O quarto estava silencioso, mas o closet parecia um campo de batalha. Vestidos pendurados, sapatos alinhados sobre o tapete e eu no meio de tudo, de roupão, segurando duas opções de salto como se minha vida dependesse disso. Salvatore, por outro lado, estava encostado na porta, me observando com aquele olhar de quem se diverte vendo meu dilema. Ele estava impecável, como sempre, o terno escuro ajustado ao corpo largo, a gravata ainda pendurada no pescoço, esperando o momento certo para ser arrumada. — Vai escolher um ou planeja abrir uma loja de calçados no quarto? — perguntou, a voz carregada de ironia. — É uma reunião importante. Eu não posso aparecer... sei lá... parecendo que me arrumei no escuro. — Revirei os olhos, colocando um dos pares de salto de volta na prateleira. Ele se ap

