irmãos? Até mesmo o Dom? Você tem notícias dele? Dean suspirou fundo. — Estão todos bem. Dom foi à casa da Meg no aniversário do filho dela. Mas, como sempre, ele e o Daniel acabaram brigando. Daniel não para de provocá-lo, sempre o chamando de gay. Douglas ficou em silêncio por alguns segundos antes de começar a chorar. — Daniel, precisa deixar o Dom em paz. Tudo o que o Dom é hoje... é por minha culpa. É tudo por minha culpa. Dean franziu o cenho, confuso. — O que o senhor quer dizer, papai? Que culpa é essa? O que o Dom fez para te salvar? Douglas enxugou as lágrimas, mas sua voz tremia. — Eu obriguei o Dom a fazer coisas horríveis. Coisas de que me arrependo até hoje. Dean recuou, olhando para o pai com incredulidade. — O que o senhor fez com ele? Que coisas horríveis são essas? Douglas abaixou a cabeça, envergonhado. — Quando vocês eram crianças, eu era um bêbado irresponsável. Estava devendo muito dinheiro para pessoas perigosas. Eles queriam algo em troca, e eu ia entregar vocês dois. Mas o Dom não deixou. Ele se sacrificou... Dean deu um passo para trás, chocado. — Como o senhor foi capaz? Como teve coragem de fazer isso com o próprio filho? Era seu dever nos proteger, e não nos entregar! Douglas chorava desesperadamente. — Eu era um monstro naquela época. Mas eu me arrependo, meu filho. Me perdoa. Dean estava com os olhos marejados, mas sua expressão era de ódio. — Eu nunca vou te perdoar. Nunca. E agora entendo por que o Dom é assim, por que ele carrega tanta dor e não deixa ninguém se aproximar. Ele se virou e saiu do quarto sem olhar para trás, com lágrimas escorrendo pelo rosto. No telefone com Meg Dean, ainda abalado, ligou para sua irmã, Meg, querendo saber sobre Dom. Meg, surpresa com a ligação, respondeu: — O Dom viajou para a Colômbia a trabalho. A amiga dele ligou pedindo ajuda. Mas ele estava com catapora e não deveria ter ido. Dean suspirou, mas tentou sorrir. — Ele não gosta de ficar doente, não é? Sempre foi teimoso assim. Você sabe quando ele volta? Meg respondeu com franqueza: — Ele nunca tem previsão de volta quando viaja a trabalho. E você está perguntando por quê? Por acaso está tentando provocar ele também, igual ao Daniel? Dean riu de forma nervosa. — Claro que não, Meg. Eu só quero tentar me aproximar dele. Meg deu uma risada curta. — Certo, mas não estrague tudo. Eu te aviso quando ele chegar. Dean no carro Depois da ligação, Dean ficou sentado no carro, revivendo as revelações que ouviu do pai. Ele socou o volante várias vezes até machucar a mão. — Eu vou vingar tudo o que fizeram com você, Dom. Vou fazer justiça, custe o que custar.
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