A porta da biblioteca fechou-se com um estalo seco.
Dom caminhava à frente, passos duros, mãos cerradas. Eleonora o seguia com calma absoluta, quase desafiadora, como se a ira dele não tivesse peso algum sobre os ombros que agora sustentavam o nome da família mais temida do país.
Subiram as escadas da mansão em silêncio, mas o ar parecia vibrar de tensão. Quando entraram no quarto do casal, ele se virou bruscamente.
— Você enlouqueceu? Montar um circo com os funcionários? Mudar regras sem me consultar? Tomar decisões como se essa casa fosse sua?
Ela fechou a porta com calma. Não gritou. Não perdeu a compostura. Apenas cruzou os braços, com um meio sorriso nos lábios.
— O que foi que você esperava, Dom? Que eu me escondesse no quarto feito uma boneca de porcelana, calada e grata? Me desculpa… acho que pegou a mulher errada no contrato.
Ele avançou um passo, o maxilar marcado de tensão.
— Você não é a dona dessa casa.
— Sou sua esposa. Até no papel. E tenho tanto direito quanto você de organizar a casa onde eu vou viver.
Dom bufou, virando de costas. Passou as mãos nos cabelos como se precisasse se controlar para não explodir ainda mais. Eleonora se aproximou então, tirando o celular do bolso.
— Ah, e já ia me esquecendo… — disse, com a mesma tranquilidade provocadora — amanhã mesmo vou agendar uma consulta com um ginecologista. Quero resolver logo essa pendência da consumação. Eliminar qualquer brecha contratual.
Ele se virou lentamente.
— Você está falando sério?
— Completamente. — respondeu, olhando direto em seus olhos. — É claro que será com a minha vontade, como manda o contrato. Mas pretendo estar pronta… quando eu decidir. E quero que esteja claro que não preciso da sua aprovação para isso.
Dom não respondeu de imediato. Apenas a observava, como se tentasse decifrar aquela nova mulher que surgia diante dele. Já não era a garota vendida por um contrato. Era uma força que crescia, fria, elegante, provocadora.
Ela finalizou:
— Se quiser manter sua postura calculista, mantenha. Mas eu não vim pra ser mais uma peça no seu jogo. Eu vim pra virar o tabuleiro.
Virou-se e entrou no closet, deixando Dom sozinho, dividido entre o ódio, o desejo… e uma inquietação que ele não sabia nomear.
Ela o estava vencendo.
E ele estava… gostando disso.