A casa estava mergulhada em silêncio. Os convidados dormiam nos quartos preparados para a visita, e até mesmo os empregados já haviam se recolhido. Mas no quarto principal da mansão, o ar estava denso. Quase insuportável.
Dom estava sentado na beirada da cama, ainda com a camisa aberta, os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos entrelaçadas, encarando o chão. Seus pensamentos eram uma tortura sem fim. A imagem de Lorenzo, a reação de Bela, a culpa estampada nos olhos de Eleonora — mesmo que ela não soubesse ainda por quê.
Atrás dele, Eleonora o observava em silêncio.
Ela estava ali. Deitada, perfumada, com os cabelos soltos sobre o travesseiro de linho branco. Vestia uma camisola leve, de seda azul, que delineava cada curva suave de seu corpo jovem e delicado. Mas Dom não a tocava. Nem a olhava.
Aquilo a destruía.
Porque ela tinha se entregado de verdade. Não só fisicamente, duas semanas antes, mas emocionalmente. Quando decidiu aceitar aquele casamento absurdo, fez por sua família. Mas quando entregou sua virgindade… foi por Dom. Só por ele.
E ele a ignorava. Como se ela fosse só mais um item decorativo naquela casa.
Eleonora se levantou da cama em silêncio. Os pés descalços tocaram o chão gelado. Ela respirou fundo.
Não aguentava mais.
— Dom — ela chamou, com a voz firme, baixa, rouca.
Ele se virou lentamente. E antes que pudesse dizer qualquer coisa, viu Eleonora segurar a barra da camisola e abaixá-la com lentidão.
Primeiro, os ombros à mostra. Depois, os s***s — firmes, jovens, o coração dela batendo tão forte que ele quase podia ouvir.
Ela parou ali. Despida até a cintura. O olhar cravado nele, sem nenhuma hesitação.
— Você me quis. Você me tomou, Dom. Você fez de mim sua esposa na cama… agora cumpra a sua função.
— Eleonora… — ele tentou, a culpa escorrendo da boca.
— Me devolva o que você tirou de mim — ela disse. — Ou você só queria destruir o que era puro?
Dom se levantou. Os olhos percorreram o corpo dela como uma maldição. A pele dela era clara, com a leveza da juventude e a fome do amor m*l correspondido. Eleonora se aproximou, deixou os s***s tocarem o peito dele, ergueu o rosto, e sussurrou:
— Devore o que é seu. Agora.
Os dedos dele se moveram sozinhos. Uma das mãos segurou a cintura dela, enquanto a outra subia pelas costas nuas. Ele a puxou com força, prendeu os lábios nos dela num beijo que começou carregado de culpa — e terminou carregado de desejo.
Eles caíram na cama, Eleonora puxando o cinto da calça dele com uma urgência inesperada, como se quisesse marcar território. Como se quisesse arrancar dele tudo o que era seu por direito.
Mas dentro dele, algo ainda ardia: o arrependimento, a traição, o gosto de Bela em sua boca ainda naquela manhã.
E tudo isso estava prestes a explodir.
A língua de Dom percorreu os s***s de Eleonora com uma fome quase doentia. Ele os beijava, sugava, mordia levemente — como se quisesse apagar todas as imagens que o atormentavam, como se o sabor da pele dela pudesse purificá-lo.
Ela gemia baixinho, os olhos fechados, o corpo se arqueando em direção à boca dele.
— Dom… — ela sussurrou, cravando os dedos nos cabelos dele.
Ele a segurava com força pela cintura, os músculos tensos, os olhos fechados como se estivesse travando uma guerra dentro de si. Porque estava.
Devorar aqueles s***s era fácil. Era instinto. Era prazer.
Mas fazer mais do que isso… era impossível.
O rosto dele parou sobre o coração acelerado de Eleonora. Ele ouviu o batimento dela. Vivo. Esperançoso. Puro.
E sentiu que não merecia mais nada daquilo.
Com um gemido de frustração e dor, ele se afastou de repente. Como se tivesse sido queimado. Levantou-se da cama, virou de costas, levou as mãos ao rosto.
— Eu… não consigo — disse com a voz baixa, rouca, sufocada.
Eleonora sentou-se na cama, puxando a camisola de volta. Os olhos marejados, os s***s ainda trêmulos pelo toque recente dele. O corpo ardia de desejo, mas a alma… gelava de rejeição.
— O que foi agora? — ela perguntou, tentando soar firme, mas falhando miseravelmente. — Você não me deseja mais?
Dom virou-se de costas, incapaz de encará-la.
— Não é você, Eleonora. É… — ele engoliu em seco. — Sou eu. É esse casamento. É tudo isso. Está errado.
— Errado? — ela se levantou, caminhou até ele, os olhos brilhando. — Então por que me tomou? Por que me usou? Por que está aqui agora, me fazendo acreditar que existe alguma coisa real entre nós?
Eleonora queria gritar. Mas não gritou.
Ela apenas voltou para a cama, deitou-se de lado, de costas para ele, e cobriu o corpo com o lençol.
— Vai dormir no sofá? — ela perguntou, fria.
Dom ficou ali, parado por um momento. Depois, pegou um travesseiro e saiu em silêncio.
A porta se fechou com um clique suave.
Mas dentro de Eleonora, o som foi ensurdecedor.