A mesa estava posta como se a Itália inteira fosse jantar conosco. Toalha de linho branco, louça fina, talheres pesados, taças para três tipos de vinho. No centro, velas baixas e arranjos florais simples, mas impecáveis. O aroma que vinha da cozinha era de assado com alecrim, pão recém-saído do forno e algum tipo de molho com vinho tinto que me fazia salivar. Era noite de reunião familiar, de verdade. Não a reunião que envolve mapas, armas e decisões que mexem com a estrutura da cidade. Essa era daquelas em que os Valentini fingiam ser uma família tradicional italiana. E quase convenciam. Eu sentei ao lado de Salvatore, como sempre. Ele de camisa preta, mangas dobradas, pulseira discreta no pulso, olhos atentos. Luca chegou antes de todo mundo, com a mesma energia de quem nunca leva nada

